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PL Aposta em Boneco e IA para Campanha sem Bolsonaro

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Com a ausência do ex-presidente Jair Bolsonaro, o Partido Liberal (PL) começa a traçar estratégias inovadoras para as próximas disputas eleitorais. O planejamento da PL Bolsonaro campanha IA e com figuras de papelão visa contornar o cenário imposto pela prisão do ex-mandatário, buscando manter sua influência junto aos eleitores e candidatos da legenda nos próximos anos. Essas abordagens refletem a busca por soluções criativas em um contexto político desafiador.

As propostas em discussão entre dirigentes e membros do PL abrangem um espectro variado de ações. Entre elas, destaca-se a utilização de réplicas de papelão de Bolsonaro em eventos partidários, uma tática já observada em ocasiões anteriores. Além disso, uma ideia mais tecnológica e audaciosa é a sugestão de empregar inteligência artificial (IA) para produzir conteúdos nos quais o ex-presidente anuncia seu apoio a determinados postulantes do partido, garantindo a percepção de seu endosso mesmo à distância.

PL Aposta em Boneco e IA para Campanha sem Bolsonaro

A sugestão de valer-se da inteligência artificial para a criação de materiais de campanha chegou à mesa do presidente do PL, Valdemar Costa Neto. Contudo, essa estratégia não encontra unanimidade dentro da legenda. Uma parte significativa dos integrantes manifesta receios quanto ao uso da ferramenta. A principal preocupação reside na possibilidade de que candidatos que não contam com o apoio explícito de Bolsonaro possam recorrer à mesma tecnologia, gerando desinformação e buscando ganhos eleitorais indevidos. Há também uma preocupação latente de que o uso de inteligência artificial em peças de campanha possa expor os candidatos a críticas e ataques de adversários. Mesmo que os materiais indiquem claramente terem sido gerados por IA, o temor é que sejam classificados como enganosos, impactando negativamente a imagem e a credibilidade dos envolvidos na disputa.

No que tange aos aspectos legais e éticos, o professor de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e pesquisador na área, Juliano Maranhão, esclarece que a utilização de inteligência artificial em campanhas é, a princípio, regular. A condição primordial, conforme determina o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), é que o conteúdo seja devidamente assinalado como produzido por IA na própria publicação. Maranhão enfatiza que a ferramenta não poderia ser empregada de forma a induzir o eleitor a crer que o ex-presidente está em liberdade, o que configuraria desinformação. O conteúdo gerado por IA deve ser transparente, sem criar percepções equivocadas sobre a situação de Bolsonaro. Para mais informações sobre as regras eleitorais para uso de tecnologia, é possível consultar o site oficial do Tribunal Superior Eleitoral.

No cenário em que candidatos não autorizados fizessem uso da imagem do ex-presidente via inteligência artificial para simular apoio, Maranhão aponta que o Partido Liberal teria respaldo legal para iniciar uma ação judicial. O objetivo seria a remoção de tais conteúdos das redes sociais, visando combater a desinformação e proteger a integridade da imagem e do posicionamento de Jair Bolsonaro.

Ainda que as discussões sobre o uso de IA estejam em curso, o grupo político de Bolsonaro já tem utilizado montagens com a imagem do ex-presidente para expressar apoio e proximidade após sua prisão. Um exemplo notável é o vice-prefeito de São Paulo, coronel Mello Araújo (PL), que integra a chapa liderada pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) por indicação do próprio Bolsonaro. Mello Araújo afirmou ter produzido e veiculado as montagens por iniciativa própria, como uma forma de endosso ao ex-presidente. Em grupos de WhatsApp frequentados por apoiadores, deputados bolsonaristas do estado de São Paulo receberam inclusive links para ferramentas que facilitam a inserção da imagem de Bolsonaro em fotos pessoais, demonstrando a disseminação dessas táticas.

Em uma frente paralela, desde a prisão de Jair Bolsonaro no início de agosto, a presença de banners e figuras de papelão do ex-presidente tem se multiplicado em eventos do PL. Um exemplo marcante ocorreu na vigília organizada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em 22 de agosto. Na ocasião, o senador discursou e participou de orações ao lado de uma imagem de papelão em tamanho real de seu pai, simbolizando a presença do ex-presidente. A organização deste evento, inclusive, foi um dos fatores que precederam o pedido de prisão preventiva de Bolsonaro, que ocorreu horas antes. Desde então, o ex-presidente está detido na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília, local determinado pelo ministro Alexandre de Moraes para o cumprimento de sua pena relacionada à suposta trama golpista.

A avaliação de deputados do PL é que os candidatos mais afetados pela ausência de Bolsonaro serão aqueles que não possuem uma base eleitoral sólida em seus estados, sendo mais dependentes da presença em redes sociais e do voto ideológico. A influência do ex-presidente em pleitos anteriores é inegável; apenas no primeiro semestre de 2024, ano de eleições municipais, Bolsonaro percorreu mais de 20 cidades, com foco nos principais colégios eleitorais do país, como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, evidenciando seu papel crucial como cabo eleitoral.

PL Aposta em Boneco e IA para Campanha sem Bolsonaro - Imagem do artigo original

Imagem: Bolsonaro nas capitais no via www1.folha.uol.com.br

Em tese, figuras de grande projeção dentro do bolsonarismo, como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL), poderiam preencher o vazio deixado pelo ex-presidente nas eleições de 2026. No pleito anterior, ambos já assumiram, em parte, a função de cabo eleitoral, viajando pelo Brasil e gravando conteúdos de apoio a outros candidatos. Contudo, Michelle e Nikolas também estarão engajados em suas próprias campanhas no próximo ano – ele buscará a reeleição, e ela é cotada para disputar uma vaga no Senado pelo Distrito Federal. Essa dedicação às suas próprias candidaturas inevitavelmente limitará o tempo disponível para apoiar correligionários em outras frentes. A expectativa é que, no primeiro turno, concentrem seus esforços em seus respectivos colégios eleitorais. No segundo turno, no entanto, poderiam assumir um papel de maior destaque, especialmente nas campanhas para governadores e para a Presidência da República.

Desde o início do ano, aliados de Bolsonaro já expressavam preocupação de que uma eventual prisão dificultaria as campanhas eleitorais para todos os cargos ligados à direita. Essa prisão, no escopo da narrativa de que o ex-presidente é alvo de perseguição política, é frequentemente citada como uma manobra para prejudicar a eleição de candidatos bolsonaristas. Essa justificativa é também utilizada pelo Centrão para pressionar por um anúncio, ainda em 2025, de um sucessor que herde o capital político de Bolsonaro para o Palácio do Planalto. Líderes do Centrão desejam iniciar uma campanha mais focada e direcionada com um novo nome.

Em outra análise, a proximidade com Bolsonaro pode se reverter em aumento da rejeição para alguns candidatos. De acordo com dados internos do partido, Flávio Bolsonaro, por exemplo, carregaria um índice de rejeição maior do que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), no cenário de uma eventual candidatura presidencial. A avaliação é que Tarcísio, embora indicado por Bolsonaro, é percebido pelo eleitorado como uma espécie de evolução do bolsonarismo. Caso sua indicação para a presidência se concretize, ele dispõe de farto material histórico ao lado do ex-presidente para explorar em sua campanha, utilizando essa associação de forma estratégica e, talvez, menos polarizadora.

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As estratégias do PL para a campanha sem Bolsonaro, que incluem desde a figura física de bonecos até o uso da inteligência artificial, demonstram a adaptabilidade e os desafios enfrentados pelo partido. Manter a relevância do ex-presidente e gerenciar as implicações legais e políticas do uso de novas tecnologias será crucial para o desempenho do partido nos próximos pleitos. Para acompanhar os futuros desdobramentos na política nacional e entender como essas táticas se desdobrarão, continue acompanhando nossa editoria.

Crédito da Imagem: Ranier Bragon/Folhapress

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