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Endividamento das Famílias Brasileiras Reduz, mas Segue Alto

Economia

O endividamento das famílias brasileiras registrou uma leve queda, atingindo 81,7% em setembro. Este é o primeiro recuo observado desde dezembro do ano passado e representa o patamar mais baixo desde junho. Apesar da diminuição, o indicador permanece acima da marca de 80%, sinalizando que a maioria dos lares no país ainda convive com compromissos financeiros.

Os dados são provenientes da mais recente Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada em 8 de outubro pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Em agosto, o percentual de famílias com dívidas era de 82%, enquanto em setembro de 2025 o índice era de 79,2%.

Endividamento das Famílias Brasileiras Reduz, mas Segue Alto

A pesquisa da CNC também apontou uma retração na proporção de famílias com contas em atraso. A inadimplência diminuiu 0,3 ponto percentual (p.p.) no mês, fixando-se em 29,6%, o que representa o menor nível desde março. Há um ano, o índice estava em 30,5%. No entanto, o percentual de famílias que declaram não ter condições de quitar suas dívidas em atraso manteve-se estável em 12,5%, após um período de dois meses de elevação.

Percepção e Realidade do Endividamento no Brasil

Em relação à percepção de endividamento, o estudo revelou uma pequena diminuição no grupo que se considera “muito endividado”, que passou para 17,3%. Paralelamente, a parcela de famílias sem dívidas apresentou um aumento, alcançando 18,1%. A CNC faz questão de sublinhar que a percepção de endividamento possui um caráter subjetivo. Ela reflete a avaliação individual de cada família sobre sua própria situação orçamentária, sendo influenciada por aspectos culturais e pela maneira como cada pessoa se relaciona com o crédito.

Portanto, a interpretação desse indicador não deve ser confundida, necessariamente, com uma situação de superendividamento. É fundamental analisar os dados de forma contextualizada para compreender a verdadeira pressão sobre o orçamento familiar. Para mais detalhes sobre o panorama econômico e financeiro do país, você pode consultar o portal oficial da Confederação Nacional do Comércio (CNC), fonte primária desta pesquisa.

Pontos de Atenção no Cenário Financeiro

Apesar de algumas melhorias, o levantamento da Peic identificou elementos desfavoráveis que demandam atenção. O tempo médio de atraso no pagamento das dívidas, por exemplo, avançou pelo segundo mês consecutivo, atingindo 65,3 dias. Este é o patamar mais elevado desde novembro de 2024 (que registrou 65,5 dias). Segundo a CNC, este aumento foi predominantemente impulsionado pelas dívidas com mais de 90 dias de atraso, que agora correspondem a 48,9% do total.

O comprometimento da renda das famílias também registrou alta. A proporção de lares que dedicam mais da metade de seus rendimentos ao pagamento de dívidas subiu para 19,4%, o maior índice desde fevereiro (quando estava em 19,5%). Consequentemente, o comprometimento médio da renda com dívidas alcançou 29,6%. Por outro lado, a parcela de famílias com comprometimento de dívidas por um período superior a um ano aumentou para 33,8%. A análise da CNC sugere que um prazo de pagamento estendido pode contribuir para a redução do valor da parcela mensal, aliviando a pressão sobre o orçamento familiar.

Análise do Cenário por Especialistas e Diferenças de Renda

A empresa PrecPago, referência em antecipação de precatórios no Brasil, avaliou os resultados da pesquisa. Para a PrecPago, embora o indicador apresente uma retração pontual, o fato de o endividamento persistir acima de 80% reflete um cenário financeiro ainda consideravelmente crítico para as famílias brasileiras. A combinação de uma taxa de endividamento elevada com prazos de atraso em ascensão indica que a busca pelo equilíbrio financeiro do consumidor permanece um desafio complexo e de difícil solução.

A redução do endividamento não se manifestou de forma homogênea em todas as faixas de renda. Entre as famílias com rendimentos de até três salários mínimos, o percentual de endividadas caiu de 85,1% em agosto para 84,6% em setembro. Na faixa de três a cinco salários mínimos, houve uma queda de 83,7% para 83,3%, e entre as famílias com mais de dez salários mínimos, o recuo foi de 72,3% para 71,9%. A única faixa que registrou aumento foi a de cinco a dez salários mínimos, que passou de 77,2% para 77,9%.

No quesito inadimplência, o grupo com renda de até três salários mínimos exibiu a maior retração, caindo de 38,8% para 38,5%. Em contrapartida, as famílias com rendimentos acima de dez salários mínimos foram as únicas a apresentar um aumento, de 14,9% para 15%. Quanto à declaração de não ter condições de pagar as dívidas em atraso, a faixa de até três salários mínimos registrou uma alta (de 18,3% para 18,5%), enquanto a faixa de cinco a dez salários mínimos teve a maior queda (de 7,8% para 7,4%).

Projeções Futuras e Metodologia da Peic

A CNC prevê que a diminuição do endividamento terá um efeito mitigador sobre a inadimplência. A entidade projeta novas reduções nas contas em atraso para o próximo trimestre, acompanhadas de uma esperada estabilização do endividamento geral. Contudo, a continuidade desse movimento positivo depende da existência de condições mais favoráveis para o acesso ao crédito, com taxas de juros que sejam mais compatíveis com a realidade financeira das famílias e das empresas no Brasil.

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) é um levantamento mensal realizado pela CNC desde janeiro de 2010. Para sua elaboração, são ouvidos aproximadamente 18 mil consumidores em todas as capitais dos estados brasileiros e no Distrito Federal. A íntegra da pesquisa, juntamente com sua série histórica, está disponível no portal da CNC, oferecendo um panorama detalhado da saúde financeira dos brasileiros.

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Em suma, os dados da CNC revelam um complexo cenário financeiro para as famílias brasileiras. Embora haja um alívio pontual no endividamento das famílias e na inadimplência, a persistência de altos índices e o aumento no tempo de atraso indicam que a prudência e o planejamento financeiro continuam sendo essenciais. Fique por dentro de outras notícias e análises sobre a economia brasileira e sobre como o país lida com os desafios financeiros acompanhando nossa editoria de Economia.

Crédito da Imagem: Conteúdo de responsabilidade do anunciante

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