rss featured 26208 1786931725

Flávio Bolsonaro registra mais de 1,8 mil ameaças de morte

Economia

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) revelou publicamente ter recebido mais de 1.800 ameaças de morte, em um pronunciamento feito à meia-noite do domingo, dia 16. As ameaças teriam surgido logo após o parlamentar declarar sua intenção de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e as milícias como organizações terroristas. A denúncia reflete uma escalada na tensão política e na segurança pessoal do candidato.

Nos últimos meses, o círculo próximo de Flávio Bolsonaro, incluindo sua equipe de campanha, aliados e perfis de apoiadores, tem expressado publicamente a preocupação com a possibilidade de um atentado contra o candidato à Presidência da República. Contudo, detalhes sobre a origem específica dessas ameaças não foram amplamente divulgados.

Flávio Bolsonaro registra mais de 1,8 mil ameaças de morte

De acordo com a equipe do senador, aproximadamente 30 dessas ameaças se desdobraram em investigações conduzidas pela Polícia do Senado Federal, responsável pela segurança de Flávio Bolsonaro tanto em Brasília quanto durante suas viagens. Em um dos casos, o parlamentar informou que agentes da Polícia do Senado conduziram uma pessoa à delegacia, após ela supostamente planejar um ataque contra ele na cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais, na segunda-feira, dia 17.

Em julho, o senador optou por dispensar a escolta da Polícia Federal (PF), que estava assegurada para acompanhá-lo por todo o território nacional. A justificativa apresentada foi a suspeita de que pudessem existir “infiltrados” entre os agentes da corporação, devido ao fato de a PF estar sob a gestão de Andrei Rodrigues, um diretor-geral que teria sido indicado por representantes do Partido dos Trabalhadores (PT). A Diretoria de Proteção à Pessoa (DPP) da PF é uma estrutura especializada, preparada para atender simultaneamente até dez candidaturas, com profissionais atuando em todos os estados e realizando acompanhamento contínuo das agendas de campanha.

A narrativa de um possível atentado ganhou força entre os aliados de Flávio Bolsonaro a partir de dois episódios marcantes. O primeiro ocorreu durante uma viagem do senador aos Estados Unidos, onde participou de uma reunião na Casa Branca e aproveitou a oportunidade para defender a classificação de organizações criminosas como narcoterroristas. O segundo evento que intensificou essas alegações foi uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que sugeriu o “enforcamento de traidores da Pátria”, em uma alusão a uma suposta submissão do adversário ao ex-presidente americano Donald Trump.

Em resposta a um novo discurso de Lula que atacava “traidores da Pátria”, os advogados da campanha de Flávio Bolsonaro, Maria Cláudia Bucchianeri e Tracy Reinaldet, protocolaram uma petição junto ao Supremo Tribunal Federal (STF). O documento alertava para a repetição de discursos de ameaça e incitação à violência por parte do presidente contra o senador. A equipe de comunicação de Flávio tem divulgado notas expressando preocupação com a segurança e o temor diante das “crescentes ameaças à vida de Flávio Bolsonaro”, conforme indicado em um dos comunicados.

Diante do cenário de alerta, novas medidas de segurança foram implementadas pela equipe do senador. Entre elas, destaca-se a ampliação do efetivo de proteção, com o triplo de policiais designados, e o uso permanente de colete balístico por Flávio Bolsonaro. Em nota divulgada em 22 de julho, a campanha detalhou a distribuição das ameaças: 868 ameaças explícitas; 647 manifestações de incitação à violência; 640 referências codificadas; e 133 conteúdos relacionados a planejamento ou oportunidade de ataques.

O senador tem utilizado o colete à prova de balas em seus eventos há meses, inclusive no lançamento oficial de sua campanha em Copacabana, no último domingo. Em uma de suas transmissões ao vivo às quintas-feiras, ele relatou que as ameaças de morte começaram incessantemente após sua defesa da classificação de facções como narcoterroristas. “Em alguns eventos vocês veem como eu tenho que estar de colete à prova de balas. Não posso fazer como eu adoro fazer, de entrar mais no meio da galera, e abraçar e tirar foto, porque pode ter alguém ali no meio mal intencionado, para tentar concluir o que não conseguiram fazer com o meu pai. Mas estou aqui arriscando a minha vida. Tirando a minha família do sossego. Queria pedir a vocês: assumam um pouquinho de risco também”, declarou em 30 de julho. O debate sobre a classificação de organizações criminosas como terroristas no Brasil é complexo e envolve diversas nuances jurídicas e sociais, conforme amplamente noticiado por veículos especializados. Para mais informações sobre a tramitação de projetos de lei relacionados a este tema, você pode consultar as notícias da Agência Senado.

O coordenador da campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN), atribui as ameaças à “esquerda”, que ele descreve como uma “turma mais radical, que se coloca como defensora da democracia, mas é quem mais agride a democracia”. Marinho afirmou ao Estadão que há receio de ataques, mas que “todas as providências” estão sendo tomadas, ressaltando a estrutura de proteção fornecida pela Polícia do Senado, com quem Flávio mantém uma relação desde o início de seu mandato.

Flávio Bolsonaro registra mais de 1,8 mil ameaças de morte - Imagem do artigo original

Imagem: infomoney.com.br

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, reforçou a tese de um possível atentado durante uma entrevista ao canal Rede Comunica Brasil no YouTube. Ele também associou um eventual ataque aos interesses eleitorais da esquerda, declarando: “Flávio tem que tomar muito cuidado com a segurança dele. Cada vez mais vai valer mais a pena assassiná-lo. Porque se tirar o Flávio, quem que resta? Vai ser uma eleição entregue de bandeja para o Lula. Então é contra isso aí que a gente está lutando.”

É importante ressaltar que não existem evidências públicas que comprovem uma orquestração de grupos de esquerda para cometer esses ataques. Em 2022, às vésperas das eleições, foram registrados diversos episódios de violência política, perpetrados por indivíduos de diferentes espectros ideológicos.

Aliados e apoiadores também têm amplificado os alertas de segurança. Em 1º de junho, um vídeo do comunicador Allan dos Santos, em seu canal Timeline do YouTube, alardeava: “EXCLUSIVO: CV planeja matar Flávio Bolsonaro em MG”. O vídeo descrevia supostas conversas em um grupo de WhatsApp que planejavam uma manifestação contra a entrega de um título de cidadão honorário de Belo Horizonte a Flávio, momento em que ocorreria um atentado. O ataque, no entanto, não se concretizou.

Ainda em junho, durante uma entrevista ao canal Auri Verde Brasil no YouTube, o deputado federal Maurício Marcon (PL-RS) comentou uma observação do apresentador Alexandre Pittoli sobre uma suposta “declaração do Lula ontem, pra culminar numa nítida incitação, numa ameaça à vida de Flávio e Eduardo”. Marcon explicou o conceito de “apito de cachorro”, referindo-se a quando um líder emite uma ordem que não é explícita, mas é compreendida por um grupo específico. “Em vez de falar matem o Flávio Bolsonaro, (ele sugere) que lá em 1800 e alguma coisa, alguém, por ter atitudes semelhantes ao que Flávio fez, deveria ser morto. Isso é muito usado por traficantes, esse tipo de pessoas aliadas ao narcopresidente da República”, declarou o parlamentar.

Confira também: Investir em Imóveis na Região dos Lagos

A série de denúncias e o aumento das medidas de segurança em torno de Flávio Bolsonaro sublinham a gravidade do cenário de ameaças políticas no Brasil. O caso, que envolve desde investigações policiais até petições ao STF e declarações de aliados, permanece sob o escrutínio público e reforça a necessidade de vigilância constante. Para continuar acompanhando as análises e desdobramentos sobre este e outros temas da política brasileira, mantenha-se conectado à nossa editoria de Análises.

Crédito da imagem: Agência Senado

Deixe um comentário