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Gadi Eisenkot Desafia Netanyahu nas Eleições de Israel

Economia

O ex-chefe das Forças Armadas de Israel, Gadi Eisenkot, emerge como um proeminente rival político capaz de desbancar o atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nas próximas eleições israelenses. A ascensão de Eisenkot, de 66 anos, ocorre em um cenário de crescentes questionamentos sobre a liderança de Netanyahu, especialmente após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 e os subsequentes conflitos na região.

A trajetória de Eisenkot, marcada por sua imagem de “não político” e um histórico de serviço militar rigoroso, contrasta fortemente com as décadas de Netanyahu no poder e os frequentes escândalos de corrupção que o envolvem. O militar reformado ganhou notável projeção após perder um filho em combate em Gaza, um sacrifício pessoal que ressoa profundamente com a população israelense em um momento de grande comoção nacional.

Gadi Eisenkot Desafia Netanyahu nas Eleições de Israel

A insatisfação com a classe política tradicional é palpável, e as pesquisas indicam que muitos eleitores buscam novas alternativas. O trauma do ataque de 7 de outubro de 2023, seguido por guerras devastadoras, mas muitas vezes inconclusivas, em Gaza, no Líbano e contra o Irã, levou a um profundo ceticismo em relação aos governantes atuais. Este ambiente abriu caminho para figuras como Eisenkot, cuja autenticidade e experiência em segurança são vistas como qualidades essenciais para a liderança do país.

O partido político recém-formado de Eisenkot, “Yashar” – palavra hebraica que significa “reto” ou “honesto” –, demonstra um crescimento significativo. As projeções atuais o colocam como a segunda maior força no Parlamento, superando outros partidos e ficando atrás apenas do Likud de Netanyahu. Embora nem o Yashar nem o Likud consigam obter maioria por si só, o partido de Eisenkot possui uma vantagem estratégica: sua composição e ideologia permitem uma maior flexibilidade para formar uma coalizão governista, ao atrair um espectro mais amplo de forças políticas em Israel. A data exata da eleição ainda não foi definida, mas espera-se que ocorra até o final de outubro, e o sistema parlamentar israelense é conhecido por sua imprevisibilidade, com outros nomes, como o ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, também sendo considerados potenciais protagonistas.

A doutrina de segurança de Eisenkot é amplamente conhecida por sua inflexibilidade. Durante a guerra de 2006 contra o Hezbollah, no Líbano, ele formulou e aplicou a “Doutrina Dahiyeh”, uma estratégia que preconiza a resposta a ataques de grupos militantes com força desproporcional, incluindo a destruição massiva de infraestruturas civis localizadas em áreas controladas por esses grupos. Essa abordagem foi visível nos intensos bombardeios ao bairro de Dahiyeh, em Beirute, reduto do Hezbollah. Em uma conferência recente, Eisenkot reiterou ter implementado essa doutrina com o que ele mesmo descreveu como “ataques desproporcionais”, defendendo que os militares israelenses deveriam ter total liberdade para atacar o Hezbollah em qualquer ponto do Líbano. Ele também criticou a exigência de um cessar-fogo imposta pelo então presidente dos EUA, Donald Trump, considerando que criou uma “realidade insana” que restringe a atuação das forças israelenses. Para ele, as demandas por um Estado palestino são irrelevantes.

Essa postura intransigente em relação aos conflitos em Gaza, no Líbano e contra o Irã, combinada com suas críticas à estratégia de Netanyahu e à gestão das relações com o governo Trump, encontra grande apoio popular em Israel. Isso ocorre mesmo diante dos custos diplomáticos e das críticas por parte de aliados ocidentais, que por vezes questionaram a política externa israelense sob o comando de Netanyahu. A experiência de Eisenkot como integrante do gabinete de guerra responsável pelo conflito em Gaza, mesmo que por um breve período, concedeu-lhe uma plataforma para expressar suas visões, o que resultou em sua saída do cargo por divergências com a liderança de Netanyahu.

A história de Gadi Eisenkot, filho de imigrantes marroquinos, ressoa particularmente entre os eleitores judeus de origem do Oriente Médio e do Norte da África, conhecidos como mizrahis. Este grupo historicamente representa uma base eleitoral crucial para Benjamin Netanyahu. A ascensão de Eisenkot nas Forças de Defesa de Israel (IDF), onde a maioria dos cidadãos presta serviço militar obrigatório, é um testemunho de sua dedicação. Ele foi um dos principais comandantes na guerra contra o Hezbollah em 2006 e serviu como Chefe do Estado-Maior entre 2015 e 2019, o que lhe conferiu credenciais de segurança altamente valorizadas pelos israelenses.

A morte de seu filho, Gal Meir, de 25 anos, em combate em Gaza, em dezembro de 2023, e o falecimento de dois de seus sobrinhos na mesma guerra, intensificaram ainda mais sua imagem de líder com sacrifícios pessoais. Essas perdas tiveram um impacto profundo em Israel, especialmente após quase três anos de conflito que resultaram na morte de centenas de soldados israelenses. “Ele passa a imagem de uma pessoa genuína”, afirmou Eitan Shamir, diretor do Centro Begin-Sadat de Estudos Estratégicos da Universidade Bar-Ilan. Shamir descreve Eisenkot como alguém “muito simpático, não é um político tradicional, é uma pessoa comum, alguém que poderia ser seu vizinho ou colega de trabalho. Não é excessivamente sofisticado. As pessoas sentem que conseguem se identificar com ele.”

Gadi Eisenkot Desafia Netanyahu nas Eleições de Israel - Imagem do artigo original

Imagem: REUTERS via valor.globo.com

Apesar da popularidade de sua imagem autêntica, o campo político de Netanyahu tem tentado explorar algumas características de Eisenkot para questionar sua capacidade, notadamente sua fluência em inglês. A intenção é levantar dúvidas sobre sua aptidão para manter as relações estratégicas do país com seus aliados ocidentais, um aspecto vital da política externa de Israel. Em um cenário político que se inclinou cada vez mais à direita nas últimas décadas, Eisenkot é percebido como um centrista. Suas posições, como a abertura para integrar coalizões com partidos de esquerda e o apoio ao recrutamento militar tanto de árabes quanto de judeus ultraortodoxos (com exceções limitadas), o diferenciam de muitos de seus contemporâneos. Ele ingressou na política há apenas quatro anos, conquistando uma cadeira no Parlamento em 2022 como independente, e após o ataque de 7 de outubro, integrou o gabinete de guerra por oito meses antes de criticar e deixar a liderança de Netanyahu.

O novo partido de Gadi Eisenkot entra na fase de preparação para as eleições com um impulso considerável, impulsionado por seu avanço nas pesquisas. Contudo, a cientista política israelense Tamar Hermann, pesquisadora sênior do Instituto para a Democracia de Israel, adverte que Netanyahu ainda pode reagir. “Netanyahu é, de certa forma, um Houdini da política; ele consegue encontrar uma saída mesmo das situações mais inimagináveis”, disse Hermann, sublinhando a capacidade de recuperação política do atual primeiro-ministro em Israel. Para uma análise aprofundada do cenário político israelense, consulte fontes confiáveis como a BBC News Brasil, seção Oriente Médio.

A ascensão de Gadi Eisenkot representa um momento crucial na política israelense, com sua imagem de líder militar experiente e sua postura linha-dura em segurança, contrastando com a percepção de desgaste da atual liderança. As próximas eleições definirão o futuro de um país em meio a desafios complexos, e a corrida entre Eisenkot e Netanyahu promete ser uma das mais disputadas da história recente. Mantenha-se informado sobre os desdobramentos desta eleição e outros temas relevantes para a política internacional.

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Foto: REUTERS/Clodagh Kilcoyne

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