A percepção de uma escalada na guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã provoca uma ampla aversão global a riscos, resultando na disparada dos juros futuros. O cenário geopolítico, que indica uma potencial extensão do conflito, tem levado o preço do petróleo a ultrapassar US$ 80 por barril, reacendendo os temores inflacionários. Essa conjuntura força o mercado financeiro a revisar suas expectativas para o ciclo de cortes da taxa Selic, com possíveis repercussões já na próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), agendada para o dia 18 deste mês.
Nesta terça-feira, por volta das 13h15, os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) registraram altas significativas, evidenciando a crescente incerteza no panorama econômico. A taxa do DI com vencimento em janeiro de 2027 avançou de 13,295% no ajuste anterior para 13,495%. O contrato de janeiro de 2028 também subiu, de 12,685% para 12,945%. Para janeiro de 2029, a taxa disparou de 12,73% para 13,02%, enquanto o DI de janeiro de 2031 saltou de 13,115% para 13,425%. Esses movimentos de mercado refletem a necessidade dos investidores de precificar um risco maior nos próximos anos.
A falta de sinais de arrefecimento do conflito no Oriente Médio, aliada a novas incursões das nações envolvidas, intensifica a aposta do mercado na prolongação da guerra por meses. Essa perspectiva impacta diretamente os fluxos globais de petróleo e diminui o apetite dos investidores por ativos de risco. O possível fechamento do Estreito de Ormuz, que responde por aproximadamente 20% do escoamento mundial de petróleo, emerge como um ponto de atenção crucial, alimentando o receio de uma nova onda inflacionária global devido à potencial escassez da commodity. Para entender mais sobre como eventos geopolíticos podem influenciar o mercado de energia, consulte reportagens sobre o aumento do preço do petróleo com a tensão no Oriente Médio.
Juros Futuros Disparam: Guerra no Oriente Médio Afeta Selic
As projeções dos especialistas indicam que o problema logístico acarretado por uma eventual interrupção no Estreito de Ormuz poderia ter um impacto substancial na inflação e, por consequência, influenciar diretamente os ciclos de política monetária ao redor do mundo, especialmente em bancos centrais que consideram a redução de taxas, como é o caso do Banco Central do Brasil. Essa visão é corroborada por Otávio Oliveira, gerente da tesouraria do Daycoval.
Otávio Oliveira ressalta que “no momento de corte de juros no Brasil, há a possibilidade de ele ser um pouco mais tímido, talvez não de 0,50 e sim de 0,25 ponto. É cedo para dizer, mas é uma possibilidade”. Ele complementa que “isso também vai ao encontro com o movimento lá fora. Outros países, como os Estados Unidos, que estão discutindo o corte de juros, e isso com certeza afeta, em termos inflacionários, todos os índices ao redor do mundo”. Essa cautela do mercado se manifesta na precificação atual, indicando um menor ritmo de relaxamento monetário. O temor de um ciclo de cortes mais contido, diretamente ligado à evolução do conflito geopolítico, reflete-se na curva de juros futuros. Investidores estão precificando um corte de 39 pontos-base na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em 18 de abril. Embora a maioria ainda considere um corte de 0,5 ponto percentual, a chance de uma redução mais modesta tem ganhado força.
A análise do mercado de opções digitais de Copom espelha um quadro semelhante de incerteza. A probabilidade implícita de um corte de 0,5 ponto na Selic despencou de 73% para 50%, após ter ultrapassado 80% na semana anterior. Concomitantemente, a probabilidade de um corte de 0,25 ponto subiu de 24% para 40% nesta manhã, recuperando-se de uma mínima de 12% registrada na quinta-feira passada. Essa flutuação nas expectativas evidencia a sensibilidade do mercado às notícias sobre o conflito no Oriente Médio e suas potenciais consequências econômicas globais, influenciando diretamente as projeções para a taxa de juros básica brasileira.
Em relação ao restante do ciclo de cortes de juros, as expectativas do mercado também foram moderadas. A curva de juros futuros precifica, na manhã desta terça-feira, uma taxa Selic entre 12,25% e 12,50% para o final de 2026, em contraste com a indicação de juros básicos em torno de 12% há poucos dias. Além disso, a precificação para 2027 aponta para quase nenhum corte adicional. Pelo contrário, a partir do segundo semestre do próximo ano, a curva já sinaliza uma leve elevação da Selic, refletindo um cenário de maior pressão inflacionária ou uma política monetária mais apertada no longo prazo, afastando a perspectiva de juros mais baixos por um período estendido.

Imagem: Pixabay via valor.globo.com
Enquanto o foco principal do mercado recai sobre a turbulência no Oriente Médio e suas implicações, a agenda econômica interna desta terça-feira ficou em segundo plano, mas apresentou dados relevantes. O Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre registrou uma leve alta de 0,1%, fechando o ano de 2025 com um crescimento acumulado de 2,3%. Ambos os números vieram em linha com as projeções dos economistas, indicando uma atividade econômica em ritmo moderado, conforme já esperado pelo mercado.
Por outro lado, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) superou as expectativas do mercado ao revelar a criação de 112.334 empregos formais em janeiro. Este dado é um suporte para a tese de um mercado de trabalho resiliente, um fator que pode oferecer algum amortecimento em meio às incertezas macroeconômicas e à volatilidade global. Além disso, em resposta à turbulência nos mercados, o Tesouro Nacional optou por uma oferta reduzida de Notas do Tesouro Nacional Série B (NTN-Bs) no leilão de hoje, colocando 900 mil papéis à disposição, dos quais 73% foram absorvidos pelos dealers. Essa estratégia visa gerenciar a dívida pública em um período de maior cautela dos investidores, adaptando-se ao cenário de aversão a risco.
Confira também: Investir em Imóveis na Região dos Lagos
Em síntese, a escalada do conflito no Oriente Médio atua como o principal catalisador para a disparada dos juros futuros, levando a uma revisão significativa nas expectativas de cortes da Selic no Brasil. A volatilidade do petróleo e os temores inflacionários globais impõem cautela aos formuladores de política monetária e aos investidores, que agora precificam um ritmo mais tímido de flexibilização. Para se manter atualizado sobre as análises e desdobramentos do mercado financeiro e seus impactos na economia, continue acompanhando nossa seção de Economia.
Crédito da imagem: Valor Econômico







