A campanha presidencial de 2026 teve seu pontapé inicial neste domingo, 16 de agosto, com os principais nomes na disputa percorrendo ruas e praças em seus respectivos redutos eleitorais. O calendário da Justiça Eleitoral permitiu o começo dos atos de campanha em todo o território nacional a partir desta data.
De acordo com a legislação específica para as eleições e as determinações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a realização de atividades de campanha está liberada até o dia 3 de outubro, um dia antes do primeiro turno do pleito. Comícios, por exemplo, podem ser realizados entre 8h e meia-noite, com limite até 1º de outubro. Para mais detalhes sobre as regras eleitorais, consulte o Tribunal Superior Eleitoral.
Campanha Presidencial 2026: Candidatos Iniciam Atos Oficiais
A corrida pela cadeira presidencial de 2026 já apresenta contornos definidos com o início oficial das campanhas. Os presidenciáveis buscam consolidar suas bases eleitorais e apresentar suas plataformas aos eleitores em diferentes regiões do país. A estratégia inicial de focar em redutos conhecidos reflete a importância de mobilizar apoiadores e conquistar visibilidade logo nos primeiros dias.
Flávio Bolsonaro (PL) na Praia de Copacabana
Flávio Bolsonaro, representando o Partido Liberal (PL), deu início à sua campanha para a Presidência da República em um local simbólico: a Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. Este ponto tem sido palco de inúmeras manifestações pró-Bolsonaro ao longo dos anos, incluindo atos em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, que está sob investigação por tentativa de golpe de Estado. Por volta das 11h30, Flávio Bolsonaro subiu ao carro de som, vestindo uma camiseta com a frase “Meu Partido é o Brasil”, nas cores da bandeira nacional. Ele estava acompanhado de seu candidato a vice, Alfredo Gaspar, de sua mãe, Rogéria, que também é candidata, e de sua esposa, Fernanda.
Durante seu discurso, Flávio Bolsonaro reproduziu áudios de seu pai, Jair Bolsonaro, nos quais ele refletia sobre a família após o atentado que sofreu. O candidato prometeu dar continuidade ao legado do ex-presidente que esteve à frente do país entre 2019 e 2022. “Sei que pareço com ele [Jair, pela semelhança física]. Mas é difícil comparar o filho do Pelé com o Pelé”, declarou Flávio no começo de sua fala, para uma plateia de milhares de pessoas reunidas na praia.
Em sua explanação, o candidato do PL defendeu seu pai, Jair Bolsonaro, afirmando que sua prisão foi injusta. Ele também se comprometeu, caso seja eleito, a nomear quatro novos ministros para o Supremo Tribunal Federal (STF), selecionando tanto “homens e mulheres” para as vagas. Atualmente, a Corte conta com apenas uma mulher em sua composição, a ministra Cármen Lúcia.
A pauta da segurança pública dominou grande parte do discurso de Flávio Bolsonaro. Ele propôs classificar milícias e organizações de tráfico de drogas como “terroristas”, além de defender a redução da idade penal, o combate intensivo a roubos e furtos, e a diminuição dos elevados índices de feminicídio no país. No âmbito econômico, o candidato criticou a alta taxa de juros no Brasil, com a Selic fixada em 14% ao ano, e prometeu implementar medidas para aliviar a inflação que afeta a classe média. Sugeriu um “tesouraço” nos primeiros dias de governo, com cortes de gastos e de cargos públicos.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em São Bernardo do Campo
O atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), iniciou oficialmente sua busca pelo quarto mandato presidencial. O comício de lançamento aconteceu no Estádio da Vila Euclides, localizado em São Bernardo do Campo, na Região Metropolitana de São Paulo. “A partir de hoje, só vamos dormir direito em 5 de outubro. Cada militante nosso tem de andar com a comparação do que nós fizemos e do que os outros fizeram”, declarou Lula a um estádio lotado, incentivando a participação ativa de sua militância na campanha.
A escolha do local para o primeiro ato de campanha de Lula não foi aleatória, evocando sua trajetória política. O Estádio da Vila Euclides foi palco de históricas assembleias de operários metalúrgicos do ABC paulista, onde ocorreram greves decisivas que pressionaram a ditadura militar em 1979, período em que o regime já demonstrava sinais de enfraquecimento.
O evento serviu para delinear as principais propostas da campanha petista, enfatizando a defesa da soberania nacional, as pautas sociais e as divergências com os partidos de direita, abordando temas como o papel da mulher na sociedade e as distintas visões sobre segurança pública. Em sua sétima candidatura à presidência, Lula reiterou que, enquanto estiver vivo, não permitirá o retorno de uma direita que, segundo ele, foi responsável pela morte de crianças por falta de remédios e de 400 mil pessoas pela ausência de vacinas.
O comício também serviu de plataforma para representantes de outros estados, com a presença de políticos do PT de diversas regiões do país. Benedita da Silva, candidata ao Senado pelo Rio de Janeiro, foi a responsável por representar os candidatos ao legislativo. Em relação à segurança pública, Lula defendeu propostas já em andamento, como a criação de um Ministério da Segurança Pública e a possível aprovação de uma lei de combate ao crime organizado, ressaltando a importância de identificar os grandes beneficiários das atividades criminosas.
Ronaldo Caiado (PSD) em Goiás
Ronaldo Caiado, candidato à presidência pelo Partido Social Democrático (PSD), optou por iniciar sua campanha em Goiás. O estado foi governado por ele de 2019 a março deste ano e, de acordo com pesquisas eleitorais, Caiado lidera as intenções de voto na região. Acompanhado por apoiadores, o candidato percorreu municípios goianos no entorno do Distrito Federal, visitando cidades como Águas Lindas de Goiás, Santo Antônio do Descoberto, Novo Gama, Valparaíso e Cidade Ocidental, concluindo seu primeiro ato em Luziânia.

Imagem: Fernando Frazão via agenciabrasil.ebc.com.br
Caiado, que declara estar disputando o pleito com o objetivo de retirar o PT do poder, garantiu que, caso não avance para o segundo turno, não apoiará a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Essa posição contraria uma declaração feita no sábado pelo presidente do PSD e vice na chapa de Caiado, Gilberto Kassab, que havia afirmado que os partidos do chamado Centrão estariam alinhados com Lula.
O ex-governador de Goiás salientou ser o único político com mandato no Brasil que nunca prestou apoio a Lula. Ele acrescentou que, no primeiro turno, a população terá a oportunidade de escolher o candidato de oposição que enfrentará o atual presidente no segundo turno. “Não adianta lançar um candidato [de oposição] que, ao chegar lá, vai ter que ficar explicando seus problemas. Este não ganha a eleição”, comentou o político goiano, ao ser questionado por jornalistas sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), que o supera nacionalmente nas pesquisas de intenção de votos.
Caiado afirmou que, durante sua gestão à frente do governo de Goiás, implementou melhorias significativas nas áreas de segurança pública, educação e saúde. Ele enfatizou a necessidade de os eleitores analisarem as propostas dos candidatos que visam promover a responsabilidade orçamentária e o equilíbrio fiscal.
Romeu Zema (Novo) em Montes Claros
Romeu Zema, candidato à presidência pelo Partido Novo, deu início à sua campanha eleitoral em Montes Claros, no Norte de Minas Gerais, neste domingo. A agenda do ex-governador mineiro incluiu a participação em uma missa na Paróquia Nossa Senhora da Conceição e São José, seguida de um almoço com candidatos de seu partido que concorrem a cargos de deputado federal.
Em seu discurso na cidade, Zema criticou a administração do governo Lula e expressou confiança de que estará presente no segundo turno das eleições. O candidato do Novo destacou propostas focadas em segurança pública e combate à corrupção. “O que eu fiz aqui [em Montes Claros] eu vou fazer no Brasil. Sem roubalheira, sem corrupção e com gente competente”, afirmou ele em sua fala.
Renan Santos (Missão) no Largo São Francisco
O primeiro evento de campanha de Renan Santos, candidato pelo partido Missão, ocorreu no Largo São Francisco, localizado no centro de São Paulo. O ato contou com a presença do deputado federal Kim Kataguiri, do ex-deputado estadual Arthur do Val, de Amanda Vettorazzo, entre outros apoiadores. Santos abordou temas como empreendedorismo, segurança pública e criticou o assistencialismo em sua plataforma de campanha. “Nós estamos aqui para colocar o nosso nome na história como a geração que alterou o destino de uma das maiores nações do mundo”, declarou ele ao público presente.
Augusto Cury (Avante) em Santa Luzia
Augusto Cury, do Avante, também iniciou sua campanha presidencial neste domingo. Ele esteve em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG), onde apresentou seu plano de governo, com foco em projetos a serem implementados na área da Saúde. O candidato prometeu que seu mandato será pautado pela escuta das pessoas. Em diálogo com a imprensa e com o público, Cury descreveu sua visão sobre a política brasileira atual: “Nós não estamos em dois barcos, direita e esquerda, esquerda e direita. Estamos num barco só chamado família brasileira. Quem dirige esse barco tem de dirigir com responsabilidade.”
Hertz Dias (PSTU) na Avenida Paulista
Hertz Dias, candidato do PSTU, professor da rede pública e ativista do movimento negro, realizou seu primeiro ato de campanha caminhando com correligionários e apoiadores pela Avenida Paulista, em São Paulo, e por ruas de São José dos Campos, no interior paulista. O socialista apresentou aos eleitores com quem conversou uma de suas principais propostas de governo: a reestatização das empresas estratégicas do país. “O Brasil produz riquezas imensas. O problema é que essa riqueza está nas mãos de uma minoria de banqueiros, [empresas] multinacionais e grandes empresários”, declarou o candidato maranhense. Dias defendeu que sua campanha está ao lado dos trabalhadores, que, segundo ele, são os verdadeiros produtores da riqueza nacional, e propôs a construção de uma alternativa à concentração de capital que impõe sacrifícios à maioria da população.
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O início da campanha presidencial de 2026 marca o aquecimento do cenário político, com cada candidato buscando solidificar sua posição e apresentar suas propostas para o futuro do Brasil. Acompanhe a cobertura completa das Eleições 2026 em nossa editoria de Política para ficar por dentro de todos os desdobramentos desta disputa eleitoral.
Crédito da Imagem: Paulo Pinto e Fernando Frazão/ Agência Brasil







