A instituição financeira JPMorgan rebaixa Banco do Brasil e eleva Bradesco em uma movimentação significativa para o mercado de capitais brasileiro. Após um período de forte valorização das ações do setor financeiro nacional no pós-eleições, o JPMorgan procedeu à revisão de suas recomendações, estimativas e preços-alvo. Essa reavaliação resultou em impactos imediatos nas negociações, com o Bradesco (BBDC4) registrando alta expressiva e o Banco do Brasil (BBAS3) experimentando uma queda acentuada.
A nova análise do banco de investimentos posicionou o Bradesco (BBDC4) de “neutro” para “overweight”, indicando uma exposição acima da média do mercado, equivalente à recomendação de compra. Em contrapartida, o Banco do Brasil (BBAS3) teve sua recomendação ajustada de “neutro” para “underweight”, sugerindo uma exposição abaixo do mercado, equivalente à venda. Tais mudanças reverberaram diretamente no pregão da terça-feira (6), onde as ações da BBDC4 valorizaram 4,40%, alcançando R$ 22,80, enquanto as ações da BBAS3 apresentaram a maior desvalorização do Ibovespa, caindo 6,42% para R$ 24,64.
JPMorgan rebaixa Banco do Brasil e eleva Bradesco
O fundamento para essas revisões por parte do JPMorgan reside em uma alteração substancial no custo de capital. O banco reduziu sua premissa de custo de capital próprio em aproximadamente 1,5 ponto percentual para a maioria das empresas sob sua cobertura. Essa decisão acompanha o declínio da curva de juros brasileira de dez anos, que recuou de cerca de 14,4% para 13%. Somente esse fator contribuiu para um aumento de 15% a 20% nos preços-alvo estabelecidos pela casa para as empresas. Para uma compreensão mais aprofundada sobre as taxas de juros e seu impacto na economia, pode-se consultar análises e dados do Banco Central do Brasil.
Bradesco (BBDC4): Recomendações e Projeções Positivas
Além da diminuição do custo de capital, as empresas com forte ligação ao mercado de capitais receberam um impulso adicional em suas projeções. Para o Bradesco, o JPMorgan não apenas elevou a recomendação, mas também aumentou o preço-alvo de R$ 22 para R$ 26, projetando uma valorização de 19% em relação ao fechamento anterior, que já havia registrado alta de 13,6%. Os analistas ponderam que as receitas de seguros do Bradesco podem não se beneficiar de forma acentuada com juros mais baixos, mas ressaltam que as discussões em torno do capital tangível do banco tornam-se menos pertinentes neste novo cenário. No momento da análise, o Bradesco negociava a 1,2 vez o valor patrimonial, enquanto o múltiplo considerado justo pelo banco de investimentos é de 1,5 vez.
O JPMorgan enfatizou a evolução do plano de recuperação do Bradesco, que tem demonstrado uma melhora consistente na rentabilidade nos últimos trimestres, impulsionada pela redução do custo de risco e aprimoramento das margens. Embora as tendências de curto prazo sejam vistas como menos atraentes, a casa de análise acredita que as ações BBDC4 exibem uma posição relativa superior em comparação com o Banco do Brasil (BBAS3). As estimativas do JPMorgan apontam que o Retorno sobre Patrimônio Líquido (ROE) do Bradesco deverá progredir de 15,9% em 2026 para 16,1% em 2027 e alcançar 16,8% em 2028. O lucro líquido ajustado projetado é de R$ 28,1 bilhões para o ano corrente, R$ 30,5 bilhões em 2027 e R$ 34,8 bilhões em 2028.
Banco do Brasil (BBAS3): Desafios e Rebaixamento
Em contraste, o Banco do Brasil (BBAS3), apesar de ter seu preço-alvo ajustado marginalmente de R$ 22 para R$ 23, teve sua recomendação reduzida para “underweight”. Em relação ao preço de R$ 26,30, o novo alvo estabelecido indica um potencial de queda de 13%. Os analistas do JPMorgan indicam que, embora o BB tenha participado ativamente do rali, com uma valorização de aproximadamente 16% desde a sexta-feira anterior e 50% desde 15 de agosto, a recuperação operacional da instituição deverá ser mais lenta.
A projeção do JPMorgan sugere que 2027 ainda se configurará como um ano desafiador para o Banco do Brasil, com a recuperação mais robusta esperada apenas para 2028. A análise também destaca que a significativa exposição do banco ao setor do agronegócio pode fazer com que ele se beneficie menos de uma potencial redução da taxa Selic, em comparação com outros bancos privados. A qualidade dos ativos permanece como um ponto de pressão, pois a deterioração recente e acentuada da carteira do agronegócio é esperada para impactar negativamente lucros, rentabilidade e a distribuição de dividendos. O ROE projetado é de 8,7% em 2026, com uma melhora para 11,8% em 2027 e 13% em 2028. O lucro líquido ajustado para 2026 é estimado em R$ 16 bilhões, em comparação com R$ 20,7 bilhões em 2025, subindo para R$ 22,6 bilhões em 2027 e R$ 27,1 bilhões em 2028.
Apesar desses desafios, o Banco do Brasil mantém qualidades importantes, como sua extensa rede de depósitos, liquidez robusta e custos de financiamento mais baixos. Contudo, na avaliação do JPMorgan, existem outras oportunidades no setor que oferecem uma relação risco-retorno superior.
Outras Empresas do Setor de Capitais e Bancos Tradicionais
O Itaú Unibanco (ITUB4) manteve sua recomendação de “overweight” e teve seu preço-alvo elevado de R$ 51 para R$ 60, representando um potencial de alta de 21% em relação ao fechamento da véspera. Os analistas veem o Itaú como o banco mais bem posicionado entre os grandes players para crescer em um cenário brasileiro mais favorável, destacando seu ROE elevado e a capacidade de expansão em um ambiente de maior atividade. A plataforma de investment banking do Itaú também poderia colher frutos de uma recuperação do mercado de capitais. Apesar de um valuation considerado mais exigente, próximo de 10 vezes os lucros projetados para 2027, o JPMorgan observa que o papel já negociou entre 11 e 12 vezes recentemente. Itaúsa (ITSA4) também é mencionada como uma forma atrativa de exposição ao banco, dada a sua estrutura de desconto sobre o valor de seus ativos e investimentos que podem se beneficiar de juros menores.
No segmento das empresas mais diretamente ligadas ao mercado de capitais, a XP (XPBR31) continua sendo a alternativa preferencial do JPMorgan, com recomendação “overweight” e um novo preço-alvo de US$ 38 (anteriormente US$ 26), indicando um potencial de alta de 35%. O BTG Pactual (BPAC11) também permanece “overweight”, com preço-alvo revisado para R$ 87 (de R$ 66), embora o potencial restante seja de apenas 7%. A B3 (B3SA3) teve uma forte revisão de preço-alvo para R$ 24,50 (de R$ 18,50), mas mantém a recomendação “neutra” devido a questões de valuation, com potencial de 5% de alta até o novo alvo.
Destaques em Bancos Digitais
Após a valorização das financeiras tradicionais e das empresas do mercado de capitais, o JPMorgan identificou o Nubank (ROXO34) e o Inter (INBR32) como nomes que ficaram relativamente para trás e que ainda oferecem um valuation atrativo. Para o Nubank, a recomendação segue “overweight”, com o preço-alvo subindo de US$ 20 para US$ 23, correspondendo a um potencial de 52%. O JPMorgan projeta um crescimento de lucros próximo de 30% em dólares, mesmo com premissas mais conservadoras, destacando as vantagens estruturais de custos e capital da fintech e sua capacidade de ganhar participação no Brasil.
Para o Inter, o novo preço-alvo é de R$ 55 (ante R$ 45), com potencial de 67% sobre R$ 33. A ação continua “overweight” e negocia abaixo de sete vezes o lucro projetado para 2027, apontando para um cenário promissor para a plataforma digital.
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Em suma, a recente revisão do JPMorgan para o setor financeiro brasileiro reflete uma análise aprofundada das condições de mercado, com impactos notáveis nas ações de grandes bancos e empresas de capital. Compreender essas dinâmicas é crucial para investidores que buscam navegar no cenário econômico atual. Continue acompanhando as análises e notícias sobre o mercado financeiro em nossa editoria de Economia.
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