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Resiliência do Agronegócio em Pauta na Casa do Seguro Belém

Economia

A resiliência do agronegócio na Casa do Seguro em Belém foi o tema central de intensos debates e propostas durante o décimo dia do evento Casa do Seguro, realizado no contexto da COP30. Produtores rurais, frequentemente expostos às incertezas climáticas, buscaram soluções e estratégias para mitigar os riscos e garantir a sustentabilidade do setor. A iniciativa, que contou com o apoio de grandes seguradoras como Allianz, AXA, BB Seguros, Bradesco Seguros, Caixa Seguridade, MAPFRE, Marsh McLennan, Porto, Prudential e Tokio Marine, reuniu especialistas para discutir o futuro da produção alimentar diante das mudanças climáticas globais.

A Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), em parceria com a FGV Agro e a Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), promoveu o painel “Seguros e Agronegócio”, que aprofundou as discussões sobre como o setor financeiro e segurador pode impulsionar uma economia de baixo carbono. Além disso, a empoderadora BB Seguros destacou a importância da modelagem climática para aprimorar a precificação de seguros e fortalecer a capacidade de recuperação do campo, sublinhando os desafios que ainda impedem a expansão da cobertura de seguros em todo o país.

Resiliência do Agronegócio em Pauta na Casa do Seguro Belém

Os eventos climáticos extremos têm impactado de forma crescente a produção rural brasileira, um setor vital que frequentemente opera sob condições imprevisíveis. Em resposta a essa realidade, a discussão sobre a Resiliência do Agronegócio na Casa do Seguro em Belém se tornou um ponto crucial, buscando não apenas diagnosticar problemas, mas também apresentar soluções inovadoras e sustentáveis para o futuro do campo, com foco na adaptação e mitigação de riscos.

Modelagem Climática para um Agro Resiliente

Durante o Painel 1, intitulado “Da Modelagem Climática à Precificação Inteligente: Estratégias de Subscrição para um Agro Resiliente”, a presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Silvia Massruhá, ressaltou a significativa contribuição da instituição para o setor. Em seus 52 anos de existência, a Embrapa desenvolveu mais de 4 mil ferramentas tecnológicas que foram fundamentais para consolidar o agronegócio como um pilar da economia nacional, responsável por aproximadamente um quarto do Produto Interno Bruto (PIB). Massruhá enfatizou que essa jornada de inovação continua em evolução.

A pesquisa da Embrapa revelou que, ao analisar 260 empreendimentos agrícolas, os produtores que adotam práticas sustentáveis de manejo demonstraram maior capacidade de resistência contra os riscos impostos pelas mudanças climáticas. A Inteligência Artificial (IA) desempenha um papel central nesse avanço, conforme explicado por Massruhá. Há três décadas, a organização vem estruturando dados para criar modelos que minimizam riscos e promovem práticas como o plantio direto e a integração lavoura-pecuária-floresta. Com a aplicação de dados e ciência, o agronegócio brasileiro pode simultaneamente aumentar a produtividade e preservar os recursos naturais.

Incentivos à Agricultura Regenerativa

Aline Maldonado Locks, CEO da plataforma Produzindo Certo, observou que os produtores rurais já estão conscientes dos múltiplos benefícios da agricultura regenerativa. Essa abordagem representa uma mudança de paradigma, deslocando o foco da safra imediata para uma perspectiva de médio e longo prazo. Jonathas de Alencar Moreira, coordenador-geral de instrumentos de mercado e financiamento do Ministério da Agricultura e Pecuária, corroborou essa visão, destacando que a adoção de tais práticas pode gerar retornos financeiros. Ele afirmou que o prêmio do seguro tende a diminuir quando o risco é reduzido por meio da agricultura regenerativa.

Paulo Hora, superintendente-executivo de rural e resseguro da Brasilseg, uma empresa BB Seguros, confirmou o engajamento do setor segurador nessa direção. “Utilizamos a ciência para desenvolver produtos”, explicou Hora, indicando que o seguro pode atuar como um catalisador para a implementação de boas práticas no campo. O objetivo é criar um ciclo virtuoso onde a sustentabilidade se alinha à segurança financeira do produtor.

Finanças Sustentáveis e o Papel do Banco do Brasil

O Painel 2, intitulado “Finanças Sustentáveis e Seguros: O Papel do Grupo Banco do Brasil na Transição para uma Economia de Baixo Carbono”, abordou a crucialidade do enfrentamento dos riscos climáticos. Alberto Martinhago Vieira, diretor de agronegócios e agricultura familiar do Banco do Brasil, alertou que, entre todos os perigos que afetam o setor, o climático possui o maior potencial de impacto. Um único evento extremo pode precipitar um produtor de uma situação de estabilidade financeira para uma crise severa, resultando em quebras de safra que comprometem o cumprimento de obrigações.

Nesse cenário desafiador, o Banco do Brasil está empenhado em alcançar a meta de destinar 30% de sua carteira de crédito para operações sustentáveis até o ano de 2030. Gabriel Santamaria, head de sustentabilidade do Banco do Brasil, informou que as mudanças climáticas são parte integrante da estratégia corporativa da instituição, com uma carteira de crédito sustentável que já totaliza R$ 400 milhões. Adicionalmente, Santamaria anunciou o lançamento da mesa de comercialização de crédito de carbono do banco durante a COP30, reforçando seu compromisso com uma economia mais verde.

Resiliência do Agronegócio em Pauta na Casa do Seguro Belém - Imagem do artigo original

Imagem: Bruno Carachesti via valor.globo.com

O Seguro na Transição e Desafios de Acesso

Delano Valentim, CEO da BB Seguros, enfatizou que a busca pela resiliência é indissociável do setor de seguros. “Não existe transição sem seguro”, declarou, acrescentando que a entrega de produtos relevantes aos produtores depende intrinsecamente do uso de inteligência, tecnologia e inovação como ferramentas de preservação e mitigação. Para otimizar essa atuação, Valentim destacou a necessidade de aprimorar a integração entre dados públicos e privados, além de defender uma regulamentação que estimule a criação de produtos climáticos.

Contudo, a ampliação do acesso ao financiamento permanece um obstáculo significativo, conforme apontado por Raquel Gaudencio, superintendente executiva de planejamento estratégico, VMO, governança e sustentabilidade da Brasilseg. Gaudencio revelou que, embora os pequenos produtores sejam responsáveis por um terço da produção rural, eles têm acesso a apenas 1% do financiamento disponível. “A conta não fecha”, lamentou. Ela ressaltou a grande oportunidade de considerar o financiamento climático como uma estratégia fundamental para a recuperação econômica do país.

O Papel Estratégico do Seguro Agrícola

No período da tarde, a abertura do fórum “Seguros e Agronegócio”, promovido pela CNseg, FGV Agro e ABAG, contou com a presença do ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues. Ele discursou sobre “O Papel Estratégico do Seguro Agrícola Diante da Emergência Climática Global”. Rodrigues, responsável pela instituição do seguro rural em 2003, expressou sua preocupação com a regressão da cobertura. Em 2020, o seguro abrangia 16% da área plantada nacionalmente, mas a projeção para o final de 2025 é de que esse índice caia para menos de 3%.

“É inaceitável o governo ter reduzido os subsídios para o seguro rural, que oferece um colchão de proteção aos produtores e aos bancos”, criticou Rodrigues, que também é professor emérito da Fundação Getulio Vargas e coordenador do Centro de Agronegócio da instituição. Ele revelou que o setor agrícola brasileiro apresentou uma série de propostas à presidência da COP30, sugerindo que o modelo de negócios desenvolvido no Brasil pode servir de inspiração para todo o Sul Global em sua busca por desenvolvimento sustentável e resiliência frente aos desafios climáticos.

A Embrapa, com sua vasta experiência em pesquisa e desenvolvimento, continua a ser uma referência crucial para a inovação e sustentabilidade do setor agrícola brasileiro. Para saber mais sobre as tecnologias e pesquisas que impulsionam o agronegócio, visite o portal oficial da Embrapa. https://www.embrapa.br/

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Em resumo, os debates da Casa do Seguro na COP30 em Belém destacaram a urgência de fortalecer a resiliência do agronegócio brasileiro frente aos desafios climáticos, por meio de seguros inteligentes, financiamento sustentável e inovação tecnológica. A colaboração entre o setor público, privado e instituições de pesquisa é essencial para construir um futuro mais seguro e produtivo para o campo. Para mais análises sobre economia e políticas agrícolas que impactam o Brasil, continue acompanhando nossa editoria de Economia.

Foto: Bruno Carachesti