O presidente francês, Emmanuel Macron, proferiu críticas veementes às operações militares de Israel na Cisjordânia e na Faixa de Gaza durante seu discurso na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, realizada em Nova York na terça-feira (22). As declarações do líder francês provocaram uma reação imediata e contundente do governo de Benjamin Netanyahu, que classificou as observações como um “absurdo grotesco”.
No púlpito da ONU, Macron abordou a escalada de violência nos territórios palestinos, questionando a inércia da comunidade internacional. O presidente expressou sua preocupação com a falta de ação dos líderes globais diante da situação em Gaza, afirmando que a passividade resultava em um “espetáculo que envergonha a todos”. Ele também refutou a ideia de que o Hamas operava na Cisjordânia, o que, em sua visão, tornava as operações israelenses na região incoerentes.
Macron critica operações de Israel na ONU; Tel Aviv responde
Ainda em sua fala, o presidente Macron advertiu sobre o perigo de se acreditar que a segurança de Israel depende da violação da soberania de nações vizinhas, descrevendo tal postura como um “erro funesto”. Ele citou o deslocamento de milhares de libaneses que tiveram suas vilas destruídas por soldados israelenses, reforçando a complexidade do conflito. Para Macron, a solução de dois Estados permanece como a condição essencial para a segurança presente e futura de Israel e seu povo.
Vale ressaltar que, no ano anterior, durante a Assembleia Geral da ONU, Emmanuel Macron liderou, em conjunto com a Arábia Saudita, a “Declaração de Nova York”. Esta iniciativa, que buscava o reconhecimento do Estado da Palestina, angariou o apoio de 142 nações, demonstrando um amplo consenso internacional sobre a questão.
A resposta de Israel às declarações de Macron não tardou. Em um comunicado emitido pelo gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, as falas do presidente francês foram veementemente contestadas. O governo israelense argumentou que terroristas do Hamas “realizam ataques contra os judeus quase todos os dias” e que “assassinaram inúmeros civis israelenses em Judeia e Samaria”, utilizando o nome bíblico para a Cisjordânia, território que Israel ocupou em 1967.
O comunicado israelense também fez referência a um incidente recente, ocorrido no domingo (20), onde um colono israelense, pai de seis filhos e com nacionalidade francesa, foi morto a tiros na Cisjordânia. O exército israelense informou ter detido o atirador palestino em um hospital e, subsequentemente, realizou uma incursão em sua aldeia. O governo de Netanyahu, amparado por uma nova legislação, agora pleiteia a execução do atirador.
A crítica a Macron foi ecoada pelo embaixador americano em Israel, Mike Huckabee, que considerou o discurso do presidente francês na ONU “difícil de imaginar um discurso mais desconectado da realidade”. A posição americana, portanto, alinha-se à perspectiva israelense na condenação das palavras de Macron.
O discurso de Emmanuel Macron, que teve duração de 30 minutos, marcou sua última aparição na Assembleia Geral da ONU durante seu mandato atual, que se encerra em 2027 e não permite reeleição. A exemplo do presidente brasileiro Lula, que foi o primeiro a discursar no mesmo dia, Macron defendeu o multilateralismo e conclamou os líderes globais a renovarem seu engajamento em prol das Nações Unidas. Ele instou a não ceder a “impérios” ou à “lei da selva”, defendendo a necessidade de ação contínua, otimismo e mobilização em favor da utilidade das Nações Unidas.
Em sua fala, o líder francês também dirigiu indiretas ao ex-presidente americano Donald Trump, criticando suas ambições territoriais em regiões como Canadá e Groenlândia. Adicionalmente, China e Rússia foram alvo de alfinetadas por frequentemente bloquearem a aprovação de resoluções no Conselho de Segurança. Macron lamentou a “moda” de desconsiderar a relevância da ONU, rejeitando a ideia de que a organização poderia ser substituída por uma regida pela “lei do mais forte”. Com um tom otimista, concluiu que a união entre os países os torna “mais fortes, mais eficazes”, encerrando seu discurso com um vibrante “viva as Nações Unidas”.
Para aprofundar a compreensão sobre o funcionamento e a importância das Nações Unidas no cenário global, você pode consultar o site oficial da Assembleia Geral da ONU.
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Em resumo, o discurso de Macron na ONU, pontuado por suas críticas às ações israelenses em Gaza e na Cisjordânia, gerou um intenso debate internacional e uma forte réplica de Israel e dos Estados Unidos. A defesa do multilateralismo e da solução de dois Estados, elementos centrais de sua fala, sublinha a complexidade das relações geopolíticas no Oriente Médio. Para mais análises sobre política internacional e conflitos regionais, continue acompanhando a editoria de Política em nosso site.
Crédito da imagem: RFI com agências






