A Ucrânia executou novos ataques com drones submarinos, mirando e atingindo dois navios-tanque pertencentes à chamada “frota sombra” da Rússia no Mar Negro. As ações, reivindicadas pelo Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU), marcam um desdobramento significativo no conflito e impactam diretamente a capacidade russa de contornar sanções internacionais através do transporte marítimo de petróleo. Os incidentes ocorreram em rápida sucessão, sendo reportados na sexta-feira (28) e no sábado (29).
De acordo com um funcionário do SBU, que confirmou a autoria dos ataques, os veículos não tripulados subaquáticos empregados nesta operação foram os drones marítimos Sea Baby. Esta iniciativa conjunta, envolvendo o Serviço de Segurança da Ucrânia e a Marinha, aponta para uma estratégia de desestabilização das rotas de suprimento energético de Moscou, que tem utilizado uma vasta rede de embarcações para exportar seu petróleo. Até o momento, a Rússia não se pronunciou oficialmente sobre os incidentes, mantendo silêncio sobre as acusações de Kiev.
Ucrânia atinge navios-tanque da frota russa com drones submarinos
Uma fonte de segurança ucraniana, em declaração à CNN, revelou que ambos os petroleiros afetados pelos ataques dos drones submarinos sofreram danos críticos. A extensão dos prejuízos foi tamanha que as embarcações foram consideradas inoperantes e, na prática, retiradas de serviço. Tal ocorrência representa um golpe considerável para o esquema de transporte de petróleo russo, que se apoia fortemente na sua chamada “frota sombra” para manter suas exportações ativas, burlando as restrições impostas por sanções globais.
A Rússia mobiliza centenas de navios-tanque, muitos dos quais operam sob diferentes bandeiras, com o objetivo claro de transportar seu petróleo para diversos clientes ao redor do mundo. Essa tática é essencial para Moscou driblar as severas sanções internacionais impostas por diversas nações e blocos econômicos. Os ataques recentes dos drones submarinos ucranianos indicam uma escalada na capacidade de Kiev de atingir ativos estratégicos russos em alto-mar, elevando o custo e o risco das operações de exportação de petróleo de Moscou.
Detalhes dos Ataques aos Petroleiros no Mar Negro
O navio-tanque Virat, que navega sob bandeira da Gâmbia, foi um dos alvos dos ataques ucranianos, sendo atingido novamente no sábado, após já ter sofrido danos no dia anterior. Informações divulgadas pelo Ministério dos Transportes da Turquia indicam que, apesar dos danos, a parte da embarcação acima da linha d’água apresentou prejuízos menores e não houve registro de incêndio. No momento do incidente, o Virat encontrava-se a aproximadamente 50 quilômetros da costa turca.
Dados de rastreamento do navio revelaram que, na noite de sexta-feira, ele desacelerou e alterou seu curso, direcionando-se para a costa. Embora não houvesse uma solicitação para abandonar a embarcação, o Ministério dos Transportes turco agiu preventivamente, enviando um rebocador especializado em combate a incêndios para o local do incidente. A destinação final do navio-tanque Virat após os ataques permanece incerta, mas os registros de navegação indicavam que ele aguardava ordens no Mar Negro antes dos eventos. O Virat havia sido alvo de sanções por parte dos Estados Unidos em janeiro, operando sob outro nome, e posteriormente recebeu sanções adicionais do Reino Unido e da União Europeia.
Além do Virat, outro petroleiro que transportava petróleo bruto russo, o Kairos, também de bandeira gambiana, foi atingido por uma explosão em uma área próxima do Mar Negro na sexta-feira. Todos os 25 tripulantes que estavam a bordo do Kairos foram resgatados em segurança após o incidente. É importante ressaltar que nenhum dos navios afetados estava em águas jurisdicionais turcas no momento em que foram atingidos pelos ataques. Vídeos divulgados após a explosão mostraram rebocadores turcos atuando no combate a um grande incêndio que eclodira no convés do Kairos, também a cerca de 50 quilômetros da costa da Turquia.

Imagem: Reuters via cnnbrasil.com.br
No sábado, o Ministério dos Transportes turco confirmou que o incêndio no convés aberto do Kairos havia sido contido. O Kairos, uma embarcação de grande porte, possui 275 metros de comprimento e um peso de quase 80 mil toneladas. Este petroleiro também havia sido alvo de sanções da União Europeia no início do ano. Antes do ataque, o navio havia partido de um porto indiano no início do mês, com destino ao porto russo de Novorossiysk, situado no Mar Negro. Os eventos recentes somam-se a uma série de explosões inexplicáveis que ocorreram em navios que transportavam petróleo do Mar Negro para a Rússia no decorrer deste ano.
Implicações e Contexto das Sanções Internacionais
Os ataques recentes no Mar Negro sublinham a crescente vulnerabilidade da infraestrutura marítima russa e a determinação ucraniana em desmantelar os esforços de Moscou para financiar sua campanha militar. A utilização de drones submarinos demonstra uma capacidade tecnológica avançada por parte da Ucrânia e representa uma ameaça persistente para as operações navais e comerciais russas na região. O Mar Negro, por sua importância estratégica como via de acesso a portos essenciais e rotas comerciais, tornou-se um palco crucial para a disputa.
A frota sombra russa é uma rede complexa e diversificada que opera com o objetivo primário de contornar as severas sanções econômicas impostas por potências ocidentais. Ao utilizar embarcações registradas em diferentes países e frequentemente mudando de bandeira ou de nome, a Rússia busca ocultar a origem e o destino de seu petróleo, dificultando o rastreamento e a aplicação das penalidades. Contudo, incidentes como os que atingiram o Virat e o Kairos revelam as fragilidades dessa estratégia e o impacto direto que os ataques ucranianos podem ter na logística de suprimentos energéticos russos. Para mais informações sobre as sanções aplicadas contra a Rússia, é possível consultar os detalhes divulgados pelo Conselho da União Europeia.
Tanto o Virat quanto o Kairos haviam transitado pelo Estreito de Bósforo para acessar o Mar Negro. Dados de navegação divulgados no sábado indicaram que outros navios, igualmente sancionados por transportar petróleo bruto russo, utilizavam a mesma rota. Esta constatação reforça a importância estratégica do Bósforo como gargalo marítimo e a necessidade de monitoramento contínuo de embarcações que possam estar envolvidas em atividades de evasão de sanções, tornando a região um ponto nevrálgico no cenário geopolítico atual.
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Em suma, os ataques com drones submarinos ucranianos contra navios-tanque russos no Mar Negro representam um evento crítico no conflito, afetando a capacidade de Moscou de contornar sanções e financiar suas operações. A reescrita dos fatos mantém a credibilidade e os dados originais, detalhando o impacto nos petroleiros Virat e Kairos e suas implicações. Para continuar acompanhando os desdobramentos sobre política internacional e seus impactos econômicos, explore nossa editoria de Política.
Crédito da imagem: CNN Brasil







