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Melhores Gestoras de Previdência do Ano Revelam Estratégias

Economia

O ano de 2024 marcou um período de destaque para as melhores gestoras de previdência no Brasil, com a renda fixa se consolidando como a principal via para retornos expressivos nos fundos de previdência aberta. As gestoras que adotaram uma administração dinâmica, focada em maximizar os resultados diários e criar diferenciais operacionais, alcançaram performances notáveis. Nesse cenário, Bradesco, Itaú e Brasilprev emergiram como líderes, conquistando as posições mais altas no renomado Guia de Previdência Valor/FGV, graças à rentabilidade superior oferecida aos seus clientes.

Um dos elementos cruciais para esse sucesso foi o desempenho robusto do crédito privado. Apesar de um ambiente desafiador, caracterizado por elevadas taxas de juros que impactaram diversas companhias e se refletiram na precificação das debêntures, as gestoras campeãs souberam navegar por esse complexo cenário. A habilidade em selecionar os ativos mais promissores e evitar papéis problemáticos foi um divisor de águas, evidenciando a importância de uma gestão altamente especializada.

Melhores Gestoras de Previdência do Ano Revelam Estratégias

Para Ana Rodela, Chief Investment Officer (CIO) da Bradesco Asset Management, a gestora líder do ranking, a chave para o êxito foi a adaptação contínua da carteira. “Migramos o perfil da nossa carteira, o que foi um diferencial quando falamos de renda fixa crédito privado. A seletividade começou a partir de maio, quando começamos a ver a reprecificação de várias debêntures. A grande diferença foi essa”, explicou Rodela. Ela ressaltou que, mesmo com o crescimento expressivo da indústria de crédito, que intensificou a busca por ativos de qualidade, a Bradesco se destacou pela participação ativa em “club deals” – operações exclusivas oferecidas apenas a um grupo restrito de investidores. Essa proximidade com os originadores de crédito foi fundamental em um contexto de alta demanda e baixa oferta. Para entender mais sobre este tipo de ativo, consulte o site da B3 sobre debêntures.

A gestão proativa da carteira da Bradesco também incluiu a análise diária de debêntures. O objetivo era identificar aquelas sem perspectiva de redução de spreads ou ganhos imediatos, substituindo-as por outras com maior potencial de valorização. Essa estratégia resultou em um aumento significativo do volume negociado no mercado secundário, atingindo a marca de R$ 40 bilhões. Na esfera das ações, a política de investimentos da Bradesco foi igualmente rigorosa, com a exclusão de papéis de empresas do setor de commodities.

Itaú Asset Management: Otimismo Calculado Contra o Pessimismo Geral

O Itaú, que conquistou a segunda posição geral no levantamento, demonstrou uma capacidade notável de gerar resultados positivos ao operar contra as convicções predominantes do mercado. Fernando Cavallete, especialista de portfólio da Itaú Asset Management, descreveu o cenário do fim de 2024 como “super estressado”, marcado por preocupações com o equilíbrio das contas públicas, a interrupção do ciclo de corte de juros pelo Banco Central, expectativas de inflação desancoradas e um forte estímulo fiscal governamental. “Havia um mal humor muito grande. O dólar subiu e os juros futuros também”, pontuou Cavallete. No entanto, a equipe do Itaú interpretou esse pessimismo como exagerado.

Acreditando que o ano em curso traria o cumprimento de metas fiscais e a manutenção de uma política monetária contracionista, o Itaú adotou uma postura otimista em relação à renda fixa brasileira no primeiro semestre, estratégia que se mostrou acertada. A aposta foi em juros nominais e na venda de inflação implícita, partindo da premissa de que os ativos estavam subvalorizados devido ao ceticismo do mercado em relação à credibilidade do Banco Central. Cavallete enfatizou: “O mercado estava muito cético em relação à credibilidade do Banco Central por questões políticas, e o Banco Central comprou essa credibilidade subindo os juros.” Essa visão levou a um aumento da exposição ao risco em renda fixa Brasil em alguns fundos globais do Itaú, que passou de 30% para 50% da carteira.

Brasilprev: Estrutura, Risco e Visão de Futuro para a Previdência

A Brasilprev, uma potência no setor com mais de R$ 400 bilhões em patrimônio e consistentemente entre as líderes em rentabilidade, fundamentou seu sucesso em um processo de investimento altamente estruturado e uma gestão de risco robusta, complementados por análises aprofundadas do cenário econômico e seus ciclos. Flávio Manzoni, superintendente de planejamento e controle de investimentos da Brasilprev, destacou: “Grande parte o sucesso foi o de ter um bom entendimento da transição de ciclo aliado à gestão de risco. Trabalhamos com risco um pouco menor que o da média, mas com agilidade para aumentarmos esse risco no momento certo.”

Melhores Gestoras de Previdência do Ano Revelam Estratégias - Imagem do artigo original

Imagem: valor.globo.com

A cautela que marcou o primeiro semestre de 2024 na Brasilprev deu lugar a uma busca mais ativa por risco na segunda metade do ano, principalmente nas taxas de juros, sempre adaptada às características de cada produto. Os gestores também diversificaram, investindo em bolsa no exterior, alongando a renda fixa e entrando em bolsa no Brasil. André Carvalho, superintendente de investimentos da Brasilprev, observou que a aversão ao risco prevalente durante o ano impulsionou o crescimento de estratégias de renda fixa de baixa volatilidade, com influxo de recursos provenientes de fundos de ações e multimercados.

Contudo, o panorama está em transformação. Parte da indústria já se antecipa a uma mudança de ciclo econômico, redirecionando portfólios para produtos com maior exposição ao risco. Carvalho conclui que o ano de 2026, embora desafiador e com aumento da volatilidade, ainda será um período favorável para a renda fixa. No entanto, ele aconselha os investidores a começarem a realocar seus portfólios em direção a produtos com mais risco e gestão ativa, preparando-se para um cenário que se afasta dos grandes ganhadores do ciclo anterior, como o CDI e o crédito privado.

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Em suma, as principais gestoras de fundos de previdência em 2024 demonstraram que a adaptabilidade, a análise aprofundada e uma gestão ativa foram cruciais para navegar em um mercado complexo e entregar retornos consistentes. Seja pela seletividade em crédito privado, pela audácia em contrariar o pessimismo ou pela estratégia de ajuste de risco em ciclos econômicos, a performance dessas líderes oferece valiosas lições sobre como otimizar investimentos em previdência. Continue explorando as tendências e análises do mercado financeiro em nossa editoria de Economia.

Foto: Rogerio Vieira/Valor

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