Paquistão: 22 Mortos em Confrontos Perto de Consulado EUA

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A tensão e a violência escalaram significativamente no Paquistão após a notícia da morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei. Confrontos no Paquistão resultaram em ao menos 22 mortes, quando manifestantes entraram em choque direto com forças policiais em frente ao consulado dos Estados Unidos, na cidade de Karachi. Paralelamente, um edifício pertencente à Organização das Nações Unidas (ONU) foi alvo de incêndio no mesmo país, marcando um período de instabilidade regional.

A morte de Khamenei, que permaneceu no poder por 36 anos, representa um marco histórico para o regime teocrático iraniano, inaugurando uma fase de profundas transformações e incertezas. As implicações se estendem a diversos países com os quais o Irã mantém laços políticos robustos. Enquanto Teerã e outras cidades iranianas testemunharam manifestações tanto de apoio ao regime quanto clamores pelo seu fim, nações como Paquistão, Iraque e Índia registraram protestos veementes condenando ações recentes.

Paquistão: 22 Mortos em Confrontos Perto de Consulado EUA

A escalada dos eventos no Paquistão foi notória, com as 22 mortes confirmadas pela Associated Press e pelo The New York Times. A polícia paquistanesa empregou gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes que conseguiram romper o muro externo do consulado norte-americano em Karachi. Os protestos, que eclodiram imediatamente após a divulgação da morte de Khamenei, foram acompanhados por gritos de “Morte a Israel, morte à América” proferidos pelos presentes. Este cenário de intensos confrontos no Paquistão reflete a complexidade das relações geopolíticas e as paixões políticas que a morte do líder iraniano desencadeou.

Além da capital regional, a violência se estendeu a outras localidades. Relatos da Associated Press indicam que doze pessoas perderam a vida e mais de oitenta ficaram feridas durante um ataque a escritórios da ONU. Manifestantes, na região norte de Gilgit-Baltistan, confrontaram a polícia após invadirem as instalações do Grupo de Observadores Militares da ONU e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Outro incidente grave foi o incêndio provocado em um prédio de escritórios das Nações Unidas na cidade de Skardu, localizada no norte do país, sinalizando a amplitude dos distúrbios civis que varreram o território paquistanês.

Ainda sobre o número de vítimas, Allama Nasser Abbas Jafari, uma figura proeminente de um partido político xiita no Paquistão, afirmou, segundo a agência estatal iraniana Irna News, que o total de mortos nos protestos atingiu 34 pessoas. Conforme o parlamentar, dezoito dessas mortes e quarenta feridos seriam resultado de disparos efetuados por fuzileiros navais americanos de dentro do consulado-geral em Karachi. Embora as autoridades tenham reportado o afastamento dos manifestantes do perímetro do consulado dos EUA, imagens divulgadas pela Reuters mostraram veículos em chamas nas proximidades do portão principal da representação diplomática, ilustrando a severidade dos eventos.

Os protestos não se limitaram ao Paquistão. Na capital iraquiana, Bagdá, onde se situa a Embaixada dos EUA, manifestantes se reuniram para expressar repúdio aos ataques coordenados dos Estados Unidos e de Israel. Essas manifestações transnacionais começaram a ser registradas no sábado, 28 de fevereiro de 2026, quando a mídia iraniana reportou as primeiras mortes de civis em uma escola no sul do Irã, desencadeando uma onda de indignação e resistência em várias partes do Oriente Médio e Sul da Ásia.

Internamente, no Irã, a capital Teerã e outras cidades vivenciaram momentos de grande comoção. Notícias do jornal The New York Times indicaram que os serviços de telefonia celular estavam interrompidos em todo o território iraniano, dificultando a coleta e o compartilhamento de informações sobre a percepção pública dos protestos. Contudo, relatos de moradores de Teerã descrevem uma cidade dividida entre luto oficial e celebração velada. Alguns gritaram e dançaram, enquanto motoristas buzinavam em seus veículos e fogos de artifício iluminavam o céu. Houve até menções a músicas de dança persa ecoando pelas ruas, e de janelas e varandas, vozes entoavam “liberdade, liberdade”.

Uma moradora de Teerã, entrevistada pelo The New York Times, compartilhou sua experiência de celebração ao tomar conhecimento da morte de Khamenei. “Corremos para fora e gritamos com toda a força, rimos e dançamos com nossos vizinhos”, relatou. Ela havia participado de um protesto antigovernamental um mês antes, onde foi atingida por bombas e gás lacrimogêneo pela polícia, destacando o ambiente de repressão e a forte oposição latente ao regime.

A morte do aiatolá Ali Khamenei foi oficialmente comunicada pela agência Irna News com a declaração: “O Líder Supremo da Revolução Islâmica do Irã foi martirizado. A Deus pertencemos e a Ele retornaremos”. A notícia também foi veiculada pela televisão estatal, que apresentou um anúncio emocionado. A Reuters informou que Khamenei faleceu em seu escritório, cumprindo suas funções no momento da morte.

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Imagem: noticias.uol.com.br

O governo iraniano, em resposta, decretou 40 dias de luto oficial e um feriado nacional de sete dias. Em nota oficial, Khamenei foi exaltado como um “modelo de fé, jihad e resistência”, e sua morte atribuída a um “brutal ataque perpetrado pelo governo criminoso dos Estados Unidos e pelo regime sionista maligno [Israel]”. O comunicado ainda enfatizou que o líder supremo marcou um capítulo singular na história do Islã, guiando a nação contra a descrença, tirania e arrogância, e que sua morte “jamais ficará impune”. A retaliação foi prometida: “Desta vez também, com toda a nossa força e determinação, com o apoio da nação islâmica e dos povos livres do mundo, faremos com que os perpetradores e comandantes deste grande crime se arrependam.”

A confirmação oficial da morte pela mídia estatal iraniana ocorreu horas depois que figuras internacionais como Donald Trump e Benjamin Netanyahu já haviam feito pronunciamentos. Trump anunciou a morte de Khamenei, e Netanyahu, sem confirmar explicitamente, mencionou “muitos sinais” de que o líder “não estava mais entre nós”. Contudo, o chanceler do Irã, Esmail Baghaei, chegou a negar a morte do aiatolá à ABC News, afirmando que o líder supremo estava “são e salvo”.

Adicionalmente, o site Al Jazeera, citando a agência de notícias Fars, alinhada à Guarda Revolucionária Islâmica, publicou que a filha, o genro e o neto de Ali Khamenei também teriam sido vítimas dos ataques conjuntos de EUA e Israel, informação que Teerã ainda não comentou oficialmente.

Escalada da Tensão: Ataques Coordenados e Retaliação no Oriente Médio

A madrugada de sábado (28) foi marcada por um ataque coordenado dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. Em resposta, Teerã declarou ter retaliado, lançando mísseis contra bases militares americanas no Oriente Médio. Donald Trump justificou a ação americana como uma medida para “defender o povo americano”. Outras autoridades iranianas também foram reportadas como vítimas, incluindo o comandante da Guarda Revolucionária do Irã, general Mohammad Pakpour, e o ministro da Defesa iraniano, Amir Nasirzadeh, segundo a Reuters e autoridades israelenses. Apesar das declarações, o porta-voz Araghchi mencionou a morte de dois comandantes, mas ressaltou que funcionários de alto escalão sobreviveram.

Explosões foram reportadas em outras quatro cidades iranianas: Isfahan, Qom, Karaj e Kermanshah. O tráfego aéreo no país foi suspenso, e jornalistas locais reportaram falhas severas nos serviços de telefonia e internet, indicando uma situação de emergência generalizada. Em retaliação, forças iranianas dispararam mísseis contra Israel, que prontamente fechou seu espaço aéreo e declarou estado de emergência. Escolas e edifícios públicos em Jerusalém permaneceriam fechados até a tarde de segunda-feira (2) como medida de precaução. A Força Aérea de Israel confirmou a interceptação de mísseis iranianos, agindo contra as ameaças. Autoridades americanas confirmaram que o Irã retaliou instalações militares dos EUA no Qatar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Jordânia e no norte do Iraque.

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Em suma, a morte de Ali Khamenei desencadeou uma série de eventos dramáticos no Paquistão e no Oriente Médio, com graves confrontos no Paquistão e ataques a instalações diplomáticas e da ONU, resultando em dezenas de mortes e um aumento significativo da tensão regional. A reação global e as retaliações mútuas entre Irã, EUA e Israel sublinham a fragilidade da paz na região. Para continuar informado sobre os impactos geopolíticos e as últimas notícias, explore mais conteúdos em nossa editoria de Política.

Crédito da imagem: Atta Kenare/AFP

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