O primeiro debate Governo MG, que reuniu cinco dos principais candidatos à chefia do Executivo estadual, ocorreu na noite de 16 de agosto, promovido pela Band. O evento proporcionou aos eleitores mineiros um panorama das plataformas e visões dos postulantes ao cargo, em um momento crucial da campanha eleitoral. Candidatos como Flávio Roscoe (PL), Gabriel Azevedo (MDB), Mateus Simões (PSD), Alexandre Kalil (PDT) e Cleitinho Azevedo (Republicanos) estiveram presentes para defender suas ideias, enquanto Patrus Ananias (PT), também convidado, não pôde comparecer devido a conflito de agenda.
Flávio Roscoe, que foi o primeiro a chegar à emissora, articulou sua estratégia para o debate, enfatizando que seu foco principal era o eleitorado, e não os demais adversários. Ele destacou a complexa dinâmica política, especialmente em relação ao senador Cleitinho Azevedo, com quem o PL havia inicialmente cogitado uma aliança. Contudo, após indecisões por parte do senador, a legenda optou por lançar candidatura própria, escolhendo Roscoe, então presidente afastado da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). Roscoe foi direto ao afirmar que, apesar de possíveis convergências ideológicas, a disputa pelo mesmo cargo os colocava em lados opostos na arena eleitoral. A pauta do debate reforçou a clareza nas propostas e a busca por destaque individual.
Debate Governo MG: Candidatos Apresentam Propostas na Band
Ao abordar a relevância dos apoios políticos, Roscoe ressaltou a importância do suporte do candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), qualificando-o como fundamental para sua campanha, juntamente com o de dezenas de outros líderes. O candidato do PL havia participado, pela manhã do mesmo dia do debate, de um evento de lançamento de campanha de Bolsonaro no Rio de Janeiro, com a agenda prevendo a presença do senador Bolsonaro em um evento de campanha de Roscoe em Belo Horizonte no dia seguinte, sublinhando a estratégia de alinhamento com figuras nacionais.
Gabriel Azevedo (MDB), por sua vez, utilizou uma metáfora para descrever o processo eleitoral, comparando a escolha de um governador não a uma “aposta”, mas a um exercício de análise criteriosa. Ele instou os eleitores a compararem os planos de governo e as propostas, sublinhando a necessidade de um gestor que dialogue com qualquer presidente da República, independentemente da orientação ideológica. Azevedo criticou fortemente a gestão da dívida pública mineira, alertando sobre a irresponsabilidade de alguns em “subestimar a dívida”, tratando-a como um problema menor. O candidato do MDB destacou a grave situação financeira do estado, apontando que, até o final de 2025, R$ 179,3 bilhões em dívidas foram reconhecidos. Ele argumentou que a responsabilidade fiscal implica não gastar mais do que se arrecada, cumprir condicionantes de depósito de fundo e ser transparente com o povo mineiro. Fez uma crítica direta à administração de Romeu Zema (Novo) e de Mateus Simões, atual governador e candidato à reeleição, afirmando que a gestão deixava uma dívida duplicada e um déficit similar ao de 2019. A preocupação com a sustentabilidade fiscal do estado é um ponto central em sua campanha.
Mateus Simões (PSD), candidato à reeleição, demonstrou tranquilidade diante do debate e das inevitáveis interrogações dos adversários. Ele optou por focar na oportunidade de apresentar suas propostas ao povo de Minas Gerais, rechaçando a ideia de que a eleição seria um “concurso de beleza” ou “simpatia”, mas sim uma prova de capacidade administrativa para os próximos quatro anos. Simões se posicionou como um candidato de centro-direita e defendeu que o mais importante é a habilidade de resolver os problemas do estado. Ele argumentou que as questões de Minas Gerais, sejam na saúde, segurança, educação ou infraestrutura, não têm cor ideológica, mas afetam diretamente a vida das pessoas na capital e no interior, necessitando de um governo capaz de entregar soluções eficazes.
Alexandre Kalil (PDT), ex-prefeito de Belo Horizonte, expressou seu desejo de promover uma transformação em Minas Gerais. Ele dirigiu críticas ao Programa de Reestruturação e Ajuste Fiscal (Propag), concebido para renegociar as dívidas dos estados com a União. Kalil apontou que o projeto foi aprovado por unanimidade no Senado Federal, com 75 senadores que, segundo ele, provavelmente nunca haviam visitado Minas Gerais para compreender a realidade local, evidenciando uma desconexão entre as decisões federais e as necessidades estaduais. Essa crítica ressalta a complexidade das relações federativas e a percepção de uma centralização excessiva de poder decisório.

Imagem: Junia Garrido via valor.globo.com
Cleitinho Azevedo (Republicanos) apresentou a renegociação da dívida do estado com a União como sua principal proposta, manifestando abertura para dialogar com qualquer presidente que for eleito em 2027, seja Lula, Flávio Bolsonaro, Renan ou Zema. Para ele, o diálogo é fundamental para resolver a questão da dívida. Além disso, o senador propôs uma revisão das isenções fiscais, que neste ano totalizaram R$25 bilhões. Ele defendeu que empresas que não oferecem contrapartida adequada ao estado devem arcar com seus impostos, equiparando as obrigações dos grandes contribuintes aos pequenos. Outras propostas fiscais incluíam o corte da cobrança de impostos sobre contas de energia e água para famílias de baixa renda e a redução da alíquota de IPVA de 4% para 3%, buscando aliviar a carga tributária sobre os cidadãos mineiros. A discussão sobre a dívida pública de estados brasileiros, como a de Minas Gerais, é um tema recorrente na política nacional, conforme abordado por veículos de imprensa especializados em economia e política, como se pode verificar em matérias sobre o regime de recuperação fiscal de estados.
O debate na Band foi um palco para os candidatos do Governo de Minas Gerais exporem suas prioridades e diferenciarem suas plataformas. Desde as estratégias de Roscoe para alcançar o eleitor, as críticas de Gabriel à dívida e à saúde, as propostas de gestão de Simões, as ponderações de Kalil sobre a União, até as soluções fiscais de Cleitinho, o evento ofereceu aos mineiros elementos essenciais para a tomada de decisão. As discussões revelaram as diversas abordagens para os desafios do estado, desde a gestão fiscal até a oferta de serviços públicos.
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Em suma, o primeiro embate televisionado entre os concorrentes ao Palácio da Liberdade sublinhou a multiplicidade de visões e a complexidade dos problemas que Minas Gerais enfrenta. As propostas apresentadas no debate Governo MG reforçam a importância de os eleitores se aprofundarem nos planos de cada candidato para fazer uma escolha informada. Para mais análises e notícias aprofundadas sobre política e eleições, continue acompanhando nossa editoria.
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