O setor de infraestrutura no Brasil está fortemente posicionado para ser o principal motor do crescimento econômico nos próximos anos, uma tendência que, segundo especialistas, transcende as flutuações do cenário político. Esta é a análise de Ricardo Guimarães, CEO do BNP Paribas Brasil, apresentada durante um encontro com jornalistas realizado em São Paulo, nesta terça-feira (2).
Guimarães enfatizou que a agenda de desenvolvimento infraestrutural é inerente ao país, sustentando-se “independentemente do ciclo político que a gente tem”. Ele minimizou a influência de eventos como eleições ou Copa do Mundo, classificando-os como ciclos recorrentes que não abalam a robustez dos investimentos essenciais. Para o executivo, a pauta da infraestrutura brasileira possui uma força intrínseca que a coloca acima dessas dinâmicas temporárias.
Infraestrutura no Brasil Liderará Crescimento, Diz CEO do BNP
A projeção de liderança da infraestrutura no Brasil baseia-se em diversos segmentos. O setor de saneamento, por exemplo, está no limiar da universalização, demandando um colossal volume de capital. A expectativa é de que o segmento absorva mais de R$ 1 trilhão em investimentos de capital (capex) ao longo dos próximos cinco a seis anos, impulsionando um avanço significativo em serviços básicos. Além disso, a infraestrutura digital emerge como um pilar robusto, abrangendo o desenvolvimento de torres de comunicação, redes de fibra óptica e a expansão de data centers. Esses projetos são vistos como imperativos tecnológicos, com crescimento garantido independentemente das mudanças na administração governamental.
A mobilidade urbana e de massa constitui outro vetor de investimento fundamental. Muitas das concessões realizadas nos anos 1990 estão sendo renovadas, abrindo caminho para novas rodadas de investimentos. Paralelamente, planos ambiciosos de expansão para sistemas de metrô e trens, modernização de portos e aeroportos continuam a ser implementados, visando otimizar o transporte de pessoas e mercadorias e aprimorar a logística nacional. No segmento de energia, o foco tem se deslocado da geração para a infraestrutura de transmissão, com o objetivo de integrar um sistema mais robusto e eficiente, capaz de suportar a crescente demanda e a diversificação da matriz energética.
A crença do BNP Paribas na capacidade da infraestrutura no Brasil de catalisar uma nova fase de crescimento moldou as estratégias do próprio banco. Guimarães revelou que a capitalização da instituição no país, efetivada em setembro deste ano, foi uma medida proativa para “criar as condições para o próximo ciclo de crescimento” que o banco antevê para o Brasil. Ele elogiou a resiliência notável da economia brasileira, que demonstrou solidez mesmo diante de uma taxa de juros elevada de 15%, e a vitalidade do mercado de capitais, que se manteve “bastante ativo”, projetando um ano de 2024 muito próximo dos recordes anteriores.
A reforma tributária em curso também é vista como um fator propulsor para a infraestrutura. Ao diminuir a “guerra” fiscal entre os estados, a reforma incentivará os entes federativos a buscar diferenciais competitivos para atrair investimentos, e a oferta de condições robustas de infraestrutura será um elemento chave nessa disputa. Guimarães prevê que os governadores “abraçarão fortemente” essa pauta, transformando-a em prioridade. A solidez e a estabilidade institucional das agências reguladoras brasileiras foram destacadas pelo CEO como um diferencial, oferecendo um grau de conforto superior ao de muitos países da América Latina para que grandes *players* globais continuem a investir em projetos de infraestrutura no Brasil.

Imagem: Ana Paula Paiva via valor.globo.com
Ainda sobre o cenário de investimentos, Aquiles Mosca, CEO da BNP Paribas Asset Management Brasil, apontou a evolução do papel do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Atualmente, o BNDES atua em um processo de seleção de fundos de infraestrutura, participando como coinvestidor e usando sua capacidade para atrair outros investidores para os projetos. Guimarães acrescentou que o fim dos grandes conglomerados nacionais de infraestrutura, em decorrência da Operação Lava-Jato, abriu o mercado para a competição internacional. Esse movimento resultou em um “bom mix” de tecnologia global com expertise local, beneficiando a execução dos projetos. Ele reiterou que, apesar de possíveis custos adicionais ou variáveis fiscais em 2027, a demanda por infraestrutura é uma realidade incontornável e “vai acontecer de qualquer jeito”.
Para uma análise aprofundada sobre o impacto de investimentos setoriais na economia, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) oferece relatórios detalhados que corroboram essa visão de longo prazo para a infraestrutura nacional.
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Em suma, a perspectiva do BNP Paribas reitera o papel insubstituível da infraestrutura como um catalisador econômico crucial para o Brasil, capaz de transcender as dinâmicas políticas e impulsionar um ciclo de crescimento robusto e sustentável. Para aprofundar sua compreensão sobre o cenário econômico e as perspectivas de desenvolvimento do país, acesse mais artigos em nossa editoria de Economia.
Crédito da imagem: Valor Econômico







