O governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas, anunciou secretários e teto de gastos no Rio nesta terça-feira (3), delineando as primeiras escolhas para sua equipe de governo e as estratégias para enfrentar a delicada situação fiscal do estado. Ruas (PL) enfatizou que o controle financeiro será uma das principais prioridades de sua administração, prometendo a implementação de um teto para as despesas estaduais.
Durante o anúncio, o futuro chefe do Executivo fluminense apresentou os nomes que começarão a compor sua gestão, destacando perfis técnicos e experientes. A escolha de sua equipe inicial e o foco na estabilidade econômica indicam a linha de trabalho que pretende seguir a partir de sua posse.
O direcionamento para uma gestão fiscal responsável foi um dos pilares da coletiva. Dentre as promessas, o futuro governador reiterou a intenção de submeter o estado a um controle rigoroso das finanças.
Douglas Ruas anuncia secretários e teto de gastos no Rio
A medida visa limitar o crescimento das despesas públicas, alinhando-o à capacidade de arrecadação do estado, que enfrenta um histórico de endividamento.
Primeiro Escalão e Nomes Chave
Entre os nomes divulgados para compor o primeiro escalão do governo Douglas Ruas, figura o servidor público Anderson Monteze, indicado para assumir a Secretaria de Planejamento, Gestão e Inovação. Monteze possui vasta experiência na área, tendo atuado como subsecretário de Planejamento nas gestões dos ex-governadores Wilson Witzel e Cláudio Castro. Sua trajetória inclui também a função de assessor especial de Planejamento, Orçamento e Gestão na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), onde prestou assessoria ao ex-presidente Rodrigo Bacellar (União). Ele também ocupou o cargo de diretor de concursos e seleções na Fundação Ceperj.
Outra nomeação confirmada é a de Maria Gabriela Bessa, que será a titular da Casa Civil e Governança. Sua missão será coordenar projetos estratégicos de grande envergadura para o Rio de Janeiro, como as parcerias público-privadas (PPPs), a ampliação da rede de metrô e a estruturação de novas concessões de serviços públicos. Bessa já trabalhou com Ruas quando ele era secretário de Estado de Cidades, no governo Castro, atuando como subsecretária-executiva. Após a saída de Douglas Ruas em março para concorrer às eleições, ela assumiu a pasta como titular e foi mantida em sua posição pelo desembargador Ricardo Couto durante o governo interino.
A vice-governadora eleita, Fernanda Louback, terá um papel duplo em sua gestão. Ela irá acumular a Secretaria de Políticas Inclusivas e da Mulher. A pasta terá como foco principal a promoção da qualificação profissional de mulheres que foram vítimas de violência, além de desenvolver políticas integradas de suporte para pessoas neurodivergentes, demonstrando um compromisso com pautas sociais relevantes.
Teto de Gastos e Equilíbrio Fiscal
A pauta fiscal foi o grande destaque do pronunciamento de Douglas Ruas. Ele sublinhou que o Rio de Janeiro convive há anos com um cenário de endividamento crônico e déficits sucessivos, o que torna a reestruturação das contas públicas o principal desafio de sua gestão. O governador eleito informou que Anderson Monteze, seu futuro secretário de Planejamento, já está engajado na elaboração de medidas para restaurar o equilíbrio financeiro do estado.
Além disso, Ruas reafirmou o compromisso de instituir um teto de gastos para o Executivo fluminense. “Já temos um projeto de lei de minha autoria tramitando na Assembleia Legislativa que visa instituir um teto de gastos para o Estado do Rio de Janeiro. O estado vai passar a ter, sim, um teto de gastos”, declarou o governador eleito. Ele complementou que o principal objetivo é “limitar o crescimento da despesa respeitando o crescimento da receita”, buscando uma gestão mais sustentável e previsível dos recursos públicos. A meta é enxugar a máquina pública, prometendo uma redução no número de secretarias. Embora o número exato ainda não esteja definido, a diminuição da estrutura executiva é dada como certa.
Controvérsias Pós-Eleitorais e Articulações Políticas
Durante o evento, Douglas Ruas também abordou a ação protocolada pelo PSD, partido do candidato derrotado Eduardo Paes, junto ao Supremo Tribunal Federal (STF). A ação questiona a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de anular os votos de Anthony Garotinho (Republicanos). Essa anulação elevou o percentual de votos válidos de Ruas para 50,88%, garantindo-lhe a vitória no primeiro turno.

Imagem: Marcelo Theobald via valor.globo.com
Em sua manifestação sobre a questão, Ruas expressou lamento por “movimentos que tentam insurgir a população contra a Suprema Corte do nosso país, querendo mudar o resultado já proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral”. Ele classificou tais iniciativas como “uma afronta à Justiça Eleitoral”, demonstrando confiança na validade do pleito. “Temos a pura convicção de que essa questão está superada e as eleições de 2026 já se encerram em todo o território nacional”, concluiu o governador eleito, rechaçando qualquer contestação ao resultado.
A coletiva de imprensa, após os anúncios de Douglas Ruas, foi notavelmente restrita a poucas perguntas. Ao ser interpelado sobre a partida do candidato derrotado à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), para os Estados Unidos, Ruas optou por não responder e deixou o local. Ele também se absteve de comentar a carta de tom golpista divulgada por Flávio após sua chegada ao exterior, postura que divergiu de outras lideranças do PL, como o presidente do partido, Valdemar da Costa Neto, que publicamente desaprovou a manifestação. Vale lembrar que, após o resultado da eleição presidencial, que confirmou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Ruas havia divulgado um vídeo em que reconhecia a derrota de Flávio e reforçava sua lealdade ao aliado político.
Ainda há expectativa para a confirmação de outros nomes nos próximos dias para completar o governo. Bruno Bonetti, atual presidente do PL na capital fluminense, é apontado como um possível titular da Secretaria de Relações Institucionais. Para a Secretaria de Governo, o deputado estadual Jair Bittencourt é o nome cotado. Fábio Araújo, conhecido como Fabinho, figura de confiança de Ruas que o acompanha desde o período em que ele atuou em secretarias em São Gonçalo, deve assumir a chefia de gabinete.
Douglas Ruas também demonstra apoio à candidatura de Anderson Moraes (PL) para a sucessão na presidência da Alerj. Moraes é visto por aliados como um bolsonarista “raiz”, o que gerou alguma resistência entre aqueles que preferiam um nome mais moderado para a função. Em consonância com uma promessa de campanha, a Secretaria de Segurança Pública deverá ser recriada. Embora o futuro comandante da pasta ainda não tenha sido escolhido, Ruas afirmou que o novo modelo de segurança do Rio de Janeiro terá as Polícias Civil e Militar subordinadas ao secretário, alterando o padrão de independência das corporações adotado desde o governo Witzel.
Os próximos anúncios do gabinete de transição do governo serão realizados na sede da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), localizada no centro da capital fluminense, onde o trabalho de formação da nova equipe está em pleno andamento.
Confira também: Investir em Imóveis na Região dos Lagos
Em suma, o governador eleito Douglas Ruas iniciou sua gestão no Rio de Janeiro com a divulgação de nomes estratégicos e um foco declarado na disciplina fiscal, prometendo um teto de gastos para o estado. As primeiras nomeações, juntamente com a postura firme diante de contestações eleitorais e articulações políticas, sinalizam as prioridades de seu mandato. Acompanhe a editoria de Política de Hora de Começar para ficar por dentro dos desdobramentos e das futuras nomeações que moldarão o governo fluminense.
Suas buscas no Google agora podem ter mais Valor. Ponha o jornal entre suas fontes preferidas. SAIBA COMO







