rss featured 24314 1783078603

Processo geológico explica congelamento precoce da Antártida

Últimas notícias

A ciência revelou um poderoso mecanismo natural que elucida o fenômeno do processo geológico de congelamento precoce da Antártida, um evento ocorrido há aproximadamente 34 milhões de anos, muito antes de o Ártico experimentar uma glaciação similar, cerca de 25 milhões de anos depois. Esta descoberta redefine a compreensão sobre a formação das calotas polares terrestres e a influência de dinâmicas internas do planeta no clima global de longo prazo.

Os resultados desta investigação aprofundada foram divulgados em um estudo recente na prestigiada revista *Science*, nesta quinta-feira (2). Avaliando meticulosamente a topografia atual do continente gelado e empregando modelos computacionais avançados para reconstituir sua evolução superficial ao longo de milênios, os pesquisadores conseguiram identificar um processo geológico específico que impulsionou a formação de uma cadeia montanhosa no leste antártico. Essa elevação foi decisiva, transpondo um limite de altitude fundamental para o estabelecimento e a expansão das geleiras permanentes.

Processo geológico explica congelamento precoce da Antártida

Consequentemente, essa dinâmica orogenética resultou na formação da vasta camada de gelo da Antártida oriental em um período onde as temperaturas médias globais eram cerca de 5 graus Celsius superiores às atuais. Tal cenário permitiu que o polo Sul desenvolvesse uma calota polar robusta bem antes que uma tendência global de resfriamento, de caráter mais duradouro, propiciasse a estabilização de gelo permanente ao redor do polo Norte.

A camada de gelo da Antártida oriental já estava plenamente estabelecida no alvorecer da época do Oligoceno, uma fase geológica que sucedeu a época do Eoceno na linha do tempo da história da Terra.

É fundamental recordar que a Antártida, em tempos remotos, fazia parte do supercontinente Gondwana, que englobava massas de terra que hoje conhecemos como África e América do Sul. Através do complexo mecanismo da tectônica de placas, essas porções continentais se fragmentaram e se moveram lentamente para suas posições geográficas atuais. Para aprofundar seu conhecimento sobre a dinâmica continental, você pode consultar informações no site do Serviço Geológico do Brasil, uma instituição de alta autoridade na área.

O geocientista Thomas Gernon, da Universidade de Southampton, Inglaterra, e um dos principais autores da pesquisa, salientou a relevância do achado. “Nosso estudo demonstra que um processo geológico ancestral, iniciado há mais de 160 milhões de anos durante a fragmentação continental da África e da Antártida e que se desenrolou por muitas dezenas de milhões de anos, ditou o momento e o local em que as maiores camadas de gelo da Terra puderam se formar durante a transição do Eoceno para o Oligoceno, há aproximadamente 34 milhões de anos”, explicou Gernon.

Este **processo geológico** ao qual Gernon se refere é um fenômeno conhecido como ondas do manto. Consistem em perturbações de movimento lento que ocorrem nas profundezas da Terra, ativadas durante a fragmentação dos continentes.

“Essas ondas têm a capacidade de remover rochas de alta densidade da base das placas tectônicas, o que, por sua vez, torna os continentes mais leves e os impulsiona a se elevar. Este movimento resulta na formação de terrenos elevados, como planaltos e cordilheiras”, detalhou Gernon sobre o impacto dessas dinâmicas subterrâneas.

Processo geológico explica congelamento precoce da Antártida - Imagem do artigo original

Imagem: www1.folha.uol.com.br

Quando essas ondas do manto se deslocaram sob a Antártida, elas catalisaram a formação de um extenso planalto, culminando nas Montanhas Gamburtsev, uma imponente cordilheira situada na porção central da Antártida oriental. Apesar de seus picos alcançarem notáveis 3.390 metros de altura, esta cadeia montanhosa encontra-se atualmente oculta sob a maior camada de gelo do planeta. Os pesquisadores concluíram que a erosão e a elevação, impulsionadas pelas ondas do manto, gradualmente elevaram a paisagem a altitudes suficientes para a estabilização do gelo, mesmo em um cenário de clima global quente.

“Nossa investigação realça a importância crítica da interação complexa entre as alterações climáticas e as modificações topográficas”, destacou a geocientista Thea Hincks, também da Universidade de Southampton e coautora do estudo, enfatizando a interdependência desses fatores.

Para a Antártida, no final do Eoceno, o limiar de altitude necessário para a formação e permanência de gelo estava situado aproximadamente entre 1.500 e 2.000 metros, conforme especificado por Gernon. As simulações realizadas no estudo indicaram que, por volta de 45 milhões de anos atrás, extensas áreas da paisagem do leste da Antártida já haviam sido elevadas acima desse patamar crítico.

“Assim como as temperaturas decrescem à medida que se sobe uma montanha, altitudes mais elevadas possuem uma probabilidade maior de reter neve durante o ano todo. Nossas descobertas revelam que, antes da glaciação da Antártida, a área das Montanhas Gamburtsev que se encontrava acima da altitude crucial para a manutenção do gelo aumentou exponencialmente. Por volta de 34 milhões de anos atrás, quase 90% da região estava situada acima desse limiar, um contraste marcante com apenas cerca de um terço registrado há 60 milhões de anos”, elucidou Gernon, detalhando a progressão topográfica que favoreceu o **congelamento precoce da Antártida**.

A situação no Ártico, contudo, divergiu significativamente. Embora as geleiras tenham se expandido e retraído ao longo dos últimos 50 milhões de anos, as grandes camadas de gelo só se estabilizaram há menos de 10 milhões de anos. A principal razão reside na ausência de massa terrestre propriamente dita no polo Norte, que se localiza no meio do oceano Ártico. Esta característica impediu que o terreno atingisse o limiar de altitude necessário para promover a formação de gelo permanente em um estágio anterior. “O clima precisou esfriar através da diminuição das concentrações atmosféricas de dióxido de carbono antes que o gelo permanente pudesse se formar em altitudes mais baixas no Ártico”, concluiu Gernon.

Confira também: Investir em Imóveis na Região dos Lagos

Em síntese, a pesquisa publicada na *Science* desvenda que um complexo **processo geológico**, mediado por ondas do manto e a consequente elevação de cadeias montanhosas, foi o fator primordial para o **congelamento precoce da Antártida** há 34 milhões de anos. Esta descoberta sublinha a profunda interconexão entre a dinâmica interna da Terra e as grandes transformações climáticas. Para continuar explorando notícias sobre ciência, meio ambiente e as complexidades do nosso planeta, mantenha-se conectado à editoria de Análises de Hora de Começar.

Crédito da imagem: Deborah Zabarenko/Reuters

Deixe um comentário