Nesta quarta-feira, 21 de outubro de 2026, a Organização das Nações Unidas (ONU) emitiu um alerta significativo sobre o El Niño, que pode atingir uma intensidade sem precedentes nas últimas quatro décadas. A diretora da agência meteorológica da ONU, Celeste Saulo, ressaltou a possibilidade de o fenômeno superar todos os padrões registrados, indicando um cenário climático desafiador para diversas regiões do planeta.
De acordo com as projeções apresentadas por Celeste Saulo, secretária-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), o fenômeno El Niño está associado a uma série de eventos climáticos extremos. Em algumas áreas, prevê-se a ocorrência de ondas de calor intensas, enquanto outras deverão enfrentar severas alterações nos regimes de chuva, resultando em secas prolongadas. Em contrapartida, há regiões que poderão ser castigadas por inundações devastadoras, evidenciando a complexidade e a abrangência dos impactos do El Niño.
ONU Alerta: El Niño Pode Ser o Mais Forte em 40 Anos
A preocupação com o El Niño se intensifica no contexto de um relatório mais amplo da ONU, divulgado na mesma data. Este documento aponta para um aquecimento global mais acentuado do que as estimativas anteriores, mesmo diante do cenário mais otimista. As temperaturas médias globais são projetadas para subir entre 1,7 e 1,8 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais até meados do século, um indicativo da urgência e da gravidade da crise climática atual.
O relatório sublinha que, apesar da expansão notável das energias renováveis e da implementação de políticas climáticas que têm contribuído para a redução das emissões em diversos países, a necessidade de cortes “urgentes e rigorosos” nas emissões de gases de efeito estufa permanece crucial. Sem essas ações decisivas, alcançar o cenário mais favorável para a contenção do aquecimento global se mostra cada vez mais improvável.
Em detalhes, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) indicou no seu relatório a imperatividade de uma diminuição substancial das emissões. Seria preciso uma redução de 18% em relação aos níveis de 2025 até o ano de 2030, seguida por 45% até 2035 e uma impressionante queda de 69% até 2040. Contudo, os planos nacionais de mitigação atualmente em vigor são insuficientes, prevendo reduções de apenas 5% a 8% até 2030 e de 11% a 15% até 2035, o que demonstra uma lacuna preocupante entre as metas e a realidade das ações globais.
As projeções do relatório são ainda mais sombrias para o longo prazo. Sob as políticas atuais, o aquecimento global é estimado em 2,8 graus Celsius até o final do século, em 2100. Caso os países cumpram integralmente seus compromissos climáticos existentes, a elevação seria de 2,6 graus Celsius. Ambas as estimativas representam um aumento em relação às projeções do ano anterior, refletindo não apenas a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, mas também revisões nas avaliações de emissões históricas.
Com a proximidade da COP31, a próxima rodada de negociações climáticas que ocorrerá na Turquia, o secretário-geral da ONU, António Guterres, fez um apelo veemente. Ele enfatizou que é “crucial não desistir” dos esforços para conter as emissões, que são a causa principal de desastres naturais cada vez mais frequentes e severos, como inundações e incêndios.
Guterres reiterou uma mensagem de resiliência e esperança. “Ultrapassar a meta não significa desistir. Ainda podemos manter esse aumento o menor e mais curto possível e fazer com que as temperaturas voltem a ficar abaixo de 1,5 grau até o final do século”, afirmou, reforçando a ideia de que, mesmo diante de um cenário desafiador, a ação contínua pode mitigar os piores impactos.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
O Acordo de Paris, estabelecido em 2015, estabeleceu como meta para os países signatários a tentativa de manter o aumento médio da temperatura global “bem abaixo de 2 graus Celsius”, com uma preferência clara por limitar esse aumento a 1,5 grau Celsius, reconhecendo os benefícios de um cenário menos impactante para o clima global.
Considerando que a limitação do aquecimento a 1,5 grau Celsius sem ultrapassagem ou com uma ultrapassagem mínima não é mais vista como viável, o Pnuma apresentou um novo cenário. Este cenário de “ultrapassagem mais baixa possível” oferece aproximadamente 50% de probabilidade de que as temperaturas possam, de fato, retornar a 1,5 grau Celsius ou menos até o ano de 2100, embora dependa de tecnologias e estratégias de remoção de carbono em larga escala.
O relatório da ONU também destacou que os planos climáticos apresentados desde o ano anterior não resultaram em alterações significativas nas projeções de aquecimento futuro. A possibilidade de retornar à meta de 1,5 grau Celsius, conforme salientado, dependeria de uma remoção de carbono em vasta escala, cuja viabilidade e eficácia ainda são incertas e representam um grande desafio tecnológico e logístico.
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A gravidade das projeções sobre o El Niño e o aquecimento global, conforme detalhado pelos especialistas da ONU e da OMM, reforça a urgência de ações climáticas globais coordenadas e ambiciosas. Para aprofundar a compreensão sobre os desafios climáticos e suas ramificações globais, explore outras Análises em nosso portal e mantenha-se informado sobre os desdobramentos dessa questão vital para o futuro do planeta.
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