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PIB 3º Tri: Economistas Preveem “Pouso Suave” na Atividade

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O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, na quinta-feira, 4 de novembro, os dados sobre a atividade econômica do país no terceiro trimestre. As expectativas do mercado para o PIB 3º tri apontam para um crescimento mais moderado. A projeção é de uma expansão de aproximadamente 0,2% em comparação com o segundo trimestre e de 1,7% na análise em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse cenário é visto por especialistas como um “pouso suave” para a economia brasileira no segundo semestre.

Mesmo diante de um ambiente de juros elevados, que tradicionalmente impõem pressão sobre o ritmo de crescimento econômico, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil tem demonstrado resiliência, superando as projeções de diversos economistas. No segundo trimestre, por exemplo, a economia avançou 0,4%, um desempenho acima da expectativa de 0,3% apurada pela pesquisa Reuters. Contudo, essa expansão representou uma desaceleração em relação ao primeiro trimestre, quando o PIB registrou um crescimento de 1,3% (após revisão), impulsionado principalmente pelo setor do agronegócio.

PIB 3º Tri: Economistas Preveem “Pouso Suave” na Atividade

Para os três meses encerrados em setembro, o cenário se mostra diferente. A economista Ana Paula Vescovi, em relatório macro do Santander, reforça a visão de um “pouso suave” para a economia. No entanto, análises como a de Adriana Dupita, vice-economista-chefe para mercados emergentes da Bloomberg Economics, apontam para uma perspectiva mais cautelosa. Dupita sugere que “as altas taxas de juros e as elevadas tarifas dos EUA sobre as exportações brasileiras provavelmente pesaram sobre a atividade”, chegando a projetar uma contração de 0,2% no PIB do 3º tri.

“Pouso Suave”: O Que Significa?

No jargão econômico, o conceito de “pouso suave” descreve uma situação em que a política monetária, por meio do aumento das taxas de juros, consegue desacelerar o crescimento econômico de forma controlada, evitando uma queda brusca ou uma recessão. A taxa Selic, que baliza os juros básicos no Brasil, mantém-se em patamar de dois dígitos desde o início de 2022. Desde junho deste ano, ela está fixada em 15% ao ano, o patamar mais elevado desde 2006. Essa medida é uma estratégia do Banco Central para conter a inflação e estabilizar os preços, embora encareça o custo de tomar dinheiro e, consequentemente, possa frear a atividade econômica.

Juros Elevados e Impacto no Crédito

Os efeitos das altas taxas de juros já começam a ser percebidos além dos números do PIB. Economistas ressaltam que o crédito tem se tornado mais seletivo. Marco Ribeiro Noernberg, sócio e estrategista de renda variável da Manchester Investimentos, observa que, embora o primeiro semestre tenha registrado um mercado de trabalho aquecido e taxas de desemprego baixas, as taxas de juros elevadíssimas ao longo do ano tornaram o crédito cada vez mais restrito e caro para o consumidor. Ele destaca, ainda, alguns momentos de estresse no mercado de crédito privado, o que tem levado as instituições financeiras a serem mais criteriosas nas concessões. “A taxa está cara para o consumidor, então isso, de certa forma, tira um pouco o ímpeto de a gente continuar tendo um crescimento mais forte”, pondera Noernberg. Para um aprofundamento sobre a política monetária e a atuação do Banco Central, visite o site oficial do Banco Central do Brasil.

Relatórios setoriais corroboram essa tendência. O Banco Daycoval, em seu informe semanal de 1º de novembro, apontou para um arrefecimento nas concessões de crédito tanto para empresas quanto para pessoas físicas, sublinhando o impacto dos juros elevados e da maior seletividade bancária. A instituição projeta estabilidade na comparação trimestral, com uma desaceleração na variação anual, atribuindo-a principalmente à perda de fôlego no consumo das famílias e na agropecuária, setores que impulsionaram a atividade no primeiro semestre.

Atenção ao Agronegócio e ao Consumo

A desaceleração do agronegócio representa outro ponto de atenção levantado pelos especialistas. Embora as projeções para as safras do terceiro trimestre (como café, algodão, cana-de-açúcar e laranja) permaneçam favoráveis, a taxa de crescimento em comparação com o ano anterior é significativamente menor do que a observada nas safras do segundo trimestre. Daniel Lavarda, head de Research no Brasil do HSBC, explica que “o ajuste sazonal leva a uma queda no PIB agrícola sequencial entre o terceiro e o segundo trimestre, o que explica a maior parte da desaceleração projetada para o PIB geral”. Essa diminuição na força do agronegócio, somada à menor abertura de vagas e à variação da taxa de ocupação no mercado de trabalho, tende a impactar negativamente o consumo geral na economia.

Serviços em Destaque para o Futuro

Olhando para os diferentes setores da economia, a avaliação predominante é que o setor de serviços deve continuar sendo o principal motor do crescimento. Adriana Ricci, fundadora da SHS Investimentos, projeta que “em 2025, quem ainda carrega o PIB é o setor de serviços, apoiado no consumo das famílias”. Já a indústria, embora mostre sinais de recuperação, deve avançar em um ritmo mais contido. O cenário para o PIB 3º tri, portanto, sugere uma transição para um crescimento mais distribuído, porém com desafios persistentes relacionados ao custo do crédito e à moderação em setores que foram pilares de expansão anteriormente.

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Em suma, o PIB do 3º tri do Brasil desenha um quadro de ajuste e moderação, com o debate sobre o “pouso suave” da economia ganhando destaque em meio aos desafios impostos pelos juros elevados e a dinâmica de setores cruciais como o agronegócio e o consumo. Para continuar acompanhando as análises e desdobramentos da economia brasileira, explore mais artigos em nossa editoria de Economia.

Crédito da imagem: Agência Brasil

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