rss featured 11824 1764266809

Repressão a Pesquisas Eleitorais Obscurece Eleições na Colômbia

Economia

Uma nova legislação na Colômbia, que visa aprimorar a precisão das pesquisas eleitorais na Colômbia, paradoxalmente tem o efeito de obscurecer o cenário político para eleitores e investidores à medida que o país se aproxima da eleição presidencial de 2026. A medida, resultado de uma iniciativa multipartidária com foco na melhoria da qualidade das pesquisas de opinião pública, foi aprovada em julho. Naquele período, a atenção dos mercados estava voltada para a deterioração das finanças nacionais e as incertas perspectivas fiscais.

A nova lei implementou uma proibição na divulgação de pesquisas de intenção de voto, que se estendeu até o final de outubro. A expectativa geral era que, após o término desse período de restrição regulatória, uma enxurrada de novos levantamentos seria publicada. Contudo, essa expectativa não se concretizou. Embora pesquisas privadas continuem sendo conduzidas, apenas duas empresas haviam publicado novos estudos até o momento neste mês, evidenciando uma lacuna significativa na informação pública.

Repressão a Pesquisas Eleitorais Obscurece Eleições na Colômbia

Os institutos de pesquisa explicam que a legislação em vigor elevou substancialmente os critérios para a realização de pesquisas públicas, o que na prática duplica os custos operacionais. Isso resultou em uma diminuição da frequência e do alcance dos levantamentos. César Caballero, chefe da Cifras y Conceptos, com sede em Bogotá, empresa responsável pela divulgação da primeira pesquisa sob as novas regras no início de novembro, destacou a disparidade: “Quem pode pagar tem acesso à informação”. Caballero alertou ainda que “a opinião pública ficará à mercê da manipulação”, sublinhando a falta de responsabilidade sobre o que circula online.

Com mais de uma centena de pré-candidatos à presidência e as alianças políticas ainda em fases iniciais de formação, há um vasto campo de incertezas a ser decifrado nos próximos meses. As votações legislativas e presidenciais estão agendadas para março e maio, respectivamente. Tradicionalmente, as pesquisas divulgadas regularmente pelos veículos de comunicação locais serviam como um pilar de referência crucial para os observadores eleitorais.

A lei recém-aprovada impôs, entre outras modificações técnicas, o aumento do tamanho mínimo da amostra para mais do dobro do que era exigido anteriormente, além de demandar a inclusão de áreas menos populosas nos levantamentos. Para além do aumento dos custos, as novas diretrizes criam um ambiente de incerteza jurídica para os institutos. Há um temor generalizado de que a não conformidade com os novos padrões possa acarretar responsabilidade criminal. Pablo Lemoine, diretor do Centro Nacional de Consultoría (CNC), resumiu o sentimento, afirmando que “é um momento muito arriscado para realizar pesquisas”. Lemoine acrescentou que “a lei não é clara quanto às consequências, apenas que haverá consequências criminais”.

O cenário político e econômico da Colômbia é acompanhado de perto por investidores, que esperam a transição para um governo mais alinhado com o mercado no próximo ano. O mandato de Gustavo Petro, o primeiro líder de esquerda da nação andina, está chegando ao fim, e ele não possui permissão para se candidatar à reeleição. Recentemente, o senador Iván Cepeda venceu a votação das primárias presidenciais, realizada pelo Pacto Histórico, partido de Petro.

Instituições financeiras como o Barclays veem as eleições do próximo ano como um elemento estabilizador, capaz de compensar o “ruído” gerado por eventuais falhas da administração Petro, e como um potencial vetor positivo caso o poder se incline para um governo de centro-direita. No entanto, para a XP Investimentos, a preocupação com a escassez de informações ainda não atingiu um nível de urgência. Andres Pardo, chefe de estratégia da empresa para a América Latina, alertou que, se a falta de **pesquisas eleitorais na Colômbia** persistir, os impactos no mercado serão inevitáveis, gerando maior volatilidade. “À medida que nos aproximamos das eleições, a situação se tornará mais preocupante. As pessoas ficarão mais perdidas e as comparações serão mais difíceis”, projetou Pardo.

Durante o período em que a proibição de divulgação de pesquisas esteve em vigor, o jornal local La Silla Vacía observou que alguns candidatos chegaram a citar apostas realizadas na plataforma Polymarket como indicativo de sua liderança nas intenções de voto. Contudo, é fundamental notar que tais plataformas de apostas são altamente suscetíveis à manipulação, já que um número reduzido de usuários pode exercer uma influência desproporcional sobre as probabilidades.

O projeto de lei que culminou nas atuais restrições foi introduzido inicialmente em 2020 e reintroduzido em 2022, antes de ser finalmente aprovado neste ano, conforme detalhado pela senadora Angélica Lozano, do Partido Verde, de centro, que atuou na aprovação da medida. Em entrevista por telefone, Lozano afirmou que o objetivo primordial da legislação é elevar os padrões técnicos das pesquisas, e que isso foi efetivamente alcançado. “Não estamos falando de alguma pesquisa sobre novelas, mas de algo que impacta a opinião pública”, argumentou a senadora, reforçando a seriedade do tema. Ela também questionou se as novas regras de fato elevaram o risco de manipulação da informação: “Se existem muitas pesquisas sem padrões técnicos, como isso as protege?”. A legislação eleitoral colombiana é um pilar fundamental para a transparência do processo democrático, e sua constante atualização visa garantir a integridade das eleições, conforme diretrizes do Consejo Nacional Electoral.

A CNC publicou sua primeira pesquisa pública desde a implementação da nova lei em 17 de novembro. O levantamento revelou que Iván Cepeda, aliado do atual presidente Petro, liderava as intenções de voto com 21%. Em segundo lugar, aparecia o candidato de direita Abelardo de la Espriella, com 14%, seguido pelo ex-governador regional centrista Sergio Fajardo, que obteve 8%.

Confira também: Investir em Imóveis na Região dos Lagos

A repressão na divulgação das pesquisas eleitorais na Colômbia, impulsionada por uma nova lei que visava aprimorar a qualidade dos dados, criou um cenário de incerteza para a corrida presidencial de 2026. Enquanto os institutos de pesquisa enfrentam custos elevados e riscos legais, eleitores e mercados buscam clareza em meio à escassez de informações. Acompanhe nossa editoria de Política para ficar por dentro dos desdobramentos e análises sobre o cenário eleitoral colombiano e outras notícias relevantes.

Conheça o Valor One Acompanhe os mercados com nossas ferramentas Acessar gratuitamente Mais do Valor Econômico

Repressão a Pesquisas Eleitorais Obscurece Eleições na Colômbia - Imagem do artigo original

Imagem: Nathalia Angarita via valor.globo.com