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Resistência às Vacinas Contra Gripe e Covid Ameaça Gestantes

Saúde e Bem-estar

A resistência vacinas gestantes contra a gripe e a covid-19 tem gerado preocupação nas autoridades de saúde, colocando um grupo vulnerável em risco. Apesar dos avanços científicos e da comprovação da eficácia dos imunizantes, índices alarmantes de baixa cobertura vacinal no Brasil revelam uma lacuna na proteção de grávidas e seus futuros bebês. A imunização completa é vital para salvaguardar a saúde materna e infantil, prevenindo quadros graves e mortes.

Exemplos de Adesão à Vacinação

Em contraste com os números preocupantes, gestantes como Nataly Saldanha, moradora da capital fluminense, representam um modelo de adesão. Aos 39 semanas de gestação, Nataly, que aguarda a chegada de Noely nos próximos dias, mantém um pré-natal exemplar, seguindo todas as recomendações médicas e apresentando sua caderneta de vacinação devidamente atualizada. “Sempre tive o hábito de me vacinar e, quando comecei o pré-natal, garanti que estivesse tudo em dia. Isso me protege de doenças circulantes e, principalmente, assegura a saúde da minha bebê”, explica.

Outro exemplo é Raissa Silva de Oliveira, analista de marketing com 34 semanas de gestação, à espera de Rafael. Ela compartilha da mesma convicção: “Sempre tomei tudo quanto é vacina, porque eu acredito na ciência. Desde o início do pré-natal, meu médico revisou meu histórico vacinal e me orientou sobre as doses necessárias”. Essas histórias ilustram a importância da conscientização e do acompanhamento médico no processo de imunização, contrastando com a percepção geral sobre a

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, que ainda persiste em grande parte da população.

Cobertura Vacinal Aquém da Meta Nacional

No entanto, nem todas as futuras mães seguem o exemplo de Nataly e Raissa. Dados oficiais do Ministério da Saúde, abrangendo todo o território nacional, evidenciam uma disparidade significativa na cobertura vacinal e estatísticas preocupantes que acendem um alerta para a saúde pública. Em 2025, a cobertura vacinal contra a covid-19 entre gestantes atingiu apenas 55%, enquanto a imunização contra a influenza ficou em 63%, considerando as regiões Sudeste, Sul, Nordeste e Centro-Oeste. Embora os dados preliminares de 2026 mostrem uma leve melhora para a vacina contra influenza, alcançando 76%, a vacinação contra a covid-19 permanece estagnada em 55%. Ambas as metas do Ministério da Saúde para esses imunizantes são de 90% do público-alvo, revelando uma grave defasagem.

As Consequências Trágicas da Hesitação Vacinal

As consequências dessa hesitação vacinal são frequentemente trágicas. Levantamentos do Ministério da Saúde, solicitados pela Agência Brasil, revelam que, de 2023 até o início de agosto de 2026, pelo menos 286 gestantes ou puérperas desenvolveram síndrome respiratória aguda grave (SRAG) após infecção por subtipos do vírus Influenza. Desses casos, 25 resultaram em óbito, com sete mortes registradas somente em 2026.

No mesmo período, a covid-19 foi responsável por pelo menos 205 casos graves e 21 mortes entre gestantes ou puérperas. Contudo, é crucial recordar os anos críticos da pandemia (2020, 2021 e 2022), quando foram documentados 3.547 casos de SRAG comprovadamente causados pelo coronavírus neste grupo, com impressionantes 811 óbitos, correspondendo a quase um quarto das mulheres infectadas gravemente.

Análise da Resistência e Mitos sobre Vacinas

Flávia Bravo, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), aponta dois fatores cruciais para a compreensão desses índices. No caso da influenza, há uma “acomodação” e desvalorização da doença, levando as pessoas a questionarem a real importância da vacina. Já em relação à covid-19, prevalece a “desinformação”, impulsionada por mitos de que seria uma vacina experimental e produzida às pressas. Bravo refuta essa ideia, esclarecendo que a tecnologia mRNA é antiga e foi adaptada rapidamente graças à colaboração global e investimentos massivos. Para mais informações sobre o calendário vacinal e a importância dos imunizantes, consulte o site oficial do Ministério da Saúde.

O Impacto Positivo da Imunização na Saúde Materna e Infantil

A vacinação foi um divisor de águas na redução dessas taxas de morbidade e mortalidade. Cientistas brasileiros compararam os registros de SRAG em gestantes e puérperas antes e após o início da vacinação nesse grupo, constatando uma queda mensal de casos para um terço do patamar anterior. A mortalidade diminuiu quase cinco vezes. Apesar disso, covid-19 e influenza, em conjunto, ainda representam quase 30% dos casos de SRAG em gestantes e puérperas no Brasil em 2026, e mais de 50% das mortes nesse grupo. A dificuldade em identificar o vírus específico em todos os casos de SRAG sugere que essas proporções podem ser ainda maiores. “As gestantes são um dos maiores grupos de risco para essas duas doenças, sendo que ambas as vacinas podem ser administradas em qualquer período da gestação”, destaca Flávia Bravo.

Calendário Vacinal Abrangente para Gestantes no SUS

O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza um calendário de vacinação abrangente para gestantes, que vai além dos imunizantes contra influenza e covid-19. Incluem-se as vacinas de Hepatite B, dT (difteria e tétano), dTpa (difteria, tétano e coqueluche) e VSR (vírus sincicial respiratório). Em situações específicas, como áreas com circulação comprovada da doença, surtos, emergências ou alto risco de exposição, a vacina contra febre amarela também pode ser indicada para grávidas ou para aquelas que viajarão para esses locais.

Vulnerabilidade da Gestante e o Papel Essencial da Ginecologia

A ginecologista Giuliane Lajos enfatiza que todas essas vacinas devem ser parte integrante do checklist básico das gestantes, e não encaradas como uma opção. Ela brinca: “Menos chá revelação e mais vacinação”, reforçando que o objetivo primordial é um bebê saudável e uma mãe apta para cuidar dele. A especialista da Comissão Nacional Especializada em Vacinas da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) explica que a gravidez naturalmente aumenta a vulnerabilidade da mulher a infecções. Alterações no sistema imunológico para aceitar o feto e a diminuição do espaço pulmonar em gestações avançadas contribuem para que a mulher adoeça com maior gravidade. Portanto, a imunização garante que, mesmo em caso de infecção, a doença não evolua para um quadro severo.

A Dra. Lajos adverte que a falta de proteção expõe a gestante a sérias complicações, incluindo o risco de óbito. “Uma internação em UTI, por exemplo, eleva a produção de prostaglandinas, substâncias que podem prejudicar a placenta, afetar o desenvolvimento fetal e aumentar o risco de prematuridade”, explica. Um estudo global com mais de 1,2 milhão de gestantes demonstrou que mulheres vacinadas contra a covid-19 tiveram menor risco de partos prematuros, morte fetal e anomalias congênitas.

Benefícios Cruciais da Imunização para os Bebês

Além de proteger a mãe, a vacinação durante a gestação é fundamental para a saúde do bebê após o parto. Como o esquema de imunização contra influenza e covid-19 só se inicia aos 6 meses de idade, o recém-nascido depende dos anticorpos transmitidos pela mãe via placenta para combater essas doenças. “Ensaios clínicos comprovam que a vacinação materna contra a gripe pode diminuir em cerca de 70% a ocorrência da doença nos primeiros meses do bebê. O mesmo ocorre com a covid-19, com estudos mostrando maior quantidade de anticorpos no cordão umbilical do que no sangue materno, indicando um transporte ativo e alta proteção neonatal”, detalha Flávia Bravo.

Resistência às Vacinas Contra Gripe e Covid Ameaça Gestantes - Imagem do artigo original

Imagem:  Tomaz Silva via agenciabrasil.ebc.com.br

A baixa imunização infantil também é uma preocupação. Até 19 de setembro de 2026, o Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe do Ministério da Saúde registrou quase 4 mil casos de SRAG por influenza em crianças menores de 2 anos, com 55 óbitos. Em relação à covid-19, foram 808 casos graves e 18 mortes nesta faixa etária. Desde 2023, ano em que a OMS encerrou a pandemia, 9.725 crianças com menos de 2 anos adoeceram gravemente por covid-19, resultando em 223 mortes. As vacinas de RNA mensageiro para gestantes e crianças no Brasil apresentam quase 100% de eficácia contra mortes por covid-19, e a vacina contra a gripe reduz o risco de óbito em até 75%.

Avanços e Desafios: VSR e Coqueluche

Giuliane Lajos e Flávia Bravo ressaltam que a vacinação de gestantes, combinada com a imunização das crianças a partir dos 6 meses, é imprescindível para reverter esses números. Um exemplo claro do potencial de altas coberturas vacinais é a curva de casos do vírus sincicial respiratório (VSR). A vacinação, iniciada em 2025, já alcançou 1,7 milhão de gestantes, com uma cobertura estimada em 86% do público-alvo. Em conjunto com a aplicação de anticorpo monoclonal em prematuros ou bebês com comorbidades, os resultados são visíveis: no primeiro semestre de 2026, foram 6.674 casos graves em bebês de até 6 meses, menos da metade dos 14.061 casos registrados no mesmo período de 2025.

A história da vacinação no Brasil oferece outros testemunhos do poder da imunização secundária. A vacina dT, aplicada em mulheres e gestantes desde a década de 1960, foi crucial para a erradicação do tétano neonatal, uma doença grave e frequentemente fatal para o recém-nascido. A difteria também foi praticamente eliminada, com menos de 40 infecções confirmadas na última década.

Diante de surtos de coqueluche em recém-nascidos a partir de 2014, o SUS passou a oferecer a vacina dTpa para grávidas, adicionando proteção contra a bactéria Bordetella pertussis, que causa tosse, febre e pode levar a dificuldades respiratórias. O calendário vacinal infantil prevê a primeira dose da vacina contra coqueluche aos 2 meses, com esquema completo apenas aos 6 meses. Assim, os recém-nascidos dependem da imunização materna para evitar a doença ou quadros graves. A cobertura vacinal de dTpa em grávidas subiu de 34% em 2016 para 94% em 2025, com dados preliminares de 88% para 2026. A vacinação de bebês também se mantém próxima de 90% desde 2023. Consequentemente, os casos de coqueluche no Brasil têm diminuído (7.747 em 2024 para 401 até setembro de 2026), mas ainda são expressivos. Cerca de 20% dos infectados eram menores de 1 ano, e mais de 90% das mortes pela doença ocorreram nessa faixa etária, com 9 dos 11 óbitos em 2026 sendo de bebês com menos de 1 ano.

Garantia de Segurança e o Papel Essencial dos Profissionais de Saúde

Ambas as especialistas entrevistadas reforçam a segurança das vacinas aplicadas durante a gravidez, que foram exaustivamente testadas e não representam riscos para a gestante ou o bebê. “A vacina de covid-19, que enfrenta maior resistência, tornou-se o imunizante mais estudado globalmente, sem comprovação de riscos de malformação fetal, autismo ou morte”, reitera a ginecologista Giuliane Lajos.

Flávia Bravo, da SBIm, cobra uma postura mais incisiva dos profissionais de saúde para desmistificar informações falsas e orientar corretamente os pacientes. Ela observa que muitos médicos podem não ter o conhecimento aprofundado sobre imunização e acabam sendo influenciados por fontes informais, negligenciando a busca por ensaios clínicos e dados de vigilância. A médica de saúde da família Catarina Jatobá de Souza, que atende Nataly Saldanha, ilustra uma abordagem proativa na Clínica da Família Ricardo Lucarelli, no Rio de Janeiro. O cartão de vacinação é verificado na primeira consulta, e a gestante é imediatamente encaminhada para a sala de vacina, otimizando o tempo e garantindo a adesão. As consultas são agendadas para coincidir com as datas de vacinação, minimizando perdas.

Outros profissionais também atuam ativamente na promoção da vacinação. Agentes comunitários de saúde realizam visitas domiciliares mensais, reforçando a importância de levar a carteira de vacinação para as consultas e reportando atrasos. Raissa Silva de Oliveira, que faz pré-natal na rede pública, relata ter sido contatada para lembrar da vacinação contra o VSR, precisando comprovar a imunização com uma foto da caderneta.

Momentos de convivência, como grupos de gestantes e pais, ou atividades mais descontraídas, como pintura de barriga, são aproveitados para a conscientização de toda a família sobre a importância das vacinas. Catarina Jatobá destaca que esses espaços permitem que as gestantes conversem com outras mulheres já vacinadas, comprovando que não há riscos. Nataly Saldanha, a “gestante nota 10”, exemplifica o impacto dessa conduta: “Na minha primeira filha, não tive acesso a nada disso. É ótimo poder conversar com outras mães. Hoje, há muitas novidades, incluindo vacinas de covid e bronquiolite. Estou redescobrindo tudo.”

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Em suma, a persistente resistência vacinas gestantes contra a gripe e a covid-19 no Brasil representa um desafio significativo para a saúde pública. Os dados demonstram a urgência em elevar as coberturas vacinais, não apenas para proteger as futuras mães de complicações graves e óbitos, mas também para garantir a imunidade dos recém-nascidos nos primeiros e cruciais meses de vida. Ações de conscientização, o engajamento dos profissionais de saúde e o acesso facilitado aos imunizantes são pilares para reverter esse cenário. Para continuar acompanhando as últimas notícias sobre saúde pública e iniciativas em diversas cidades brasileiras, visite nossa editoria de Cidades.

Crédito da imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil

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