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Presidente Trasmontano é Acusado de Graves Crimes Sexuais

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Fernando José Moredo, presidente do grupo Trasmontano Saúde, um dos nomes mais reconhecidos no setor de saúde suplementar brasileiro, está no centro de uma série de sérias acusações que descrevem crimes sexuais contra funcionárias. As denúncias, que emergiram no final de maio, levaram a uma reviravolta jurídica significativa nesta quinta-feira (20), quando a Justiça de São Paulo optou por revogar uma decisão anterior que lhe garantia a permanência à frente da organização, destacando a gravidade das alegações.

Com 85 anos de idade, Moredo, que comandava a Trasmontano há três décadas, viu sua posição ser questionada após o surgimento de, no mínimo, quatro supostas vítimas que apresentaram relatos detalhados. A repercussão dessas denúncias foi imediata e resultou na formação de uma comissão interna dentro do próprio grupo, que, após apurações iniciais, determinou o afastamento do executivo do comando.

Presidente Trasmontano é Acusado de Graves Crimes Sexuais

A escalada do caso ganhou contornos mais complexos ao longo da semana. Na segunda-feira (17), funcionários impediram Fernando José Moredo de acessar seu escritório no Hospital Igesp, uma das unidades do grupo. Contudo, uma decisão judicial de terça-feira (18) havia restaurado temporariamente sua capacidade de exercer as funções, aguardando a conclusão do processo. Essa autorização foi, então, derrubada na quinta-feira (20) após a Justiça receber informações que indicavam que o empresário “teria praticado abordagens intimidatórias a colaboradores, ameaçado rescindir contratos de denunciantes e articulado nomeações”, fatores que contribuíram para a nova deliberação judicial.

A Natureza das Acusações e Relatos de Funcionárias

As acusações que recaem sobre o presidente do grupo Trasmontano Saúde não são isoladas e abrangem um período extenso, conforme os relatos. Iniciadas em maio deste ano, as denúncias provêm de diferentes níveis hierárquicos, incluindo gerentes, assessoras e analistas, com, pelo menos, quatro depoimentos formalmente gravados pela comissão interna instituída para investigar o caso. Além disso, novas denúncias e uma notícia-crime foram encaminhadas diretamente ao Ministério Público, ampliando o escopo da investigação.

Os depoimentos descrevem um padrão de comportamento que incluía comentários de cunho sexual, tentativas de toques físicos não solicitados e perguntas intrusivas sobre a vida íntima e conjugal das funcionárias. Alguns relatos, ainda mais graves, apontam para a presença de conotações racistas nos assédios. Segundo as testemunhas, tais episódios teriam se prolongado por anos, evidenciando uma prática contínua de abuso.

Uma das testemunhas, em particular, narrou que o assédio se estendeu por quase 25 anos, período durante o qual as mulheres na empresa teriam desenvolvido estratégias de autoproteção. Entre as táticas adotadas, destacam-se a interrupção sistemática de reuniões individuais de Moredo com funcionárias e a prevenção de que jovens aprendizes ficassem a sós com ele. A gravidade da situação é sublinhada ainda mais pelo fato de o presidente do grupo ter supostamente apelidado um grupo de colaboradoras como “as virgenzinhas” ou “minhas virgens lindas”, termo que reforça a natureza predatória das alegações.

Adicionalmente, algumas das supostas vítimas revelaram ter reportado os incidentes de assédio a seus superiores diretos, mas foram, em algumas ocasiões, desestimuladas a prosseguir com as denúncias formais, o que levanta questões sobre a cultura organizacional e o ambiente de trabalho dentro da Trasmontano Saúde.

A Linha de Defesa de Fernando José Moredo

Diante da avalanche de acusações, a defesa de Fernando José Moredo adotou uma postura de contestação veemente. Os advogados do executivo afirmam que ele seria vítima de um complô elaborado, supostamente orquestrado pela primeira denunciante. Segundo essa versão, a funcionária teria deliberadamente “arregimentado” outras colaboradoras para fazer declarações falsas durante a apuração interna da empresa, buscando, assim, minar a imagem e a posição de Moredo.

Em resposta a essas alegações, Moredo, por intermédio de seus representantes legais, moveu uma ação contra a primeira denunciante na Polícia Civil, imputando-lhe o crime de denunciação caluniosa. O advogado Miguel Silva, em declaração na quarta-feira (19), reforçou essa tese, sugerindo que as denúncias são “direcionadas para afastar o sr. Fernando do cargo de presidente” e configuram uma “vingança” após ele ter apontado o que considerava “procedimentos de incompetência dela.”

Presidente Trasmontano é Acusado de Graves Crimes Sexuais - Imagem do artigo original

Imagem: www1.folha.uol.com.br

A defesa de Moredo reiterou a ausência de provas concretas que sustentem as acusações de crimes sexuais. Os advogados também alegam que não tiveram acesso integral aos relatos e documentos relacionados ao caso, o que, para eles, comprometeria a lisura do processo. O advogado Miguel Silva afirmou, na quinta-feira (20), que irá recorrer da decisão judicial que retirou a garantia de permanência de Moredo no cargo, classificando-a como uma “suspensão parcial das atividades” e expressando confiança na contestação em tribunal. Ele também afirmou não ter conhecimento de qualquer procedimento criminal contra seu cliente.

Miguel Machado, outro advogado responsável pela defesa na esfera cível, declarou que o procedimento administrativo interno foi conduzido de maneira ilegal, o que teria sido o motivo da revogação do afastamento de Moredo e da suspensão da apuração pela Justiça. “No processo administrativo interno não há provas que tenham chegado ao nosso conhecimento dessa denúncia. Meu cliente é inocente. Não tivemos acesso a nenhum documento ou gravação daquilo que ele foi acusado”, assegurou o advogado Machado, reforçando a tese da inocência e da falta de transparência no processo investigatório.

O Legado e a Expansão do Grupo Trasmontano Saúde

O Grupo Trasmontano Saúde, uma instituição com raízes históricas profundas, foi fundado em 1932 com a missão inicial de prestar assistência médica a imigrantes portugueses na cidade de São Paulo. Ao longo das décadas, a organização expandiu-se consideravelmente, consolidando-se como um dos principais players no setor de saúde suplementar.

Atualmente, o grupo controla uma rede substancial que inclui as unidades do Hospital Igesp, composta por dois hospitais e cinco unidades de pronto atendimento, além de atuar ativamente como operadora de planos de saúde e uma respeitada instituição de ensino na área médica. Fernando José Moredo, que está no comando da entidade há impressionantes 30 anos, é amplamente reconhecido como o principal arquiteto por trás dessa expansão e do sucesso do grupo ao longo das últimas décadas, papel que agora está sob intensa escrutínio devido às graves acusações.

A complexidade de casos envolvendo assédio e crimes sexuais no ambiente de trabalho ressalta a importância de mecanismos legais robustos para a proteção das vítimas e a devida apuração dos fatos. No Brasil, a legislação prevê diversas formas de combate à violência contra a mulher, incluindo o assédio sexual, conforme detalhado nas diretrizes do Governo Federal sobre Enfrentamento à Violência contra Mulheres.

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O caso envolvendo o presidente do Trasmontano Saúde, Fernando José Moredo, e as acusações de crimes sexuais continuam a se desenrolar, com desdobramentos significativos no âmbito judicial e administrativo. As próximas semanas prometem mais capítulos nesta investigação complexa, que coloca em xeque a reputação de um influente empresário e de uma instituição de saúde consolidada. Para acompanhar as últimas atualizações sobre este e outros temas relevantes do cenário nacional, continue navegando em nossa editoria de Economia, onde trazemos análises aprofundadas e notícias exclusivas.

Crédito da imagem: Divulgação Hospital Igesp

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