A cobertura de vacinação contra a poliomielite no Rio de Janeiro permanece abaixo da meta estabelecida pelo Programa Nacional de Imunização (PNI) desde o ano de 2016, uma situação que acende um alerta sobre o risco de retorno da paralisia infantil. A meta de 95% de crianças vacinadas não tem sido alcançada, expondo a população fluminense a uma doença que foi erradicada no estado há décadas.
Uma geração inteira, que hoje tem aproximadamente 40 anos de idade, cresceu sem vivenciar os impactos devastadores da poliomielite. Essa ausência de memória coletiva sobre a gravidade da doença pode estar contribuindo para a baixa adesão às campanhas de vacinação, colocando em xeque os avanços obtidos no combate à paralisia infantil. A circulação do vírus em outros países reforça a necessidade de manter altas coberturas vacinais para proteger a população brasileira.
Poliomielite: Cobertura Vacinal no Rio Abaixo da Meta desde 2016
Diante da persistente queda nos índices, o Dia Mundial de Combate à Poliomielite, celebrado na última sexta-feira (24), ganhou um significado ainda mais relevante para a população do Rio de Janeiro. A data serve como um chamado à conscientização sobre os perigos da não vacinação. O último caso da doença registrado no estado remonta a 1987, e a baixa imunização pode reverter essa realidade de sucesso.
Em virtude dessa preocupação crescente, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) fez um apelo urgente aos cidadãos fluminenses. A secretaria convoca os pais e responsáveis a aproveitarem a Campanha Nacional de Multivacinação, que se estende até o dia 31 deste mês, para garantir que as crianças recebam o imunizante contra a poliomielite e outras doenças. A campanha representa uma janela de oportunidade crucial para reverter os índices insatisfatórios.
A secretária de Estado de Saúde, Claudia Mello, enfatizou a importância histórica da vacina contra a poliomielite, que ficou mundialmente conhecida pela figura do Zé Gotinha, um personagem que se tornou um símbolo da luta contra a doença no Brasil e no mundo. “Com o apoio dessa figura simpática e representativa para o SUS, conseguimos vencer a pólio, mas precisamos manter as altas coberturas vacinais, evitando o retorno dessa doença que é grave”, declarou Mello.
Apesar de os índices ainda estarem distantes dos 95% necessários para uma proteção coletiva eficaz, Claudia Mello apontou um aspecto positivo: “a boa notícia é que temos ampliado os índices nos últimos anos”, acrescentou a secretária. Essa leve melhora, contudo, não dispensa a necessidade de um esforço contínuo e massivo para atingir e superar a meta estabelecida pelo PNI, garantindo a segurança de todas as crianças.
Além da vacina contra a poliomielite, a secretária informou que a Campanha Nacional de Multivacinação oferece todas as vacinas previstas no calendário nacional. Um dos principais focos da iniciativa é o resgate de crianças e adolescentes que estão com doses atrasadas, buscando atualizar o esquema vacinal completo e proteger contra diversas enfermidades preveníveis. A campanha é uma chance de ouro para regularizar a situação vacinal dos jovens.
Especificamente para a poliomielite, o plano da SES-RJ é completar os esquemas vacinais de menores de 5 anos de idade com a vacina injetável contra a poliomielite (VIP). Em 2024, a VIP substituiu a vacina oral (VOP) para as doses do esquema primário, seguindo as diretrizes mais recentes de imunização. Essa mudança visa aprimorar a segurança e a eficácia do programa de erradicação da doença.
Keli Magno, gerente de Imunização da SES-RJ, reforçou o empenho da equipe. “Temos trabalhado para ampliar a cobertura vacinal, não apenas contra a poliomielite, mas também contra outras doenças. Além da campanha de multivacinação, trabalhamos apoiando os municípios ao longo de todo o ano”, afirmou Magno. Ela ressaltou que, embora o esforço venha trazendo resultados positivos, a colaboração da sociedade é fundamental para o sucesso completo.
A vacina contra a poliomielite segue um esquema específico de quatro doses, crucial para garantir a proteção adequada das crianças. As três primeiras doses são administradas aos 2, 4 e 6 meses de vida, respectivamente. Uma dose de reforço é então aplicada aos 15 meses de idade. É imperativo seguir este cronograma para assegurar a imunidade duradoura contra o vírus da paralisia infantil.
A coordenadora de Vigilância Epidemiológica da SES-RJ, Cristina Giordano, fez um alerta veemente à população sobre a necessidade inadiável de manter a vacinação em dia. “É importante estar vacinado e vigilante para evitar que a doença volte, pelo fato de ainda existir a circulação do vírus em outros países”, explicou Giordano. Para informações adicionais sobre os riscos e a prevenção da poliomielite, é possível consultar fontes oficiais como o Ministério da Saúde.
Uma pessoa não vacinada que viaja ao exterior e tem contato com o vírus abre uma brecha perigosa para a infecção, correndo o risco de contrair a doença e, consequentemente, se tornar uma fonte de infecção para novos casos aqui no Brasil. A vacinação é reconhecida como a única e mais eficaz forma de prevenção contra a poliomielite, sublinhando a responsabilidade coletiva na manutenção da saúde pública.
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A situação da imunização contra a poliomielite no Rio de Janeiro exige atenção contínua e a mobilização de todos. Manter o calendário de vacinação em dia é um ato de cuidado individual e coletivo que protege nossas crianças e garante a erradicação de doenças graves. Para mais notícias e análises sobre saúde e questões urbanas, continue acompanhando nossa editoria de Cidades.
Crédito da Imagem: Tomaz Silva/Agência Brasil






