A vitória democrata no Congresso dos Estados Unidos tornou-se um ponto estratégico para os opositores de Benjamin Netanyahu em Israel, que buscam capitalizar o cenário político norte-americano para promover a saída do atual primeiro-ministro interino do poder. Os rivais políticos de Netanyahu interpretam o recente triunfo dos democratas como uma evidência do desperdício de um apoio bipartidário histórico dos EUA a Israel, uma falha que, em sua visão, fragiliza a posição de Netanyahu e pavimenta o caminho para a formação de um novo governo sem sua liderança.
Os democratas asseguraram a maioria tanto no Senado quanto na Câmara dos Deputados nas eleições de meio de mandato, realizadas em uma terça-feira, marcando uma clara repreensão ao então presidente Donald Trump. Este resultado foi amplamente impulsionado por uma profunda insatisfação pública, em parte gerada pela impopular guerra dos EUA e de Israel contra o Irã. O contexto da eleição americana se entrelaça diretamente com a política israelense, uma vez que as relações entre os dois países são um pilar fundamental da segurança e estabilidade regional de Israel.
O pleito nos EUA ocorreu apenas uma semana após as eleições em Israel, onde a coalizão de direita de Netanyahu não conseguiu manter sua maioria parlamentar. Apesar disso, o desempenho foi suficiente para impedir que seu principal adversário, Gadi Eisenkot, tivesse um caminho desimpedido para destituí-lo. Neste momento de incerteza política, o presidente israelense Isaac Herzog tem a responsabilidade de conduzir conversações com representantes dos partidos, agendadas para quarta e quinta-feira, antes de designar um dos líderes para a tarefa de formar o próximo governo. Enquanto este processo se desenrola, Benjamin Netanyahu permanece no cargo de primeiro-ministro interino.
Vitória Democrata nos EUA: Rivais Pressionam Netanyahu
Por gerações, os Estados Unidos têm sido o mais firme aliado de Israel, com um apoio constante e abrangente sob a gestão de presidentes de ambos os partidos. Essa aliança se manifesta, em grande parte, na concessão de bilhões de dólares anuais em ajuda militar, uma prática que se mantém desde a década de 1970. Contudo, em contraste com a abordagem de líderes israelenses anteriores, que cultivavam assiduamente os laços com democratas e republicanos, Benjamin Netanyahu adotou uma postura de apoio mais explícito aos republicanos, uma decisão que, para muitos, começou a erodir o tradicional apoio bipartidário.
O respaldo a Israel entre os democratas e até mesmo entre alguns republicanos começou a vacilar de forma perceptível após a ofensiva militar de Israel em Gaza, desencadeada em resposta ao ataque do Hamas em 2023. Essa tendência de declínio se acentuou ainda mais no decorrer do ano, especialmente depois que Donald Trump e Netanyahu ordenaram um ataque conjunto ao Irã. A polarização política nos Estados Unidos e as ações de Israel no cenário internacional começaram a gerar fissuras no que antes era um consenso robusto de apoio à nação israelense.
Diante desse cenário, alguns candidatos democratas optaram por fazer das críticas à ajuda militar norte-americana a Israel um ponto central de suas campanhas eleitorais, refletindo uma mudança na percepção pública e política. Em um movimento surpreendente, na terça-feira das eleições, o então presidente Trump, que anteriormente havia manifestado apoio a Netanyahu, prometeu suspender o financiamento anual de US$4 bilhões a Israel. Segundo Trump, essa medida serviria para eliminar um argumento negativo frequentemente utilizado pelos democratas em suas críticas.
As reações em Israel à vitória democrata não tardaram a surgir. Yair Golan, líder do Partido Democrata de centro-esquerda da oposição israelense, usou a plataforma X para afirmar que os resultados das eleições nos EUA demonstram o quão “tóxico” Netanyahu se tornou, tanto para democratas quanto para republicanos. Essa declaração sublinha a percepção de que a imagem de Netanyahu está danificada em ambos os lados do espectro político americano, o que pode ter implicações significativas para as futuras relações bilaterais.
Reforçando a crítica, Yair Lapid, líder da oposição centrista, manifestou que os resultados eleitorais nos Estados Unidos são um claro indicativo de que Israel não pode se permitir manter Netanyahu no cargo. Em uma postagem nas redes sociais, Lapid alertou que a permanência de Netanyahu no poder “coloca em risco nossa segurança, compromete nossa democracia e arruinará nossa reputação no cenário global”. Essas declarações refletem a crescente pressão interna para que Netanyahu deixe a liderança, em um momento crucial para a estabilidade política de Israel.
Até o momento, Benjamin Netanyahu manteve silêncio a respeito do resultado da votação nos EUA. Seu gabinete também não respondeu a pedidos de comentário, o que pode ser interpretado como uma estratégia para observar o desenvolvimento dos acontecimentos ou como uma dificuldade em abordar a complexidade da situação.
Ainda é incerto quanto tempo levará para que se defina se será Netanyahu ou Eisenkot o encarregado de reparar a relação com os Estados Unidos, que se tornou significativamente mais delicada. Qualquer que seja o candidato escolhido primeiro pelo presidente Herzog, ele enfrentará o desafio de formar uma nova coalizão governamental. Caso esse primeiro indicado falhe na missão, a oportunidade será concedida ao outro. Em uma situação em que ambos os candidatos não consigam formar um governo, uma nova eleição em Israel será convocada, prolongando ainda mais a instabilidade política. Para mais detalhes sobre o panorama político americano, confira a vitória decisiva dos democratas no Senado norte-americano.
Nesse contexto de incerteza, Udi Sommer, professor de ciências políticas da Universidade de Tel Aviv, previu que o novo Congresso dos EUA, agora sob controle democrata, será o mais hostil a Israel em toda a sua história. Embora grande parte do poder sobre a política externa permaneça com o presidente, Sommer ressaltou que os democratas têm a capacidade de exercer pressão significativa por meio de audiências parlamentares, fiscalização do Congresso e medidas orçamentárias. Essa avaliação indica um período de maior escrutínio e potenciais desafios para as relações bilaterais.
A vitória esmagadora dos democratas e a derrota completa dos republicanos, segundo Sommer, “resumem o próximo capítulo nas relações entre os EUA e Israel”. Essa perspectiva enfatiza a necessidade urgente de Israel reavaliar sua estratégia diplomática e política para navegar neste novo cenário, marcado por um Congresso mais crítico e exigente em relação às suas ações.
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Em suma, a recente configuração do Congresso dos EUA, com a maioria democrata, reverberou intensamente no cenário político israelense, fortalecendo a voz dos críticos de Benjamin Netanyahu e levantando questões cruciais sobre o futuro da liderança em Israel e a manutenção de suas alianças. Acompanhe a nossa editoria de Política para se manter atualizado sobre os desdobramentos dessa complexa relação internacional e seus impactos.






