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Prisão de Bolsonaro surpreende aliados e dificulta mobilização

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A prisão preventiva de Jair Bolsonaro, ex-presidente da República, causou surpresa entre seus aliados mais próximos e gerou obstáculos significativos para a organização de uma mobilização ampla de apoiadores contra a decisão judicial. A medida, expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), neste sábado (22), foi recebida com uma primeira reação do círculo íntimo do político, que optou por apelos religiosos na tentativa de unificar a base bolsonarista.

Desde as primeiras horas da manhã, apoiadores do ex-presidente começaram a se reunir em frente à sede da Polícia Federal, em Brasília, para onde Bolsonaro foi conduzido. No período noturno, uma vigília foi organizada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho mais velho do ex-presidente, atraindo algumas centenas de pessoas. O evento demonstrou a dificuldade em mobilizar um grande volume de eleitores de forma imediata.

Prisão de Bolsonaro surpreende aliados e dificulta mobilização

A chegada de Flávio Bolsonaro à vigília foi marcada por sua declaração de que o encontro não possuía caráter político, mas sim religioso. “Faremos oração pela saúde do meu pai, por justiça, para trazer lucidez às autoridades desse país para não criminalizarem uma simples vigília”, afirmou o senador, buscando desvincular o ato de qualquer conotação partidária e reforçar o tom de apoio espiritual. Contudo, essa mesma vigília foi um dos pontos citados pelo ministro Alexandre de Moraes como justificativa para a detenção do ex-presidente, que já se encontrava sob custódia domiciliar por determinação judicial. Ao longo do dia, o senador intensificou a divulgação do evento em suas redes sociais, ampliando seu alcance.

Outros membros da família e figuras políticas influentes também marcaram presença no evento. Carlos Bolsonaro (PL), vereador no Rio de Janeiro e irmão de Flávio, esteve presente. Entre os políticos de destaque, compareceram o senador Rogério Marinho e os deputados federais Helio Lopes (PL-RJ) e Bia Kicis (PL-DF). Os deputados Marcel van Hattem (Novo-RS) e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) chegaram com atraso à capital federal, pois não estavam em Brasília no início do dia dos acontecimentos.

O deputado Sóstenes Cavalcante, que também ocupa a liderança do Partido Liberal (PL), atribuiu a menor adesão popular em defesa de Bolsonaro ao que chamou de “medo”. Em suas palavras, o político sugeriu que a população se sente intimidada para participar de grandes manifestações. “As pessoas estão com medo, se não estariam tudo na porta da PF igual foi feito com o Lula. Não fazem porque têm certeza que se forem para lá serão presos. Que é assim que o Alexandre de Moraes ditador atua para intimidar o povo”, declarou o deputado, traçando um paralelo com a mobilização de apoiadores do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2018.

A referência ao presidente Lula remete ao período em que ele foi detido em 2018, ocasião em que seus apoiadores organizaram fortes protestos. Grupos petistas mantiveram uma vigília constante ao lado do local de sua detenção, em Curitiba, durante todo o período de sua prisão, demonstrando uma capacidade de mobilização que, na visão de alguns, não se repetiu na mesma escala para o ex-presidente Bolsonaro.

A vigília em favor de Bolsonaro foi montada a poucas centenas de metros do condomínio onde o ex-presidente reside. No local, havia um pequeno trio elétrico, que foi utilizado para amplificar as vozes dos participantes e tocar músicas de cunho religioso, mas nenhum dos políticos presentes subiu à estrutura para discursar. Todos optaram por interagir diretamente com os apoiadores, falando do chão.

Prisão de Bolsonaro surpreende aliados e dificulta mobilização - Imagem do artigo original

Imagem: www1.folha.uol.com.br

O ato religioso teve início por volta das 19h15, e os políticos se retiraram do local aproximadamente às 20h30. A saída foi precedida por um incidente. Um pastor, que se apresentou para proferir falas religiosas, criticou o ex-presidente e defendeu sua condenação, sendo agredido por alguns presentes. Ele precisou ser retirado do local sob proteção policial, ressaltando o clima de tensão.

Em frente à Polícia Federal, a manifestação foi menos expressiva em número de participantes. Alguns bolsonaristas vestiam as cores verde e amarelo, carregavam bandeiras do Brasil e dos Estados Unidos e incentivavam motoristas a buzinar em apoio a Bolsonaro, um método também empregado na vigília. Conflitos entre bolsonaristas e lulistas foram registrados no local ao longo do dia. Por volta das 21h, a intensidade do protesto já havia diminuído consideravelmente, reunindo cerca de 20 pessoas.

A decisão judicial que levou à detenção do ex-presidente, conforme divulgado pelo Supremo Tribunal Federal, reforça a imprevisibilidade do cenário político e jurídico brasileiro, gerando desdobramentos que demandam atenção constante dos observadores. A repercussão da prisão de um ex-chefe de Estado continua a ser um tema central no debate público, com impactos significativos na dinâmica das forças políticas nacionais.

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A detenção do ex-presidente Jair Bolsonaro representou um momento de inflexão, pegando seus aliados de surpresa e limitando a capacidade de uma mobilização de massa imediata. A análise dos eventos em Brasília demonstra a complexidade das reações políticas e sociais diante de decisões judiciais de grande impacto. Para continuar acompanhando as notícias mais recentes sobre o cenário político e seus desdobramentos, acesse nossa editoria de Política.

Crédito da imagem: Gabriela Biló – 22.nov.2025/Folhapress