As vendas da Black Friday na última sexta-feira, dia 28 de novembro, atingiram um faturamento de R$ 4,76 bilhões, marcando um crescimento de 11,2% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Contudo, apesar do avanço, a data principal do evento demonstrou uma desaceleração notável em sua performance de vendas, especialmente quando comparada aos dias que a antecederam.
O desempenho registrado na sexta-feira ficou aquém do observado na quinta-feira, dia 27 de novembro, quando o comércio eletrônico havia reportado uma impressionante alta de 34% frente ao ano passado. Da mesma forma, a manhã da própria sexta-feira havia apresentado uma expansão mais robusta, com um crescimento de 24,5% na comparação com o intervalo matutino do ano anterior. Essa moderação na taxa de crescimento ao longo do dia principal sugere uma possível concentração de compras nos períodos iniciais do evento.
Vendas Black Friday Crescem 11,2% com Desaceleração
É crucial notar que o aumento de pouco mais de 11% no faturamento não considera o impacto da inflação acumulada no período. Ao descontar a variação dos preços, o crescimento real em volume de vendas provavelmente se situou em um patamar de dígito único, indicando que o poder de compra do consumidor pode ter sido um fator limitante para um desempenho ainda mais expressivo.
Apesar da desaceleração em relação à quinta-feira e à manhã da sexta, o índice de crescimento nominal de 11,2% superou o resultado do ano passado, quando a Black Friday havia fechado com uma alta de 10% no faturamento. O resultado se manteve dentro das projeções estabelecidas por associações e empresas de análise de dados, que estimavam um crescimento nominal para o período entre 7% e 17,7%, a depender da fonte e metodologia da pesquisa.
Os dados detalhados para esta análise foram compilados e divulgados pela Plataforma Hora Hora da Confi Neotrust, uma empresa especializada no monitoramento e coleta de informações sobre o desempenho do comércio eletrônico no Brasil. A metodologia do levantamento envolveu a consolidação das vendas realizadas desde a 0h até as 23h59 do dia 28 de novembro, e a comparação foi estabelecida com os números de 29 de novembro do ano anterior, que correspondeu à data da Black Friday daquele período.
Em termos de volume financeiro, o faturamento de R$ 4,76 bilhões registrado nesta edição superou em R$ 0,5 bilhão o montante alcançado no ano passado, que foi de R$ 4,27 bilhões. Essa diferença representa um avanço significativo, sublinhando a capacidade do evento de continuar gerando volume de negócios. Analisando um panorama mais amplo, o resultado atual mostra um incremento de 20% em relação às vendas de 2023 e de 11,6% na comparação com 2022.
Contudo, mesmo com os avanços observados, o desempenho da Black Friday deste ano ainda se mantém dentro da média recente e não conseguiu ultrapassar o pico de crescimento histórico alcançado em 2020. Naquele ano, impulsionada por fatores como o isolamento social e a forte migração para o ambiente digital, a Black Friday registrou um crescimento expressivo de 31%, estabelecendo um marco para o comércio eletrônico.
No que tange às categorias de produtos que mais se destacaram nas vendas, o setor de eletrônicos e eletrodomésticos manteve sua proeminência. As televisões lideraram o ranking, gerando um faturamento de R$ 443,2 milhões. Em seguida, os smartphones ocuparam a segunda posição, com vendas totalizando R$ 388 milhões. As geladeiras e refrigeradores completaram o pódio das três categorias mais vendidas, contribuindo com R$ 273,2 milhões para o faturamento total.

Imagem: valor.globo.com
Um ponto de destaque, conforme o levantamento da Neotrust, foi o bom desempenho do segmento de produtos para casa. A soma das vendas de grandes eletrodomésticos essenciais, como geladeiras, máquinas de lavar e aparelhos de ar condicionado, ultrapassou a marca de R$ 0,5 bilhão. Este resultado sublinha a relevância desses itens para o consumidor durante o período promocional, indicando uma busca por bens duráveis e melhorias no lar.
A análise da movimentação de pedidos também oferece insights valiosos sobre o comportamento do consumidor. O número total de pedidos finalizados na data da Black Friday foi de 8,69 milhões, o que representa um aumento substancial de 28% em relação aos 6,74 milhões de pedidos registrados no ano passado. Esse crescimento expressivo na quantidade de transações, no entanto, veio acompanhado de uma mudança no tíquete médio.
O tíquete médio, que reflete o valor gasto por compra concluída, registrou uma queda de 12,8%, passando de R$ 634,40 na Black Friday do ano anterior para R$ 553,60 nesta edição. Essa redução no valor médio por pedido, combinada com o aumento do volume de compras, sugere uma estratégia por parte dos consumidores de adquirir mais itens, mas com um gasto individual menor em cada transação. Isso pode indicar uma busca por promoções mais agressivas ou a preferência por produtos de menor valor unitário, otimizando o orçamento disponível.
Vale ressaltar que os dados apresentados são focados exclusivamente no comércio eletrônico. O varejo físico, que ainda responde pela maior parcela das vendas do comércio brasileiro, aproximadamente 85%, não possui pesquisas consolidadas e publicadas para o período, o que impede a realização de comparações e uma análise mais completa do cenário geral da Black Friday no país. Para mais informações sobre o setor de e-commerce no Brasil, você pode consultar a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm).
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Em suma, a Black Friday demonstrou um crescimento nominal positivo de 11,2% em seu dia principal, superando o ano anterior e mantendo-se dentro das expectativas do mercado. Contudo, a desaceleração em relação aos dias antecedentes e a queda no tíquete médio apontam para um comportamento do consumidor mais cauteloso e focado em volume de compras com menor valor unitário. O setor de e-commerce continua sendo um pilar fundamental para o evento, e acompanhar suas métricas é essencial para entender as tendências de consumo no país. Continue explorando as últimas notícias e análises do mercado em nossa editoria de Economia.
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil







