Nesta segunda-feira (18), o dólar à vista registrou uma desvalorização significativa frente ao real, revertendo parcialmente a valorização observada na semana anterior. A queda da moeda americana foi um movimento generalizado no exterior, impulsionado por um ajuste nas posições de risco e pela fraqueza global do dólar. Apesar das incertezas persistentes nos cenários doméstico e internacional, os agentes do mercado aproveitaram a sessão para recalibrar o prêmio cobrado no câmbio, impactado pela percepção de risco.
Ao final das negociações, o dólar à vista encerrou o dia cotado a R$ 4,9980, uma queda de 1,37%, operando próximo à sua mínima diária de R$ 4,9955 e distanciando-se da máxima de R$ 5,0559. O euro comercial também recuou, fechando em R$ 5,8239, com desvalorização de 1,10%. No mercado internacional, por volta das 17h05, o índice DXY, que acompanha a força do dólar em relação a uma cesta de seis moedas de economias desenvolvidas, apresentava queda de 0,30%, atingindo 98,992 pontos. O real se destacou como a moeda com maior valorização no dia entre as 33 mais líquidas monitoradas pelo Valor, superando a libra esterlina, a coroa sueca e o dólar neozelandês.
Queda do Dólar: Moeda Americana Cede e Volta Abaixo de R$ 5
Operadores de câmbio interpretaram o movimento como um ajuste de posição. Avaliou-se que, em véspera de fim de semana, a redução da exposição ao real pode ter sido uma estratégia prudente, porém, a manutenção prolongada dessa cautela acarreta um custo elevado, dado o patamar elevado das taxas de juros no Brasil. Assim, o pregão desta sessão foi marcado por um reajuste de expectativas e posições, com o real demonstrando resiliência.
Análise da Volatilidade e o Contexto Político-Econômico
O mercado de câmbio brasileiro, apesar de apresentar menor volatilidade nos últimos tempos, é historicamente conhecido por suas oscilações mais acentuadas em comparação com outras moedas. Kaio Sartori, membro da equipe de gestão do Opportunity Total, salientou que tais variações bruscas, como as vistas na última semana, são esperadas nesse cenário. Ele observou que, desde o final de 2024, sinais de deterioração nos fundamentos domésticos provocaram reações agudas no câmbio, mas essas respostas não se mostraram persistentes ao longo do tempo.
Sartori fez uma analogia com a “história do Flávio Bolsonaro”, indicando que o mercado pode ter antecipado um otimismo excessivo em relação às eleições e agora estaria corrigindo essas expectativas. Contudo, a distância temporal para as eleições tende a mitigar a persistência de um movimento corretivo duradouro. O profissional do Opportunity Total explicou que quanto mais tempo até o pleito, maior a oportunidade para estratégias de carry trade, onde investidores buscam lucrar com a diferença entre as taxas de juros de países distintos. No caso brasileiro, isso implica tomar empréstimos em mercados com juros baixos e investir no Brasil, que oferece taxas mais elevadas.
Fatores de Instabilidade e Perspectivas para a Moeda
Embora a correção atual nas posições da moeda brasileira não seja vista como algo persistente, Sartori alertou para a instabilidade que sustenta o equilíbrio do câmbio no momento. Ele destacou que, enquanto o preço elevado do petróleo favorece os termos de troca do país, também pressiona a inflação, limitando a capacidade do Banco Central de dar continuidade ao seu ciclo de corte de juros. A manutenção da Selic em níveis elevados, por sua vez, aumenta o custo da dívida brasileira, que tem grande parte atrelada a juros de curto prazo.
O especialista do Opportunity também mencionou que o cenário externo, atualmente favorável, é um pilar importante para a dinâmica do real. Ele comparou o Brasil a um “aluno mediano com um professor benevolente”, referindo-se ao cenário global que, apesar de conflitos como a guerra, tem sido benigno. Essa conjuntura favorável, segundo Sartori, oferece margem para o país adiar a resolução de questões cruciais, como a questão fiscal. Contudo, uma mudança nos ventos externos poderia alterar rapidamente a narrativa do mercado em relação ao Brasil, como enfatizado pelo Banco Central do Brasil em suas análises macroeconômicas sobre a estabilidade de preços no país. Acesse as publicações do Banco Central do Brasil para mais informações sobre o cenário econômico.

Imagem: Paul Yeung via valor.globo.com
Visão da Wagner Investimentos sobre Riscos Futuros
Em nota divulgada nesta segunda-feira, a Wagner Investimentos reforçou que o otimismo com o real diminuiu naturalmente após a notícia da quarta-feira, denominada “Flávio Day 2.0”. O diretor José Faria Júnior expressou a necessidade de compreender a extensão do desmonte das posições otimistas do mercado em relação às eleições. A instituição também ressaltou que, sem uma solução para o impasse no Estreito de Ormuz, os preços do petróleo e de outras matérias-primas — como alumínio, resina, fertilizantes e commodities agrícolas, especialmente alimentos — provavelmente não recuarão tão cedo.
A Wagner Investimentos apontou o risco de os juros subirem nos Estados Unidos ainda neste ano, um cenário não totalmente precificado pelo mercado, além da possibilidade de alteração no fluxo de capitais e da valorização do Dollar Index (DXY). A casa de investimentos aconselha a observação atenta de fatores como a potencial mudança na postura do Federal Reserve quanto à sua taxa de juros, a alteração da sazonalidade do câmbio a partir de julho, o aumento da volatilidade eleitoral e a diminuição do espaço para uma nova rodada de queda do dólar, especialmente após a moeda já ter desvalorizado 20% conforme o modelo da consultoria.
O fechamento do dólar abaixo de R$ 5 nesta segunda-feira reflete uma complexa interação de ajustes de mercado, volatilidade intrínseca à moeda brasileira, e um cenário externo que, embora favorável, apresenta pontos de instabilidade. Ações futuras de bancos centrais, o desenrolar do cenário político-eleitoral e a dinâmica dos preços das commodities serão determinantes para a trajetória do câmbio nos próximos meses.
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