O racha bolsonarista em São Paulo continua a se aprofundar, evidenciado pela recente escolha do Partido Liberal (PL) de apoiar a pré-candidatura de André do Prado, atual presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), para uma das cobiçadas vagas no Senado. Essa decisão gerou uma onda de atritos públicos, expondo as fissuras internas na ala da direita paulista ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nos últimos dias, as redes sociais e diversas entrevistas têm sido palco de intensos debates entre figuras proeminentes. De um lado, o deputado federal Ricardo Salles (Novo), ex-ministro do Meio Ambiente do governo Bolsonaro, tem vocalizado críticas contundentes à indicação de Prado. Do outro, Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, e seus aliados mais próximos têm respondido com veemência. A polarização escalou com a entrada de outros nomes na discussão, como o deputado estadual Gil Diniz (PL-SP), o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e o comentarista político Rodrigo Constantino, cada um assumindo posições opostas na contenda.
Racha Bolsonarista em SP Aprofunda Disputa por Vaga no Senado
A gênese dessa troca de farpas remonta à confirmação de André do Prado como pré-candidato do PL, um movimento que surpreendeu muitos, especialmente considerando que Eduardo Bolsonaro inicialmente defendia um nome com um perfil mais alinhado à ideologia bolsonarista para a disputa senatorial. No entanto, uma série de negociações estratégicas com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, levou Eduardo a mudar de posição e passar a apoiar Prado. Como parte do acordo, o filho de Bolsonaro anunciou que será candidato a suplente do presidente da Alesp, uma decisão que gerou desconfiança e críticas dentro de seu próprio campo político.
Antes mesmo da formalização da escolha, Ricardo Salles já havia expressado seu ceticismo em uma plataforma de mídia social. Ele declarou que não acreditava que Eduardo Bolsonaro se sujeitaria ao papel de suplente de um “pupilo de Valdemar”, fazendo referência a André do Prado. Salles argumentou que Eduardo “nunca se deu bem com essa turma corrupta do centrão fisiológico e anti ideológico”, caracterizando-a como a “ala valdemarista do PL”. Em sua postagem, ele concluiu enfaticamente que Eduardo “não vai se deixar usar por eles”, insinuando manipulação política e interesses obscuros por trás da aliança.
As declarações de Salles não foram bem recebidas por Eduardo Bolsonaro. Em uma entrevista concedida ao canal Auriverde Brasil no YouTube, o ex-deputado federal contra-atacou, afirmando ter abdicado de seu mandato na Câmara e da própria disputa pelo Senado. Em contraste, ele acusou Ricardo Salles de ter “mergulhado” e preferido a moderação diante de um “processo no STF”, evitando críticas à Corte para, segundo Eduardo, “se pintar de ser o cara que vai salvar todo mundo, o grande cara da direita”. Eduardo Bolsonaro chegou a afirmar, em tom depreciativo, que Salles “botou o rabinho entre as pernas”, intensificando a retórica agressiva.
Este embate público rapidamente escalou para uma série de provocações e acusações. Enquanto Gil Diniz e Mário Frias defenderam a postura de Eduardo Bolsonaro, direcionando críticas severas a Salles, o comentarista Rodrigo Constantino posicionou-se em apoio ao ex-ministro do Meio Ambiente. Gil Diniz, por exemplo, não poupou termos pejorativos, chamando Salles de “mordomo de Geraldo Alckmin”, “Marina Silva da direita”, “dinheirista” e “covarde”. Mário Frias, por sua vez, publicou um extenso texto para reforçar a defesa de Eduardo e acusar Salles de “covardia e traição”. Em meio à fúria das discussões, Salles optou por uma breve trégua no sábado (9), declarando que não perderia seu tempo “respondendo a trupe de puxa sacos do Eduardo”, demonstrando desdém pelos seus detratores.
Ricardo Salles, contudo, não se furtou a apresentar uma proposta clara para o impasse. Ele clamou para que os envolvidos “parem de desrespeitar a vontade do Jair Bolsonaro e usar o nome dele para suas negociatas”. A solução, em sua visão, seria “tirarem o filhote do Valdemar” (referindo-se a André do Prado) e colocarem o vice-prefeito de São Paulo, Mello Araújo, como candidato. Salles enfatizou que Araújo representa a “direita e é PAULISTA”, e prometeu retirar sua própria pré-candidatura “na hora” se essa mudança ocorresse. Caso contrário, ele interpretaria que “realmente não querem devolver a grana do tal acordo com o centrão”, reforçando a suspeita de interesses financeiros na composição da chapa. Para entender mais sobre processos judiciais de repercussão, você pode consultar informações no Portal do Supremo Tribunal Federal.

Imagem: infomoney.com.br
O cerne dessa intrincada disputa reside na feroz corrida pelo voto de direita no estado de São Paulo. A estratégia do PL, ao lançar André do Prado, que não era originalmente identificado com o bolsonarismo raiz, e ao apoiar o deputado federal Guilherme Derrite (PP), ex-secretário de segurança pública de São Paulo, visa consolidar uma base ampla. No entanto, a provável candidatura de Salles pelo partido Novo na mesma raia à direita ameaça congestionar o espectro político. Aliados temem que uma divisão excessiva dos votos possa abrir um risco significativo de ceder uma ou ambas as vagas ao Senado para candidaturas do centro ou da esquerda, comprometendo os objetivos do movimento bolsonarista.
Diante desse cenário complexo e da necessidade de unificar o campo conservador, Ricardo Salles tem reiterado sua condição para uma retirada estratégica. Ele defende que, se Eduardo Bolsonaro passar a apoiar Mello Araújo – que seria o nome preferido do ex-presidente Jair Bolsonaro para o posto senatorial – ele próprio desistiria de sua pré-candidatura, visando assim fortalecer uma única chapa de direita e evitar a pulverização de votos que pode ser prejudicial aos interesses do grupo.
Confira também: Investir em Imóveis na Região dos Lagos
A tensão crescente entre importantes figuras do bolsonarismo em São Paulo, materializada na briga pela vaga ao Senado, demonstra a complexidade das alianças e o impacto das negociações nos bastidores da política. Acompanhe as últimas notícias e análises sobre o cenário político brasileiro na editoria de Política do Hora de Começar.
Crédito da Imagem: Divulgação






