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Lula defende integração da América Latina no Panamá

Política

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou que a integração da América Latina e do Caribe é um caminho indispensável para que a região consiga solucionar seus desafios internos. Em 28 de fevereiro, durante a abertura do Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe 2026, realizado no Panamá, o presidente brasileiro destacou que a união regional pode fortalecer todos os países membros, conferindo-lhes maior destaque no cenário mundial, devido aos seus significativos ativos políticos e econômicos.

Em seu discurso na sessão de abertura do evento, Lula afirmou categoricamente que a manutenção da divisão entre as nações latinas e caribenhas as torna intrinsecamente mais vulneráveis. Ele ressaltou as excepcionais credenciais que a região possui – abrangendo aspectos econômicos, geográficos, demográficos, políticos e culturais – que deveriam impulsionar uma presença mais robusta no contexto global.

Lula defende integração da América Latina no Panamá

Para alcançar esses ambiciosos objetivos, o presidente ponderou que é crucial um compromisso firme das lideranças regionais com a estruturação de mecanismos institucionais eficazes. Ele sublinhou a necessidade de que esses líderes articulem de forma balanceada os diversos interesses nacionais presentes na região, evitando que divergências pontuais ofusquem o propósito maior da união.

Lula apontou que um dos principais entraves reside na falta de convicção por parte das lideranças regionais em relação aos benefícios tangíveis de adotar um projeto de inserção internacional mais autônomo. Nesse contexto, ele sugeriu que os países da região deveriam focar nas vastas riquezas ainda inexploradas, as quais poderiam assegurar uma participação altamente competitiva na ordem econômica global.

O presidente argumentou que a região dispõe de inúmeros ativos, tanto políticos quanto econômicos, capazes de concretizar o impulso integracionista. Entre esses ativos, ele enumerou o vasto potencial energético, que inclui significativas reservas de petróleo e gás, a capacidade hidrelétrica, os biocombustíveis e a energia proveniente de fontes como a nuclear, eólica e solar, todas essenciais para a segurança energética e a transição global.

Adicionalmente, Lula citou outros ativos de grande relevância. Destacou que a América Latina e o Caribe abrigam a maior floresta tropical do planeta, a Amazônia, cuja preservação e desenvolvimento sustentável são cruciais. Mencionou também as variadas condições de solo e clima que favorecem a agricultura, bem como os avanços científicos e tecnológicos dedicados à produção de alimentos, elementos fundamentais para a segurança alimentar global.

Em sua fala, o líder brasileiro também chamou a atenção para a abundância de recursos minerais, incluindo minérios críticos e terras raras. Estes são vitais para a transição energética e digital em escala global. Ele frisou que a exploração desses recursos só faz sentido se tiver como objetivo principal o enriquecimento dos países da região, e se houver coragem para construir parcerias que gerem riqueza, emprego e desenvolvimento local, garantindo que os benefícios permaneçam na região.

Lula recordou que, em conjunto, os países da América Latina e do Caribe representam um mercado consumidor robusto, com mais de 660 milhões de pessoas. Ele também ressaltou a ausência de conflitos graves entre as nações participantes do fórum e o fato de que, em sua maioria, os governos foram democraticamente eleitos, o que proporciona uma base sólida para a cooperação e o diálogo construtivo.

Lula defende integração da América Latina no Panamá - Imagem do artigo original

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br

O presidente afirmou que a América Latina e o Caribe possuem uma singularidade ímpar, e que cabe aos seus povos e líderes aceitar que a integração mais viável é aquela fundamentada na pluralidade de opções. Segundo ele, um pragmatismo bem direcionado permitirá superar divergências ideológicas e estabelecer parcerias sólidas e benéficas, tanto dentro quanto fora da região. Lula concluiu que essa abordagem é a única “doutrina” que realmente convém aos interesses regionais.

Reiterando a impossibilidade de qualquer nação latino-americana resolver seus problemas isoladamente, Lula refletiu sobre os 525 anos de história da região. Ele apontou que, muitas vezes, a “colonização” se manifesta não pela interferência externa direta, mas pela formação cultural herdada. O presidente apelou por uma mudança de comportamento, visando à criação de um bloco forte e unido, capaz de erradicar a fome em todos os seus países membros.

Como convidado especial do evento, o presidente Lula foi o segundo a discursar, precedido apenas pelo presidente anfitrião, José Raúl Mulino. A expectativa era de que o líder brasileiro retornasse ao Brasil ainda no final do mesmo dia.

O Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe continuou suas atividades até o dia 30 de fevereiro, debatendo temas cruciais para o futuro econômico e social da região. A importância da cooperação latino-americana para o desenvolvimento sustentável tem sido amplamente discutida em diversas plataformas, incluindo relatórios e estudos da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL).

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A visão de Lula sobre a necessidade de uma integração da América Latina ressoa como um chamado urgente à união e ao fortalecimento mútuo em um cenário global complexo. Para aprofundar-se em questões geopolíticas e econômicas que moldam o futuro da região, convidamos você a explorar nossas análises aprofundadas sobre política nacional e internacional em nosso portal.

Ricardo Stuckert/PR

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