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Manejo Sustentável Café: Produtor de MG Aumenta 22% Produção

Economia

A implementação de manejo sustentável no cultivo de café trouxe benefícios econômicos significativos para a Fazenda Lobo, localizada em Três Corações, Minas Gerais. Guilherme Foresti, de 31 anos, administrador da propriedade, atesta que o investimento em práticas regenerativas resultou em um notável aumento de produtividade e maior resiliência para o negócio. Sua experiência destaca o potencial da agricultura sustentável para superar desafios e otimizar resultados no setor cafeeiro brasileiro.

A Fazenda Lobo, uma das propriedades que abastecem a Nespresso, registrou uma produção média de 37,15 sacas de café por hectare (sc/ha) no biênio 2024/2025. Esse volume representa um incremento de 22% em comparação com a média de 30,4 sc/ha alcançada no período anterior, 2022/2023. A evolução é ainda mais expressiva ao analisar os dados pré-implementação das medidas sustentáveis: no biênio 2019/2020, a produção foi de 26,85 sc/ha, um valor 38,3% inferior ao patamar atual.

Manejo Sustentável Café: Produtor de MG Aumenta 22% Produção

A decisão de Foresti de adotar práticas regenerativas, iniciada em 2022, foi impulsionada por um evento climático severo em 2021. Naquele ano, uma geada inesperada provocou a perda de 40% da produção da Fazenda Lobo, que havia sido recorde. Esse prejuízo comprometeu severamente a saúde financeira da propriedade em 2022 e 2023, visto que a recuperação de uma lavoura de café exige, no mínimo, dois anos para que a produção seja restabelecida.

Foi nesse contexto que o projeto de agrofloresta, que consiste no cultivo sombreado de café entre espécies florestais, começou a ser implementado. “Comecei a fazer o projeto da agrofloresta, que é o cultivo de café sombreado no meio de floresta após a geada. E somente hoje, em 2025, passei a colher os frutos: um café super especial que nasce em uma área com proteção de geada e diminuição da temperatura”, relatou Foresti. Essa iniciativa visou mitigar os efeitos de futuras intempéries climáticas e proteger a lavoura.

Práticas Regenerativas e Seus Benefícios

Na propriedade de 100 hectares, Foresti implementa uma série de técnicas de manejo sustentável. Embora a agrofloresta ocupe 5% da área total, outras estratégias são aplicadas no restante da fazenda. Entre elas, destaca-se o plantio de plantas de cobertura nas entrelinhas do café. Essas plantas contribuem para a regeneração do solo, otimizam a ciclagem de nutrientes e promovem a descompactação, funcionando como um sistema natural de irrigação ao manter a umidade e trazer nutrientes das camadas mais profundas para a superfície em aproximadamente 90 dias.

Adicionalmente, a Fazenda Lobo adota métodos para a conservação hídrica, como a lavagem do café com recirculação e reutilização da água, o que otimiza significativamente o uso dos recursos. O compromisso ambiental é reforçado por ações como a arborização em áreas de cultivo convencional, o reflorestamento de partes da fazenda e a proteção ativa de nascentes, demonstrando uma abordagem holística para a sustentabilidade.

Desafios e Resiliência Financeira

Foresti reconhece que a transição para a agrofloresta implica um custo inicial. Para plantar as árvores, é necessário destinar espaço que antes era ocupado por plantas de café, geralmente na proporção de uma linha de árvores a cada oito ou nove linhas de café. Essa alteração pode resultar em uma perda inicial de produtividade que varia entre 8% e 12%, dependendo do caso específico.

Apesar desse impacto inicial, o produtor defende veementemente o investimento, citando os múltiplos benefícios diários que a longo prazo fortaleceram a Fazenda Lobo. Um dos ganhos mais relevantes foi a diminuição da dependência de crédito, uma prática bastante comum no agronegócio. As áreas de cultivo de café, conhecidas como talhões, obtiveram um aumento significativo de resiliência.

“Como nosso foco é 100% café, após a geada tivemos que controlar rigorosamente os gastos, reduzir custos fixos e recorrer a linhas de crédito. Esse é um caminho comum entre os produtores e que explica a dependência financeira de quem está há muitos anos no setor, que compromete a sustentabilidade econômica dos negócios. Hoje, com uma produção bem acima da média do mercado, conseguimos superar essas dificuldades”, detalhou Foresti, sublinhando a importância da sustentabilidade para a independência financeira da fazenda.

O Crescimento da Agricultura Regenerativa e o Papel da Nespresso

Guilherme Foresti observa que o movimento em favor da sustentabilidade e da agricultura regenerativa ganhou força considerável nos últimos anos, em grande parte devido aos impactos evidentes das mudanças climáticas. Contudo, ainda há uma parcela de agricultores, inclusive entre os mais jovens, que não reconhece o valor dessas práticas. “Tem gente que acha que agricultura regenerativa é bobagem e não traz retorno e continua fazendo o manejo como o pai fazia há muito tempo”, comentou Foresti.

Ele se empenha em incentivar novas práticas a partir do sucesso de sua própria fazenda. “A minha fazenda está evoluindo ano após ano, subindo degraus cada vez mais altos – e isso inspira, especialmente amigos como eu, que têm a mesma idade e também são filhos de produtores. Claro que ainda há uma divisão: uns continuam resistentes, mas, por causa das mudanças climáticas, até esse grupo já está cedendo. Nem preciso mostrar números financeiros. Só falo o quanto produzimos, mesmo em meio às intempéries climáticas. E aí pergunto: Você ainda duvida das práticas?'”, relata.

Daniel Motyl, gerente executivo de Café Verde da Nespresso Brasil, complementa essa perspectiva: “Produtores como o Guilherme auxiliam a popularizar a preocupação com o impacto ambiental e sustentável, porque a nova geração abraça a inovação com muito mais frequência e realmente busca agir para fazer a diferença”. A adoção dessas técnicas regenerativas reflete uma tendência global de busca por maior sustentabilidade na agricultura, conforme dados e pesquisas de instituições como a Embrapa.

Programa AAA da Nespresso: Suporte e Rigor

A Fazenda Lobo é uma das 550 propriedades brasileiras que integram o Programa AAA de Qualidade Sustentável da Nespresso, uma iniciativa que abrange 140 mil fazendas em todo o mundo. A empresa oferece aos produtores participantes suporte técnico e financeiro, auxiliando na implementação de práticas que visam a preservação do solo, o aumento da biodiversidade e a melhoria da qualidade e rendimento do café. Esse compromisso alinha-se com a busca por cadeias de produção mais responsáveis.

A inclusão de novos produtores no programa é criteriosa. Ela acontece quando há disponibilidade de vagas, seja pela saída de participantes que não cumprem os requisitos, seja por convite a produtores indicados por distribuidores de café, alinhados aos objetivos do programa. É aplicado um checklist rigoroso que avalia tanto aspectos sociais, como o cumprimento de regulamentações, quanto ambientais. Na esfera ambiental, são coletados dados detalhados sobre práticas regenerativas, incluindo o uso de biológicos, plantas de cobertura e compostos, para estabelecer um ranking regenerativo. Somente produtores que elevam a média do grupo (cluster) são convidados, assegurando um alto padrão de sustentabilidade e qualidade.

A Nespresso e os produtores também realizam investimentos conjuntos para proteger o cultivo e aumentar a produtividade, ao mesmo tempo em que reduzem as emissões de carbono, auxiliando a empresa a atingir suas metas de sustentabilidade e manter a oferta de matéria-prima de alta qualidade. Cerca de 70% das emissões de carbono na produção de café provêm do uso de fertilizantes sintéticos. Para mitigar isso, a Nespresso oferece subsídios aos produtores para testarem novas práticas de fertilização, como o uso de um composto de palha de café com esterco, que pode compensar o investimento inicial em cerca de dois anos e ser mais econômico que os fertilizantes convencionais. Motyl informou que a Nespresso realizou um co-investimento de R$ 5 milhões junto com 130 produtores, totalizando R$ 10 milhões para fomentar essas práticas e alcançar a meta de redução de emissões.

Confira também: Investir em Imóveis na Região dos Lagos

A experiência de Guilherme Foresti na Fazenda Lobo é um exemplo claro de como a adoção de **manejo sustentável no cultivo de café** não é apenas uma escolha ambientalmente responsável, mas também uma estratégia eficaz para impulsionar a produtividade e a sustentabilidade econômica no longo prazo. O caso de Três Corações, em Minas Gerais, demonstra que é possível aliar alta produção de café a práticas que regeneram o solo e protegem o meio ambiente. Para aprofundar-se nos impactos econômicos do agronegócio, confira nossas últimas análises sobre o setor de economia.

Crédito da imagem: Divulgação