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Brasil é Vice-Campeão em Alta de Preço de Figurinhas da Copa

Economia

O preço das figurinhas da Copa do Mundo registrou um aumento expressivo no Brasil, colocando o país na segunda posição global em termos de alta desde o mundial de 2018. A paixão por completar o álbum do torneio, que já é uma tradição para milhões de brasileiros, tornou-se significativamente mais cara para os colecionadores e entusiastas do futebol.

Um levantamento detalhado conduzido pelo economista-chefe da Neo Investimentos, Luciano Sobral, revelou que os pacotes de figurinhas tiveram uma valorização de 150% no Brasil nos últimos quatro anos, ficando atrás apenas do Uruguai no ranking mundial. O estudo, que Sobral batizou de “Stickernomics”, é uma atualização de uma pesquisa similar que ele havia desenvolvido em 2018, quando ainda atuava no Santander, destacando a evolução dos custos desse item tão cobiçado.

O fenômeno de encarecimento das figurinhas não é isolado, refletindo um cenário econômico global complexo. O período entre 2018 e 2022 foi marcado por uma série de eventos disruptivos, como a pandemia de Covid-19, conflitos geopolíticos e fenômenos climáticos extremos, que impulsionaram a inflação mundial a níveis não vistos desde a década de 1970. Dentro deste contexto de forte pressão inflacionária, o mercado de colecionáveis, incluindo as

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, não conseguiu escapar dos impactos nos custos, conforme observado por Sobral.

Ao analisar a amostra de países, o economista da Neo Investimentos destacou que, ao remover os casos considerados “outliers” – Egito, Turquia e Argentina, que apresentaram aumentos desproporcionais de 281%, 920% e 13.229%, respectivamente –, o custo médio por figurinha na amostra subiu 48%. Este percentual representa cerca de oito pontos acima da inflação média observada nos países correspondentes. No entanto, essa média encobre disparidades extremas, como os notáveis 150% de alta registrados tanto no Brasil quanto no Uruguai para os desejados pacotinhos.

Sobral aponta que, especificamente no mercado brasileiro, os valores dos pacotes de figurinhas já haviam dobrado entre as edições da Copa de 2014 e 2018. Essa persistente escalada de preços sugere duas possibilidades principais: ou os custos operacionais locais, envolvendo impressão e distribuição, estão em constante elevação, ou as margens de lucro da Panini, empresa responsável pela fabricação, estão se tornando extraordinariamente elevadas. Por outro lado, o levantamento indicou uma queda nominal nos preços em nações como Hungria, Polônia e, de forma menos surpreendente, na Suíça.

Para os investidores com um olhar apurado para oportunidades de arbitragem no mercado internacional de figurinhas, a análise de Sobral sugere que a estratégia mais lucrativa seria adquirir os pacotes no Peru e revendê-los na Dinamarca. Em valores nominais, expressos em dólar americano, a Dinamarca se destaca por ter as figurinhas mais caras do mundo, custando US$ 2,60 por pacote. Este preço representa mais que o dobro do encontrado nos mercados mais acessíveis, como o Peru, onde um pacote sai por US$ 1,10, e o Chile, com valor de US$ 1,20.

A América Latina, de forma geral, apresenta as opções mais econômicas para a aquisição de figurinhas, segundo Sobral. Exceções notáveis incluem Uruguai, Argentina e Equador, países que testemunharam aumentos substanciais de preços em dólar. Em contraste, nações como Polônia, Hungria e Rússia, que anteriormente figuravam entre os mercados mais caros, transitaram para uma categoria de preços mais baixos. Este cenário global de inflação, detalhado por instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI), impactou diversos setores da economia mundial.

Brasil é Vice-Campeão em Alta de Preço de Figurinhas da Copa - Imagem do artigo original

Imagem: Divulgação via valor.globo.com

Por fim, o economista da Neo Investimentos apresentou o “Índice Panini”, uma ferramenta comparativa que visa medir a paridade do poder de compra através do custo das figurinhas. Esse índice revela um dólar americano significativamente mais forte no período recente, em total contraste com a situação de 2018. Naquela época, os preços das figurinhas eram, em média, 26% mais caros fora dos Estados Unidos. Atualmente, os valores são mais elevados em apenas cinco países, e, na média, os consumidores não americanos estão desembolsando 11% menos por figurinha.

Essa tendência está alinhada com o fortalecimento mais amplo do dólar em escala global, que apenas recentemente começou a enfrentar contestações. Conforme o índice de taxa de câmbio real efetiva ampla do Banco de Compensações Internacionais (BIS), o dólar encontra-se hoje aproximadamente 12% mais valorizado do que em abril de 2018, reforça Sobral.

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Em suma, a análise do “Stickernomics” de Luciano Sobral destaca como o aumento do preço das figurinhas da Copa do Mundo no Brasil reflete não apenas a demanda local, mas também complexas dinâmicas econômicas globais e a força do dólar. Para continuar acompanhando as mais recentes análises sobre a economia brasileira e global, não deixe de explorar nossa seção de Economia e se manter informado sobre os impactos desses movimentos no seu dia a dia.

Crédito da Imagem: Silvia Zamboni/Valor

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