Na última terça-feira, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, explicitou seus argumentos no discurso sobre o Estado da União perante o Congresso, sinalizando uma possível ação contra o Irã. O foco principal de sua fala foi a declaração inequívoca de que não permitirá que o que ele descreveu como “o maior patrocinador do terrorismo do mundo” desenvolva ou possua armas nucleares. Esta postura acontece em um momento de intensa movimentação militar norte-americana no Oriente Médio, elevando as tensões na região e gerando especulações sobre os próximos passos da política externa dos EUA.
Apesar do significativo deslocamento de forças, a administração Trump não havia, até então, fornecido uma justificativa detalhada ao público americano para uma ação militar tão decisiva contra a República Islâmica, marcando o cenário mais agressivo desde a revolução iraniana de 1979. A retórica utilizada no discurso, contudo, buscou preencher essa lacuna, delineando as preocupações de Washington em relação a Teerã.
Trump Ataca Programa Nuclear do Irã em Discurso ao Congresso
Em sua apresentação formal aos legisladores, Trump citou uma série de preocupações que, em sua visão, representam ameaças tanto para o Oriente Médio quanto para os próprios Estados Unidos. Entre os pontos destacados estavam o alegado apoio do Irã a grupos militantes, a repressão violenta a manifestantes dentro do país e, crucialmente, os programas de desenvolvimento nuclear e de mísseis balísticos da nação persa. Essas acusações serviram de base para a justificação de uma postura mais assertiva contra o regime iraniano.
Acusações de Trump e Ameaças Regionais
O discurso, proferido aproximadamente 90 minutos após o início da sessão conjunta entre o Senado e a Câmara dos Deputados, foi marcado por fortes declarações. O então presidente republicano afirmou que o “regime [iraniano] e seus representantes assassinos não espalharam nada além de terrorismo, morte e ódio”. Essa frase sintetizou a visão de sua administração sobre o papel do Irã na instabilidade regional e global, reforçando a necessidade de uma intervenção ou, no mínimo, de uma política de contenção rigorosa.
Entre as acusações mais graves, Trump detalhou que o Irã teria reiniciado seu programa nuclear, além de estar ativamente engajado na construção de mísseis com capacidade para atingir o território norte-americano em um futuro próximo. Ele também imputou a Teerã a responsabilidade por atentados à beira de estradas que resultaram na morte de militares e civis dos EUA, elevando o tom das imputações diretas contra a República Islâmica. Essas declarações ganharam um peso adicional após a mídia estatal iraniana ter, de fato, afirmado que Teerã estava desenvolvendo um míssil capaz de alcançar a América do Norte, embora a finalidade e a capacidade exata fossem contestadas.
Controvérsia Nuclear e Programa de Mísseis
A preparação para o discurso de Trump foi amplamente influenciada pelo aumento da presença militar dos EUA no Oriente Médio e pela iminência de um possível confronto. A perspectiva de um conflito de semanas com o Irã pairava no ar, caso Teerã não chegasse a um acordo satisfatório sobre seu programa nuclear, uma disputa de longa data que tem sido motivo de preocupação internacional. Donald Trump, em diversas ocasiões, havia manifestado sua frustração com o fracasso das negociações anteriores para conter as ambições nucleares iranianas.
No púlpito do Congresso, o líder americano reiterou essa frustração, enfatizando a ausência de uma declaração crucial por parte do governo iraniano: “Eles querem fazer um acordo, mas não ouvimos aquelas palavras secretas: Nunca teremos uma arma nuclear”, disse Trump, evidenciando a desconfiança em relação às intenções iranianas. O Irã, por sua vez, sempre defendeu que suas pesquisas e atividades nucleares têm como finalidade exclusiva a produção de energia para fins civis, uma alegação que sempre esteve no centro da controvérsia com as potências ocidentais.

Imagem: infomoney.com.br
Alegações Sobre Manifestações e a Resposta Iraniana
Além das questões nucleares e de segurança, Trump também direcionou críticas ao governo de Teerã pela suposta morte de milhares de manifestantes durante recentes protestos antigovernamentais. Ele mencionou um número específico de 32.000 pessoas mortas, uma cifra que, no entanto, é significativamente superior à maioria das estimativas públicas de organizações internacionais e de direitos humanos. Essa discrepância nos números adicionou mais um ponto de discórdia à já tensa relação entre os dois países.
A resposta do Irã às declarações de Trump não demorou a chegar. Na quarta-feira, um dia após o discurso, Esmaeil Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, utilizou uma postagem na plataforma X para refutar as acusações. Baghaei classificou as alegações sobre o programa nuclear do Irã, o míssil balístico intercontinental e o número de mortos nos distúrbios de janeiro como “nada além da repetição de uma série de grandes mentiras”. Essa reação sublinha a profunda divergência de narrativas entre Washington e Teerã, intensificando a retórica de confronto e a complexidade do cenário geopolítico.
Para aprofundar-se sobre o tema, um artigo do G1 fornece mais informações sobre o contexto e os desafios do programa nuclear do Irã e por que ele continua a preocupar a comunidade internacional.
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As declarações de Donald Trump no discurso do Estado da União reafirmaram a postura linha-dura dos EUA em relação ao programa nuclear do Irã e seu papel na região, reacendendo as discussões sobre uma possível escalada militar. Com acusações graves e uma resposta iraniana contundente, o cenário geopolítico permanece em alerta máximo. Mantenha-se informado sobre os desdobramentos dessa complexa relação e de outros temas relevantes em nossa editoria de Política.
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