TÍTULO: Crescimento de Bullying e Cyberbullying no Brasil: Causas e Soluções
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META DESCRIÇÃO: Descubra por que os casos de bullying e cyberbullying cresceram mais de 65% no Brasil em 2025. Entenda as causas e as estratégias essenciais para combater a intimidação sistemática.
Os registros de bullying e cyberbullying no Brasil apresentaram um crescimento alarmante, superando 65% em 2025 comparado ao ano anterior. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgados em julho, revelam que a intimidação sistemática e sua modalidade virtual tornaram-se um desafio cada vez mais presente no cotidiano de crianças e adolescentes brasileiros.
No total, foram documentados 5.226 incidentes em 2025. Destes, 4.549 correspondem a casos de bullying e 677 a cyberbullying. Essa estatística contrasta significativamente com os números de 2024, quando 2.736 ocorrências de bullying e 452 de cyberbullying foram registradas. É crucial destacar que ambos os comportamentos foram formalmente tipificados como crimes no Código Penal brasileiro em 2024, por meio da Lei 14.811/2024, que define a “intimidação sistemática” e a “intimidação sistemática virtual”. Para mais detalhes sobre a legislação, consulte o texto completo da Lei 14.811/2024 no Portal do Planalto.
Crescimento de Bullying e Cyberbullying no Brasil: Causas e Soluções
Embora os números possam, à primeira vista, sugerir uma explosão sem precedentes da violência juvenil, especialistas alertam para a complexidade por trás desses dados. O aumento não reflete apenas um incremento nos atos de violência, mas também é resultado de uma combinação de fatores. A entrada em vigor da legislação que criminalizou essas práticas, por exemplo, incentivou famílias e instituições de ensino a denunciar mais. Além disso, as transformações nas interações entre jovens, cada vez mais influenciadas pelo ambiente digital, contribuem para esse cenário. Benjamim Horta, fundador do Programa Escola Sem Bullying, que atua desde 2012 na prevenção, enfatiza a necessidade de cautela: “É importante sermos cuidadosos na análise desses dados, para que não atribuirmos esse número somente ao aumento do comportamento do bullying em si, mas ao impacto que a aprovação da lei tem na nossa sociedade.”
O bullying, definido legalmente como intimidação sistemática, caracteriza-se por agressões repetidas – sejam elas físicas, verbais, psicológicas ou sociais – com o propósito de constranger, humilhar ou excluir a vítima, estabelecendo uma relação de poder desigual. Esse fenômeno não se restringe ao ambiente escolar, podendo ocorrer em diversos contextos.
Por sua vez, o cyberbullying transporta essa dinâmica de violência para o universo digital. Ofensas, edições de imagens sem permissão, disseminação de fotos não autorizadas, criação de perfis falsos e campanhas de difamação se espalham rapidamente por aplicativos de mensagens e redes sociais. Essa característica do ambiente virtual permite que o conteúdo atinja um número massivo de pessoas, tornando a violência mais difícil de ser contida e sem horários definidos, o que é um desafio adicional, segundo especialistas.
Perfil das Vítimas e o Papel do Ambiente Digital
Apesar de poder afetar indivíduos de todas as idades, o **bullying e cyberbullying** incidem predominantemente sobre crianças e adolescentes. Especialistas consultados pela DW explicam que este período da vida é marcado pela crucial fase de construção da identidade. A intensa busca por pertencimento, o medo da rejeição e a necessidade de aceitação social transformam características físicas, sociais ou comportamentais em potenciais alvos de exclusão.
O Anuário Brasileiro de Segurança Pública corrobora essa concentração etária: em 2025, a maioria das vítimas (48%) tinha entre 10 e 13 anos, seguida de perto por adolescentes de 14 a 17 anos, que representaram 45% dos casos. Glicia Brazil, psicóloga e vice-presidente da Comissão da Infância e Juventude do Ibdfam, detalha que pré-adolescentes de 10 a 13 anos “tendem a se expor mais, compartilhar mais conteúdo sem filtro e cair com mais facilidade em armadilhas e provocações tendo em vista o próprio grau de maturidade.” Já para os adolescentes, ela acrescenta que “a puberdade traz transformações físicas muito aceleradas e muitos, por exemplo, não estão adequados aos padrões que as redes sociais impõem. Essas pessoas acabam ficando mais inseguras, com baixa autoestima e mais vulneráveis.”
Outro fator que contribui para essa prevalência é a formação ainda incompleta de habilidades socioemocionais, como empatia, controle emocional e resolução de conflitos, nessa faixa etária. A ausência de estímulo adequado a essas competências pode levar à consolidação de comportamentos agressivos como forma de buscar reconhecimento ou exercer poder sobre quem é visto como mais frágil.
As redes sociais redefiniram a dinâmica da violência. A interconectividade permite que amizades e conflitos aconteçam simultaneamente no ambiente físico e no digital. As plataformas amplificam o alcance das humilhações, enquanto o aparente anonimato pode reduzir a percepção de responsabilidade do agressor. Os algoritmos, por sua vez, tendem a favorecer conteúdos que geram fortes reações emocionais, incluindo ofensas e exposições públicas, perpetuando o ciclo da violência.
O resultado é uma violência que não cessa. Comentários pejorativos, vídeos adulterados, rumores e imagens manipuladas podem persistir on-line mesmo após a resolução do conflito inicial, prolongando o sofrimento da vítima e dificultando seu processo de recuperação emocional. Por isso, o enfrentamento eficaz do **bullying e cyberbullying** vai além da mera punição, exigindo a construção de uma cultura de convivência pautada no respeito, na educação digital e no desenvolvimento de competências socioemocionais desde a infância.
Estratégias para Mudar o Cenário de Violência
O combate ao bullying e cyberbullying, segundo especialistas, deve priorizar a prevenção. Isso implica transformar as escolas em ambientes capazes de identificar os primeiros sinais de conflito, antes que evoluam para episódios de violência recorrente. A formação continuada de educadores – professores, coordenadores e outros profissionais – é essencial para que possam reconhecer indícios de intimidação, exclusão social e sofrimento emocional entre os estudantes.
A criação de mecanismos eficazes de responsabilização dos agressores é outra frente crucial. As instituições de ensino precisam dispor de canais de denúncia seguros e confidenciais, além de protocolos de investigação claros e com prazos definidos. Ana Paula Siqueira Lazzareschi de Mesquita, advogada, socióloga e presidente da SOS Bullying, destaca: “A escola tem que ter um programa de combate ao bullying estruturado e documentado. Ter um canal de denúncia auditável onde possam ser feitas denúncias anônimas para que essa vítima tenha coragem de denunciar. Também tem que ter protocolos antibullying com prazos bem determinados para ouvir a vítima, o agressor e finalizar o caso. Tudo é preciso estar documentado.” É fundamental, ainda, implementar um plano individual de proteção para a vítima, garantindo o sigilo da denúncia e prevenindo retaliações.
O suporte psicológico é vital, tanto para as vítimas quanto para os agressores. Muitas vezes, o comportamento agressivo está enraizado em problemas familiares, emocionais ou sociais que demandam atenção. Glicia Brazil complementa que é crucial “atender o autor da conduta, sem rotulá-lo permanentemente como agressor, porque isso também cria um estigma, fazendo com que ele se torne uma pessoa segregada. Quem pratica bullying não percebe o quanto isso gera dor no outro e essa empatia precisa ser trabalhada no agressor. Tem que ser uma ação conjunta de tratar a vítima e o agressor.”
A participação familiar é igualmente indispensável. Os pais devem ser orientados a identificar mudanças de comportamento em seus filhos, manter um diálogo aberto e constante. Benjamim Horta aponta que “o principal sinal de que uma criança ou adolescente está sendo vítima é a mudança de comportamento. Alguns passam a ficar mais tristes ou depressivos, têm uma resistência para ir à aula ou para realizar atividades com os colegas, queda inexplicável no rendimento escolar, hematomas, ferimentos sem explicação ou até mesmo material danificado.” No contexto do cyberbullying, a educação digital torna-se fundamental, capacitando jovens sobre o uso responsável das redes sociais, a importância da privacidade e as implicações legais das agressões virtuais.
Por fim, a implementação de políticas públicas permanentes e uma atuação integrada entre educação, saúde, assistência social, segurança pública e sistema de Justiça são essenciais. Isso inclui a ampliação da presença de psicólogos e assistentes sociais nas escolas, o monitoramento contínuo de indicadores de violência, o financiamento de programas de prevenção e a avaliação constante dos resultados das iniciativas. Benjamim Horta conclui que “o punitivismo por si só, ele não produz mudança. Então precisamos encontrar um equilíbrio entre o que é passível de punição e o que é passível de restauração.”
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Em suma, o combate eficaz ao **bullying e cyberbullying** exige uma abordagem multifacetada que combine legislação rigorosa, prevenção ativa, educação continuada e apoio psicossocial. Manter-se informado sobre esses desafios e as soluções propostas é fundamental para a construção de uma sociedade mais empática e segura para nossos jovens. Explore outras análises aprofundadas sobre questões sociais em nossa editoria para continuar acompanhando temas relevantes.
Crédito da imagem: DW






