rss featured 20870 1776574357

Projeto de Basquete Viabilizado por Oscar Schmidt Vence Jebs

Esportes

Na noite desta sexta-feira (17), em um cenário de intensas emoções na capital federal, o time do Projeto Basquete Oscar Schmidt, de Ponta Porã (MS), protagonizou um momento histórico ao conquistar o título do basquete masculino sub-18 nos Jogos Escolares Brasileiros (Jebs). A vitória veio acompanhada da triste notícia da morte de Oscar Schmidt, o “Mão Santa”, figura que transcende a imagem de um mero ídolo esportivo para os jovens atletas e para o treinador Hugo Costa, de 59 anos. Para eles, Oscar é o mentor que, há quase duas décadas, transformou um sonho em realidade, viabilizando o projeto social que se tornaria uma referência.

A final contra a equipe que representava São Paulo foi marcada por uma mistura de adrenalina e luto. Com apenas dois minutos para o início da partida, a notícia do falecimento do ex-jogador chegou à quadra, silenciando e emocionando os rapazes do Porãbask. Este momento de dor, contudo, não diminuiu a determinação da equipe, que buscou na memória e no legado de seu incentivador a força necessária para superar o desafio e alcançar o pódio pela primeira vez.

Projeto de Basquete Viabilizado por Oscar Schmidt Vence Jebs

A superação foi palpável. O Porãbask assegurou a vitória com um placar de 74 a 63, coroando uma jornada de dedicação e esforço. A conquista da série Ouro representou não apenas um triunfo esportivo, mas uma profunda homenagem ao homem que acreditou e investiu na juventude de Ponta Porã. O treinador Hugo Costa, visivelmente emocionado, lembrou a origem humilde do projeto, batizado em 2004 como “Meninos do Terrão”, devido à quadra improvisada no Jardim Ivone, uma periferia da cidade sul-mato-grossense.

Do “Terrão” ao Ginásio de Oscar Schmidt: A Trajetória de um Sonho

A transformação do projeto teve um marco crucial em 2007, quando Oscar Schmidt realizou palestras em Ponta Porã. Foi nesse período que o “Mão Santa” conheceu e se encantou pelo trabalho de Hugo Costa. O treinador, que antes admirava Oscar como um fã, passou a considerá-lo um amigo e um pilar de apoio. Oscar, com sua influência e prestígio, tornou-se um incansável articulador de recursos, utilizando cada palestra como uma oportunidade para angariar fundos para o “Meninos do Terrão”. Seu empenho foi fundamental para que o sonho de uma quadra estruturada e coberta se concretizasse. “A gente comprou o terreno e ele ajudou a construir o ginásio”, relatou Costa, destacando que o espaço foi nomeado em homenagem ao próprio Oscar Schmidt, um testemunho permanente de seu legado na comunidade.

A coincidência da vitória no dia da partida de seu maior incentivador ressaltou a importância da conquista para Hugo Costa. “Nós disputamos mais de 20 jogos escolares. Sempre chegamos perto. Foi a primeira vez que fomos campeões. Que seja uma homenagem a ele”, afirmou o treinador, com os olhos marejados. Este triunfo agora abre portas ainda maiores para a equipe de Ponta Porã. Com a medalha de ouro no peito, o Porãbask irá representar o Brasil no Mundial Escolar de Basquete, que será realizado na cidade de Zlatibor, na Sérvia, entre os dias 13 e 22 de junho, levando o nome do país e a inspiração do “Mão Santa” para o cenário internacional.

O Legado de Obstinação e Transformação Social

Para além das cestas e vitórias, Oscar Schmidt deixou um ensinamento que se tornou a espinha dorsal do projeto: a obstinação em perseguir um objetivo. Hugo Costa enfatiza que Oscar desmistificou a ideia de que o basquete seria um esporte exclusivo de certas classes sociais ou regiões. “Muita gente pensa que basquete não seria para pobre. Nem para periferia. O Oscar ensinou para a gente que é possível fazer basquete em qualquer lugar”, explicou o treinador, reforçando a missão de inclusão e acessibilidade do projeto.

Mais do que formar atletas de alto rendimento, o objetivo primordial do projeto social é formar cidadãos. A iniciativa tem sido um celeiro de talentos não apenas nas quadras, mas na vida profissional, com ex-alunos que hoje são formados em educação física, medicina e diversas outras profissões. “Eu tenho contato com todos até hoje”, orgulha-se Hugo Costa, evidenciando o vínculo duradouro e o impacto social profundo do Porãbask na vida de seus participantes.

Projeto de Basquete Viabilizado por Oscar Schmidt Vence Jebs - Imagem do artigo original

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br

A presença do clube na comunidade do Jardim Ivone transformou a região, que antes era uma periferia com poucas oportunidades esportivas, em um ponto de referência e inspiração. O treinador reitera a importância do papel do profissional de educação física nesse contexto. “Acho que o papel do profissional de educação física é este: educar a criança por meio do esporte para que seja responsável e disciplinada. O esporte pode ensinar isso”, concluiu, ressaltando o poder transformador da modalidade na formação de indivíduos conscientes e engajados. Para saber mais sobre o legado de Oscar Schmidt no basquete brasileiro, visite a Confederação Brasileira de Basquete (CBB).

Emoção no Pódio e Sonhos para o Futuro

Ao subir no pódio, Hugo Costa revia em sua mente os incontáveis treinos, o tempo dedicado longe da família e a responsabilidade de seu papel como educador. Compartilhou com os jovens a certeza de que aquele seria um momento inesquecível, algo para ser narrado às futuras gerações. Entre os atletas, Rafael Cardozo, de 17 anos, estudante do terceiro ano do ensino médio, tinha a mãe como principal pensamento. Criado por ela ao lado de seu irmão mais novo, Rafael fez questão de avisá-la logo após o apito final. “Tenho que agradecê-la por tudo”, disse, abraçando também o professor. Seus planos incluem uma faculdade de gestão hospitalar, sem deixar o basquete de lado, que continuará sendo uma paixão e diversão. “Quero chegar lá no topo. E é preciso trabalhar pra chegar lá”, projetou.

A notícia da morte de Oscar Schmidt abalou profundamente Rafael e seus colegas. “Sabemos como ele era importante para o Brasil e para o nosso projeto”, ponderou o jovem. Samuel Menezes, também de 17 anos e pivô, foi o cestinha da partida, contribuindo com 30 pontos cruciais para a vitória. Igualmente tocado pela partida do ídolo, Samuel, que está no terceiro ano do ensino médio, almeja cursar educação física e permanecer no esporte. No pódio, com a medalha no peito, ele abraçou cada um dos amigos, relembrando os treinos diários e o esforço coletivo. Em seguida, ligou para a mãe, uma dona de casa, e para o pai, ourives, para compartilhar a alegria e a emoção. Samuel, que frequentemente assiste aos jogos antigos de Oscar pela internet, expressou sua gratidão: “Só temos a agradecer a ele. Hoje eu fui o Mão Santa do meu time”, sorriu. Após o anúncio da vitória, a quadra, antes envolta em silêncio pela notícia do luto, explodiu em sorrisos e celebrações, transformando a tristeza inicial em um mar de emoções e esperança.

Confira também: Investir em Imóveis na Região dos Lagos

A conquista do Porãbask nos Jogos Escolares Brasileiros, impulsionada pelo legado de Oscar Schmidt, é um testemunho inspirador do poder transformador do esporte e da dedicação. O Projeto Basquete Oscar Schmidt continua a formar não apenas grandes atletas, mas cidadãos engajados, mostrando que a paixão e a disciplina podem levar jovens da periferia ao pódio mundial. Para mais notícias e análises sobre o universo esportivo e seus impactos sociais, continue acompanhando a editoria de Esporte em Hora de Começar.

Crédito da imagem: PorãBask/Instagram e Valter Campanato/Agência Brasil

Deixe um comentário