A Rádio Nacional alcança nove décadas de existência em 2026, consolidando seu papel histórico como um dos pilares da comunicação no Brasil. Integrante do diversificado conglomerado de mídia da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), a emissora é amplamente reconhecida como a principal rádio pública de toda a América Latina, distinguindo-se por sua vasta capilaridade e pela marcante presença multiplataforma no cenário radiofônico nacional e internacional.
Atualmente, a emissora representa um feito singular no Brasil, sendo a única a operar simultaneamente em FM em todas as unidades federativas. Além disso, a Rádio Nacional transmite em AM e Ondas Curtas (OC) com alta potência, possibilitando que seu sinal chegue a regiões remotas do país e até mesmo ultrapasse as fronteiras nacionais. A programação completa também está disponível para acompanhamento via internet, por meio de streaming, o que assegura um alcance ainda maior, atendendo a diversas realidades geográficas e sociais do território brasileiro.
Rádio Nacional Completa 90 Anos e Reafirma Liderança na América Latina
Andre Basbaum, presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), enfatiza que a trajetória da Rádio Nacional se entrelaça intrinsecamente com a própria evolução da comunicação brasileira. Ao atingir a marca de 90 anos, a Rádio Nacional reitera sua fundamental importância como patrimônio da comunicação pública e como um serviço indispensável para a população. Sua força reside precisamente na capacidade de harmonizar tradição com uma presença contemporânea, sustentada por uma infraestrutura tecnológica robusta que permite a propagação do sinal a locais que frequentemente carecem de outros meios de comunicação.
Cobertura Abrangente e Presença Nacional
A rede própria da Rádio Nacional engloba cinco estações de FM, situadas no Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Brasília (DF), São Luís (MA) e Tabatinga (AM). Adicionalmente, possui uma estação AM na capital federal. Na cidade de Recife (PE), a operação da Rádio Nacional é fruto de uma colaboração estratégica com a Empresa Pernambuco de Comunicação (EPC).
A transmissão de longo alcance da Rádio Nacional da Amazônia é viabilizada por transmissores de ondas curtas (OC), localizados no Parque do Rodeador. Este complexo, que fica a aproximadamente 40 quilômetros do centro de Brasília (DF), é um dos maiores do gênero no país, atuando como um centro nevrálgico para a distribuição do sinal.
Parque do Rodeador: O Coração da Transmissão
Inaugurado em 11 de março de 1974, o Parque do Rodeador celebrou seu quinquagésimo aniversário em 2024. A vasta área do complexo abriga quatro conjuntos de antenas de proporções gigantescas: uma para ondas médias, com impressionantes 142 metros de altura, e outras três para ondas curtas, que atingem a altura de 147 metros. O projeto foi concebido com a mais avançada tecnologia disponível na época, visando maximizar o ganho e o alcance da transmissão.
As características de propagação das ondas curtas demonstram variações significativas ao longo do dia, sendo a recepção geralmente mais eficaz durante o período noturno, devido à menor interferência causada pela irradiação solar. Este tipo de sinal possui uma capacidade notável, com registros de recepção em localidades extremamente distantes, como Alasca, Bielorrússia, Rússia, Espanha e diversos países da América Latina. Embora a principal vocação da Rádio Nacional da Amazônia seja atender ao público brasileiro, a natureza física da propagação das ondas curtas impede que o sinal seja confinado estritamente aos limites territoriais do Brasil.
A filosofia por trás de parques transmissores como o do Rodeador mantém sua atualidade na missão de levar informação, serviços e a presença do Estado a populações e comunidades que ainda enfrentam carências significativas em infraestrutura, conectividade e, em alguns casos, até mesmo acesso regular à energia elétrica. Nesse cenário, o rádio portátil continua sendo um meio de comunicação essencial. A Rádio Nacional da Amazônia, carinhosamente conhecida por décadas como “Orelhão da Amazônia”, persiste cumprindo um papel estratégico vital na integração nacional e na comunicação pública.
Através das ondas curtas, a Rádio Nacional da Amazônia tem o potencial de alcançar aproximadamente 60 milhões de habitantes, com um sinal que abrange toda a Região Norte, além de Maranhão, Piauí, Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás, e outros estados, bem como países vizinhos.
Expansão e Audiência em Crescimento
Visando o público expatriado que acompanha a programação da Rádio Nacional da Amazônia por ondas curtas, a emissora lançou em 2025 a faixa “Nacional Brasil – Serviço Internacional”. Essa iniciativa surgiu em resposta aos inúmeros pedidos de QSL recebidos pela emissora. Os cartões QSL são utilizados por radioamadores para confirmar contatos de rádio, funcionando como um comprovante de comunicação e sendo trocados entre operadores de rádio em todo o mundo. A faixa oferece conteúdos em inglês e espanhol e é transmitida diariamente às 4h50, 7h20 e 22h50 (horário de Brasília).
A infraestrutura de ondas curtas da Rádio Nacional também demonstra sua crucial importância em momentos de calamidades climáticas e desastres ambientais. Um exemplo notável ocorreu em 2024, quando tempestades severas atingiram o Rio Grande do Sul. Para expandir a prestação de serviços às comunidades impactadas pelas inundações, foi instituído na época o programa “Sintonia com o Sul”, com uma programação dedicada à difusão de informações relevantes para a região afetada. Para concretizar esse objetivo, parte das antenas do Parque do Rodeador foi estrategicamente redirecionada para o Sul do país.
A Rádio Nacional do Alto Solimões também faz parte da estrutura da EBC. Sua programação singular integra notícias locais e nacionais, com um forte protagonismo para a produção e a cultura regional. Servindo como referência na cidade amazonense de Tabatinga (AM), onde está localizada, a rádio exerce um impacto significativo para os residentes da região do Alto Solimões. A emissora em FM interliga nove municípios e atua como uma ponte essencial de informação e comunicação para a população urbana, os povos indígenas e as comunidades tradicionais da Tríplice Fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru.
No ambiente digital, a Radioagência Nacional complementa o sistema público de comunicação, funcionando como um eixo fundamental para a distribuição de conteúdo jornalístico. Com a missão de fornecer informações gratuitas, plurais e de alta qualidade, a plataforma disponibiliza reportagens, boletins e matérias especiais que podem ser acessadas por rádios em todo o país. Os conteúdos produzidos pelo Radiojornalismo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e veiculados pela Rádio Nacional também estão acessíveis em seu site oficial, garantindo ampla divulgação.
A rede própria da EBC para a Rádio Nacional é fortalecida por um componente estratégico adicional: a Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP) de Rádios. Atualmente, esta rede é composta por 168 emissoras distribuídas por todo o território brasileiro. Essa articulação expande a presença da Rádio Nacional por meio de colaborações com emissoras públicas, educativas e culturais em todas as cinco macrorregiões do país, reforçando o caráter público da comunicação e assegurando a diversidade regional na programação.
Conforme os termos dos acordos estabelecidos com a EBC, as emissoras parceiras devem retransmitir um mínimo de quatro horas da programação da Rádio Nacional, sem a obrigatoriedade de simultaneidade. Adicionalmente, essas emissoras precisam transmitir um mínimo de uma hora de produção local diariamente.
A estratégia de expansão da RNCP prevê que, em 2026, o sinal da Rádio Nacional alcançará ainda mais localidades, ampliando sua área de atuação e alcance. Em março, por exemplo, as rádios da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) foram incorporadas à rede. É importante destacar que, também em março, entrou em operação na cidade de Fortaleza (CE) a Rádio Educativa FM 86,7, integrando conteúdos da Rádio MEC e produções locais.
Com uma programação diversificada e uma estrutura capilarizada, a Rádio Nacional tem atraído um número crescente de ouvintes nos últimos anos. Dados do Ibope indicam que, tanto em 2024 quanto em 2025, a rede alcançou mensalmente mais de 400 mil ouvintes. Essas estatísticas, no entanto, referem-se apenas às praças do Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Distrito Federal e Recife (PE), onde a EBC realiza medição de audiência. Na prática, o número total de ouvintes é ainda maior, uma vez que a audiência registrada pela Rádio Nacional da Amazônia em ondas curtas, por exemplo, não é aferida por essas métricas.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
A emissora Nacional no Rio de Janeiro, em particular, registrou um expressivo aumento de 49% no número de ouvintes entre os anos de 2024 e 2025. Já em 2026, a Rádio Nacional FM de Brasília alcançou resultados históricos de audiência no Distrito Federal. No primeiro bimestre do ano, a emissora atingiu a maior participação de mercado (share) de toda a sua série histórica de medições, iniciada em 2010. A emissora demonstra uma curva contínua de crescimento: os anos de 2023, 2024 e 2025 concentram três das quatro melhores performances da rádio nos últimos 15 anos, com participações de 1,36%, 1,42% e 1,49%, respectivamente.
Outro ponto a ser sublinhado é que, em 2025, as rádios Nacional no Distrito Federal, Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP) e Recife (PE) se destacaram como as emissoras com maior afinidade entre o público jovem de 15 a 24 anos em todo o mercado de FM, entre os veículos pesquisados. Com uma audiência distribuída nacionalmente, a Rádio Nacional mantém sua relevância ao conjugar tradição e inovação, oferecendo um panorama abrangente da música popular brasileira, além de conteúdos jornalísticos, esportivos, culturais e de prestação de serviços que dialogam com públicos diversos.
Nove Décadas de História e Celebração
A Rádio Nacional foi estabelecida no Rio de Janeiro (RJ) pelo grupo do Jornal A Noite em 12 de setembro de 1936, sob o prefixo PRE-8. Começou a ganhar significativa força em 1940, quando foi incorporada à União, firmando-se como um notável fenômeno de expressão da cultura popular brasileira. A emissora desempenhou um papel crucial na disseminação de notícias por todo o território nacional com o “Repórter Esso”, apresentado pelo jornalista Heron Domingues, que se tornou um sucesso de audiência. Naquela época, a rádio chegava a receber milhares de cartas diariamente, enviadas por ouvintes de todas as partes do país.
A música, por sua vez, tornou-se um capítulo à parte na história da Rádio Nacional. As apresentações eram realizadas por diversos conjuntos, incluindo orquestras próprias da emissora. Em 1942, a Nacional inaugurou seu auditório, palco de atrações memoráveis sob o comando de estrelas do rádio como Paulo Gracindo e César de Alencar.
A Rádio Nacional também protagonizou uma virada histórica na comunicação ao inaugurar, em 1941, a era das radionovelas no Brasil com “Em busca da felicidade”. O país inteiro parava para acompanhar a produção, e os brasileiros se reuniam em torno do rádio, com os corações atentos a cada capítulo. Se antes os ouvintes já desfrutavam de narrativas do radioteatro, foi com essa atração que o formato ganhou uma nova dimensão e roupagem. O texto original do cubano Leandro Blanco, adaptado por Gilberto Martins, não apenas conquistou a audiência, mas também contribuiu para a consolidação de uma cultura de consumo de dramaturgia que atravessaria gerações e encontraria, posteriormente, sua consagração definitiva também na televisão brasileira.
Em mais um marco de sua notável trajetória, a Rádio Nacional antecipou a própria história da nova capital federal. Enquanto Brasília ainda se erguia no cerrado, o rádio já fazia ecoar sua existência por todo o país. Em 31 de maio de 1958, o então presidente Juscelino Kubitschek inaugurava a Rádio Nacional de Brasília. A emissora operava em ondas médias e ondas curtas, permitindo que os candangos que trabalhavam na construção da cidade se comunicassem com suas famílias residentes em outras regiões. Esse potencial abriu caminho para a expansão da rede em 1977, com a estreia da Rádio Nacional da Amazônia.
Para comemorar esse legado e projetar a emissora para o futuro, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) tem promovido, desde o ano passado, diversas ações alusivas às nove décadas de existência da rádio. Em 2025, foi lançado um selo comemorativo e uma nova identidade sonora que resgata suas raízes históricas. A canção “Luar do Sertão”, um clássico que marcou a inauguração das transmissões da Nacional na década de 1930, ganhou uma versão modernizada que passou a embalar a identidade musical do veículo.
Nos dias 18 e 19 de maio, o encontro da RNCP, que ocorrerá no Rio de Janeiro, reunirá as emissoras parceiras de todo o país para celebrar o 90º aniversário da Nacional. Logo após, entre os dias 20 e 22, será realizado o 7º Simpósio Nacional do Rádio, em parceria com o Grupo de Pesquisa Rádio e Mídia Sonora da Intercom, que neste ano terá como tema “Rádio Nacional 90 anos: memória, inovação e futuros da mídia sonora”.
Em 12 de junho, está previsto o lançamento da série especial “90 anos em 90 histórias”. A iniciativa visa resgatar a trajetória da rádio por meio de entrevistas com personalidades que contribuíram para sua relevância ao longo das décadas, incluindo ex-dirigentes da EBC e da Radiobras, além de pesquisadores e funcionários. Serão, ao todo, 90 episódios, cada um com aproximadamente cinco minutos de duração, combinando material de acervo, pesquisa histórica e depoimentos. A proposta é criar uma linha do tempo sonora que percorre desde os anos 1930 até os dias atuais.
As celebrações também incluem o lançamento de um novo site da emissora e uma edição especial do Festival de Música da Rádio Nacional, que neste ano está programado para acontecer no Rio de Janeiro (RJ) e contará com a presença de grandes nomes da cena artística nacional.
Ao longo de sua história, a Rádio Nacional acumulou uma notável galeria de troféus que atesta sua importância no cenário jornalístico e cultural. O mais recente reconhecimento veio no ano passado, quando o programa “Tarde Nacional SP” foi eleito pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) como o melhor programa cultural de rádio de 2025.
A Rádio Nacional continua a ser um farol da comunicação brasileira, adaptando-se às novas tecnologias e mantendo sua missão de informar, entreter e conectar os brasileiros, de norte a sul, e além das fronteiras. Para mais informações sobre a Rádio Nacional e a história da comunicação pública no Brasil, consulte a Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
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A Rádio Nacional, ao completar seus 90 anos, não apenas celebra um legado robusto na comunicação brasileira, mas também reforça seu compromisso com a inovação e o serviço público. Sua capacidade de alcançar milhões de ouvintes através de múltiplas plataformas, do Parque do Rodeador à internet, e seu papel crucial em eventos históricos e sociais, demonstram sua contínua relevância. Para se aprofundar em mais notícias sobre cultura e o impacto da mídia em nossa sociedade, continue navegando em nossa editoria de cultura.
Crédito da imagem: Arte/Agência Brasil







