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IA na Saúde: 18% dos Estabelecimentos Brasileiros já Usam

Saúde e Bem-estar

A utilização de Inteligência Artificial (IA) na saúde tem alcançado uma proporção significativa no Brasil, com 18% dos estabelecimentos de atendimento já integrando essa tecnologia em suas operações. Esse dado reflete uma crescente tendência de digitalização e otimização de processos no setor, indicando um futuro onde a IA desempenha um papel cada vez mais fundamental no aprimoramento dos serviços e na gestão de unidades de saúde.

Os números apresentados, que correspondem ao ano de 2025 e foram divulgados nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, provêm da 12ª edição da importante pesquisa TIC Saúde. Este estudo é conduzido pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), por meio de seu departamento, o Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), uma iniciativa do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br). Para a elaboração do levantamento, foram entrevistados 3.270 gestores de estabelecimentos de saúde em todo o território nacional, proporcionando uma análise detalhada sobre o nível de adoção tecnológica.

IA na Saúde: 18% dos Estabelecimentos Brasileiros já Usam

A pesquisa TIC Saúde revela uma distinção na adoção da Inteligência Artificial entre as esferas pública e privada do setor de saúde. Enquanto 11% dos estabelecimentos de saúde pertencentes ao setor público já empregam a tecnologia, essa taxa eleva-se para 21% nos estabelecimentos privados. Tal diferença pode ser atribuída a diversos fatores, incluindo distintos níveis de investimento, prioridades estratégicas e capacidades de implementação, mas ambos os segmentos demonstram um movimento progressivo em direção à incorporação da IA em suas rotinas.

Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br, destacou a relevância de acompanhar essa evolução tecnológica. “Nos últimos anos, observamos uma rápida disseminação das tecnologias de Inteligência Artificial. Por isso, tornou-se importante ampliar a investigação para compreender como essas tecnologias vêm sendo incorporadas pelo conjunto dos estabelecimentos de saúde”, explicou Barbosa, enfatizando a necessidade de entender os impactos e as dinâmicas dessa fase de adoção tecnológica no país.

Principais Aplicações da Inteligência Artificial no Setor de Saúde

A versatilidade da Inteligência Artificial permite que ela seja empregada em múltiplas áreas dentro do ecossistema da saúde. O levantamento identificou as utilizações mais frequentes da tecnologia pelos estabelecimentos brasileiros, abrangendo tanto a gestão quanto o atendimento direto ao paciente:

  • Organização de Processos Clínicos e Administrativos: 45% dos estabelecimentos utilizam a IA para otimizar fluxos de trabalho, desde a gestão de agendamentos e prontuários eletrônicos até a coordenação de equipes, visando maior eficiência operacional.
  • Melhora da Segurança Digital: 36% aplicam a Inteligência Artificial para fortalecer as defesas contra ameaças cibernéticas e assegurar a proteção de dados sensíveis dos pacientes, uma preocupação crescente diante dos riscos digitais.
  • Aprimoramento da Eficiência dos Tratamentos: Com 32% de adesão, a IA colabora na personalização e otimização de planos terapêuticos, o que pode resultar em melhores desfechos clínicos e na melhoria da experiência do paciente.
  • Apoio à Logística: 31% dos estabelecimentos empregam a IA para gerenciar estoques de medicamentos e suprimentos, otimizar rotas de transporte e realizar previsões de demanda, garantindo o abastecimento adequado e minimizando desperdícios.
  • Gestão de Recursos Humanos e Recrutamento: 27% utilizam a tecnologia para auxiliar na seleção de profissionais, na gestão de escalas de trabalho e no planejamento da força de trabalho, contribuindo para uma alocação mais eficaz de talentos.
  • Auxílio nos Diagnósticos: Com 26% de uso, a IA suporta profissionais de saúde na análise de imagens médicas e grandes volumes de dados clínicos, oferecendo insights que podem levar a diagnósticos mais rápidos e precisos.
  • Auxílio na Dosagem de Medicamentos: 14% dos estabelecimentos já utilizam a Inteligência Artificial para calcular e recomendar dosagens de medicamentos, minimizando a ocorrência de erros e elevando a segurança do paciente durante o tratamento.

O conjunto dessas aplicações demonstra o extenso potencial da IA para transformar a maneira como os serviços de saúde são oferecidos, impactando positivamente a qualidade, a segurança e a eficiência em todas as etapas do cuidado.

Desafios e Obstáculos na Adoção da IA

Apesar dos avanços observados, a implementação da IA no Brasil ainda confronta desafios consideráveis. O estudo aponta que, particularmente em hospitais com mais de 50 leitos, os gestores identificam obstáculos críticos para a plena adoção da tecnologia:

  • Custos Elevados: 63% dos gestores apontam os altos investimentos necessários para adquirir e manter tecnologias de IA como o principal entrave. Essa barreira financeira é um fator determinante, especialmente para instituições com orçamentos mais limitados.
  • Falta de Priorização Institucional: 56% indicam que a ausência de uma estratégia clara e de um comprometimento da alta direção em relação à IA dificulta sua adoção e integração efetiva nos planos de desenvolvimento organizacional.
  • Limitações Relacionadas a Dados e Capacitação: 51% dos entrevistados apontam a escassez de dados qualificados e a carência de profissionais com as habilidades técnicas necessárias para gerenciar e operar sistemas de IA como obstáculos consideráveis. A falta de uma infraestrutura de dados robusta e a necessidade de treinamento contínuo são desafios que demandam atenção estratégica.

Luciana Portilho, coordenadora de projetos de pesquisas do Cetic.br, sublinha a importância de enfrentar esses desafios de forma proativa. “O avanço do uso da IA na saúde exige profissionais qualificados para que essa tecnologia seja aplicada de forma segura e responsável. Além disso, a consolidação de diretrizes e marcos regulatórios é fundamental para sustentar a adoção ética da IA em um setor que lida com informações sensíveis e impacta diretamente no cuidado com os pacientes”, afirmou Portilho, ressaltando a necessidade de um ecossistema abrangente que apoie o uso ético e eficiente da Inteligência Artificial.

IA na Saúde: 18% dos Estabelecimentos Brasileiros já Usam - Imagem do artigo original

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br

Outras Tecnologias e Serviços Digitais no Setor de Saúde

Para além da Inteligência Artificial, a pesquisa TIC Saúde também explorou a implementação de outras tecnologias emergentes e a oferta de serviços online aos pacientes. O levantamento revelou que 9% dos estabelecimentos de saúde já incorporam a Internet das Coisas (IoT), integrando dispositivos conectados para o monitoramento e a gestão de dados. A tecnologia robótica com uso de internet é empregada por 5% das instituições, o que evidencia um interesse crescente na automação e em soluções mais avançadas para otimizar processos e procedimentos.

A disponibilização de serviços online para pacientes também se configura como um avanço na digitalização do setor. A visualização de resultados de exames foi oferecida por 39% dos estabelecimentos, proporcionando maior conveniência e agilidade no acesso à informação. O agendamento de consultas online foi facilitado por 34%, enquanto o agendamento de exames por meios digitais esteve presente em 32% das instituições. Esses serviços refletem o esforço contínuo do setor em aprimorar a acessibilidade, a eficiência e a experiência do paciente.

O Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) desempenha um papel crucial na governança e no desenvolvimento da internet no país, promovendo pesquisas como a TIC Saúde que mapeiam o avanço tecnológico em setores estratégicos para a sociedade. Para mais informações sobre as diversas iniciativas e estudos conduzidos pelo CGI.br, consulte o portal oficial da instituição.

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Em suma, a integração da Inteligência Artificial no setor de saúde brasileiro avança, impulsionada pela busca por eficiência, segurança e melhoria na qualidade dos serviços. No entanto, desafios como os altos custos, a necessidade de priorização institucional e a capacitação de profissionais e dados exigem atenção contínua para garantir uma implementação ética e responsável. Manter-se atualizado sobre essas tendências é fundamental para profissionais e gestores da área. Para aprofundar seu conhecimento sobre o impacto da tecnologia e da economia em diversos setores, continue acompanhando as análises e notícias em nossa editoria de Economia.

Crédito da imagem: Ascom/Secretaria da Saúde do Estado (Sesab)

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