Thiago Ávila: Ativista Brasileiro Deportado de Israel Chega a SP

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O ativista Thiago Ávila foi recebido no aeroporto de Guarulhos nesta segunda-feira (11), após um período de detenção e consequente deportação por parte de Israel. O cidadão brasileiro havia sido interceptado enquanto participava de uma iniciativa de auxílio humanitário destinada à Faixa de Gaza, evento que ocorreu no final do mês de abril.

Na sua chegada ao território nacional, Ávila encontrou-se com membros de sua equipe da flotilha Global Sumud. Entre os presentes estavam Mandi Coelho e Leandro Lanfredi, ambos brasileiros que também haviam sido detidos na mesma operação realizada pelas forças israelenses. O grupo foi impedido de prosseguir em sua missão rumo a Gaza em 29 de abril, quando navegava em águas internacionais, próximo à costa da Grécia.

Às 18h44, o ativista fez sua aparição no saguão do aeroporto paulista. O trajeto de retorno de Ávila ao Brasil teve início no Cairo, Egito, cidade para onde ele havia sido deportado após sua libertação no domingo (10).

Thiago Ávila: Ativista Brasileiro Deportado de Israel Chega a SP

O brasileiro permaneceu sob custódia por um período de 11 dias na região de Ashkelon, localizada no sul de Israel, em companhia do ativista palestino-espanhol Saif Abu Keshek. Os demais 175 participantes da flotilha, que possuíam diversas nacionalidades, foram encaminhados diretamente para a Grécia e deportados logo após a intervenção israelense.

Um grupo de apoiadores aguardava o ativista no terminal aeroportuário, exibindo bandeiras da Palestina e cartazes com críticas direcionadas a Israel. Os manifestantes proferiram cânticos que qualificavam o Estado de Israel como “assassino” e exigiam que o governo brasileiro, sob a gestão de Lula, rompesse laços diplomáticos com o país.

Ainda nesta mesma segunda-feira, o ativista planeja embarcar para Brasília, a capital federal, onde reside com sua esposa e filha. Sua mãe, que também morava em Brasília, veio a falecer na semana passada, aos 63 anos. A causa do óbito não foi oficialmente divulgada.

A flotilha em questão era composta por mais de 50 embarcações, que partiram de portos na França, Espanha e Itália. Seu principal objetivo era romper o bloqueio imposto por Israel à Faixa de Gaza e entregar suprimentos essenciais ao território palestino, que se encontra em uma situação de devastação humanitária.

Esta não foi a primeira vez que o ativista foi alvo de interceptação pela Marinha de Israel. Em junho de 2025, ele já havia sido detido a bordo do barco Madleen, na companhia da ativista sueca Greta Thunberg. Em suas plataformas de redes sociais, onde acumula mais de 800 mil seguidores, Ávila expressa apoio constante a pautas relacionadas à Palestina, além de causas ligadas às mudanças climáticas. Para entender a complexidade da situação humanitária na região, é fundamental consultar fontes confiáveis como o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários nos Territórios Palestinos Ocupados (OCHA), que oferece dados e análises sobre o cenário.

Durante sua primeira detenção, a família de Ávila relatou que o ativista foi mantido em regime de solitária. Naquela ocasião, ele e outros ativistas haviam se recusado a assinar um termo de deportação, ao contrário de Greta Thunberg e outros quatro colegas que haviam sido capturados na mesma operação e assinaram o documento.

No dia 1º de outubro do ano anterior, o ativista foi novamente preso ao integrar uma nova edição da flotilha. Ele e mais sete brasileiros, que igualmente se negaram a assinar o termo para acelerar a deportação, foram detidos na prisão de Ktzi’ot, localizada no deserto do Negev. Eles só puderam retornar ao Brasil no dia 9 daquele mês, após serem expulsos de Israel.

O grupo israelense de direitos humanos Adalah, responsável pela representação legal dos ativistas na Justiça, declarou que a prisão foi ilegal e que tanto Ávila quanto Saif Abu Keshek foram vítimas de maus-tratos e abusos de natureza psicológica.

Segundo a organização não governamental, os detidos foram submetidos a “interrogatórios que podiam durar até oito horas”, foram mantidos em celas com iluminação permanente e compelidos a se deslocar de um local para outro com os olhos vendados, inclusive durante atendimentos médicos. Tel Aviv, por sua vez, refuta veementemente essas acusações.

“Em contraste com as acusações falsas e sem fundamento, preparadas previamente, em nenhum momento Saif Abu Keshek e Thiago Ávila foram submetidos a torturas”, afirmou Oren Marmorstein, porta-voz da chancelaria israelense, em declaração à agência de notícias AFP.

Após a libertação dos ativistas, a ONG israelense Adalah emitiu uma nota afirmando que “as ações das autoridades israelenses constituíram um ataque punitivo contra uma missão de natureza puramente civil”. A organização acrescentou que se tratava de “uma tentativa inaceitável de reprimir a solidariedade global com os palestinos em Gaza”.

Israel acusa Thiago Ávila de ter vínculos com a Conferência Popular para Palestinos no Exterior, um grupo que, de acordo com Tel Aviv e o Tesouro dos EUA, possui ligações com a organização classificada como terrorista Hamas.

Após a deportação do brasileiro, o Ministério de Relações Exteriores de Israel publicou em suas redes sociais uma mensagem classificando a missão como “flotilha de provocação”.

“Após a conclusão da investigação, os dois provocadores profissionais, Saif Abu Keshek e Thiago Ávila, da flotilha de provocação, foram deportados hoje [domingo, dia 10] de Israel. Israel não permitirá qualquer violação do bloqueio naval legal a Gaza”, escreveu o ministério em sua comunicação oficial.

A detenção dos ativistas brasileiro e palestino gerou forte repúdio por parte dos governos do Brasil e da Espanha, além da Organização das Nações Unidas (ONU).

O Itamaraty, em um comunicado conjunto com o governo espanhol, condenou o que classificou como “sequestro de dois de seus cidadãos em águas internacionais por parte do governo de Israel”.

A ONU, em posicionamento na última quarta-feira (6), havia solicitado a libertação imediata dos ativistas.

“Não é crime demonstrar solidariedade e tentar levar ajuda humanitária à população palestina de Gaza, que precisa urgentemente”, declarou Thameen Al-Kheetan, porta-voz do Escritório de Direitos Humanos da ONU, em comunicado oficial.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na última terça-feira (5), utilizou suas redes sociais para fazer um apelo pela libertação dos dois ativistas. “Manter a prisão do cidadão brasileiro Thiago Ávila, integrante da flotilha ‘Global Sumud’, é uma ação injustificável do governo de Israel, causa grande preocupação e deve ser condenada por todos”, escreveu o presidente.

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A chegada de Thiago Ávila a São Paulo, após sua deportação de Israel, marca mais um capítulo na complexa dinâmica geopolítica e humanitária envolvendo a Faixa de Gaza. O caso reitera a tensão em torno das missões de ajuda e as diferentes interpretações sobre o bloqueio naval. Para aprofundar-se em temas como este, que moldam o cenário internacional e nacional, convidamos você a explorar mais artigos em nossa editoria de Política.

Créditos das imagens:

Amir Cohen – 6.mai.2026/Reuters

Bruno Santos – 13.jun.2025/Folhapress

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