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Tarifas Elevam Custo de Presentes de Fim de Ano nos EUA

Economia

A chegada da temporada de compras de fim de ano nos Estados Unidos novamente trará desafios para o orçamento das famílias, especialmente em relação ao custo dos presentes. Lojas já exibem decorações e produtos natalinos, e muitos pais buscam itens que estimulem a criatividade e a atividade física das crianças, como tacos de beisebol, bolas, materiais de arte ou instrumentos musicais. Há também a demanda pelos consoles de videogame mais recentes para os jovens entusiastas.

Contudo, um alerta de Cullen S. Hendrix, pesquisador sênior no renomado Peterson Institute for International Economics, indica que o poder de compra para esses presentes será menor do que na temporada de 2024 ou até mesmo na temporada passada. As tarifas incidentes sobre esses produtos permanecem elevadas, impactando diretamente o preço final para o consumidor.

Tarifas Elevam Custo de Presentes de Fim de Ano nos EUA

A explicação reside no fato de que grande parte dos produtos associados a esses hobbies, em especial os itens de nível básico, são importados. Instrumentos musicais, equipamentos esportivos e materiais de arte, como tintas, lápis e giz de cera, são fabricados em larga escala no exterior. Dados de comércio e preços demonstram que, embora as tarifas tenham diminuído ligeiramente desde o ano anterior, elas ainda estão altas, resultando em uma queda nas importações e a manutenção dos preços de varejo em patamares elevados.

Historicamente, antes de 2025, a taxação sobre a importação de equipamentos atléticos, materiais de arte e instrumentos musicais era relativamente baixa nos portos norte-americanos. Durante a temporada de festas de 2024, a alíquota tarifária efetiva era de 5,6% para equipamentos esportivos, 5,0% para lápis e giz de cera, e 5,7% para instrumentos musicais, calculadas como parcela do valor das importações destinadas ao consumo.

A cenário mudou drasticamente com o retorno de Donald Trump à presidência no início de 2025, que prontamente intensificou a guerra comercial com a China, principal origem de muitos desses produtos. Na temporada de festas de 2025, as alíquotas tarifárias efetivas dispararam, atingindo 27,7% para equipamentos esportivos, 26,6% para lápis e giz de cera, e 21,2% para instrumentos. Hendrix observa que, apesar de uma ligeira redução após a Suprema Corte derrubar algumas das tarifas impostas por Trump, os valores ainda são consideráveis. Em agosto, as taxas efetivas estavam em 17,2% para equipamentos esportivos, 16,1% para lápis e giz de cera, e 14,1% para instrumentos.

O pesquisador enfatiza que, até o momento, as tarifas de Trump não geraram o esperado boom industrial nos EUA, seja em termos de empregos ou de novas construções fabris. No entanto, elas efetivamente reduziram as importações desses produtos, um padrão claro nos dados de 2025. As importações de todos os países durante a temporada de festas de 2025 registraram quedas significativas em comparação com 2024: 24% para instrumentos musicais e 17% tanto para equipamentos esportivos quanto para lápis e giz de cera.

Cullen Hendrix argumenta que, para a maioria das famílias, produtos como equipamentos de futebol, instrumentos musicais ou materiais de arte são considerados “desejos” e não “necessidades”. Consequentemente, são os primeiros itens a serem cortados do orçamento quando os preços sobem. Além disso, os aumentos de preços desses itens importados não impulsionaram os consumidores a buscar alternativas produzidas internamente, simplesmente porque tais produtos, em sua faixa de preço inicial, praticamente não existem no mercado doméstico. Em vez disso, a demanda nos EUA foi destruída pelos preços mais altos causados pelas tarifas, resultando em menos crianças recebendo itens como um taco de hóquei, um trompete ou lápis de cor de presente.

Embora o alívio tarifário recente seja bem-vindo, especialmente para importadores registrados que agora recebem reembolsos, essa redução dificilmente é repassada aos consumidores. Os preços para as três categorias de produtos continuaram a subir em 2026 em relação a 2025, e a um ritmo mais acelerado do que os preços de bens essenciais (excluindo alimentos e energia) desde 2024.

Hendrix aponta três razões principais para a persistência desses preços elevados. Primeiramente, muitos importadores anteciparam as tarifas de Trump e, ao longo de 2025, venderam estoques importados antes que as novas taxas entrassem em vigor. Assim, os preços praticados em 2026 refletem as tarifas mais altas que permaneceram em vigor até a decisão da Suprema Corte em fevereiro de 2026. Em segundo lugar, os preços no varejo tendem a aumentar rapidamente quando os custos sobem, mas caem de forma lenta, ou nem caem, quando esses custos diminuem, fazendo com que o alívio tarifário raramente se reflita no caixa. Por fim, a inflação subjacente permanece elevada, com os preços ao consumidor subindo 5,7% nos últimos dois anos, impulsionados pelos efeitos da guerra com o Irã e grandes déficits fiscais. Isso corrói o poder de compra geral, forçando escolhas mais difíceis entre necessidades e desejos. A inflação geral, no entanto, não explica sozinha esses aumentos, já que os preços de bens essenciais subiram apenas 2,3% no mesmo período, uma fração do aumento de 9,1% para instrumentos musicais, a categoria mais impactada.

Tarifas Elevam Custo de Presentes de Fim de Ano nos EUA - Imagem do artigo original

Imagem: infomoney.com.br

Consoles e máquinas de videogame também enfrentaram aumentos tarifários. A alíquota efetiva subiu de zero na temporada de festas de 2024 para 19,7% em 2025, com os direitos calculados alcançando 508 milhões de dólares. As importações destes produtos dispararam no início de 2025, antecipando as tarifas e impulsionadas pelo lançamento do Nintendo Switch 2, mas caíram 33% na temporada de festas de 2025. Em agosto de 2026, as importações ainda estavam 10% abaixo dos níveis de 2024, e os preços de tabela continuaram em ascensão.

As perdas econômicas decorrentes são consideráveis, não apenas para os vendedores norte-americanos de produtos importados. Equipamentos baratos para iniciantes não competem diretamente com a indústria americana, mas a alimentam, criando a próxima geração de consumidores para marcas nacionais. Empresas como a Trek (bicicletas) e Wilson (bolas de futebol americano) já adotam essa estratégia, fabricando linhas de entrada no exterior e produtos de alto padrão nos EUA. As tarifas sobre equipamentos para iniciantes, portanto, acabam por prejudicar os próprios produtores domésticos que deveriam proteger, ao reduzir a base de futuros clientes.

As consequências dessas políticas tarifárias vão além do aspecto econômico. Primeiramente, alternativas ao tempo excessivo de tela estão se tornando mais inacessíveis, em um momento em que os EUA enfrentam problemas como o vício infantil em telas e o aumento da obesidade. As tarifas elevaram o preço dos videogames, mas também tornaram as alternativas mais escassas e, no caso dos instrumentos, significativamente mais caras. Em segundo lugar, os pais não são os únicos compradores. Programas escolares de música, arte e atletismo adquirem instrumentos, equipamentos esportivos e materiais com orçamentos fixos. Cada dólar gasto em tarifas significa menos equipamentos para as crianças que dependem desses programas. Para muitas famílias de baixa renda, esses programas representam a única via de acesso a tais atividades. Quando as escolas compram menos, essas famílias são as primeiras a sentir o impacto.

Por fim, grande parte do que se perde é imensurável. A alegria de uma criança ao desembrulhar seu primeiro violão, luva de beisebol ou conjunto de lápis de cor é momentânea, mas o presente em si pode desencadear uma vida inteira de prática, competição e criação artística, ou, para aqueles que desistem, uma apreciação duradoura por essas atividades. Programas escolares de música, esporte e arte foram o ponto de partida para ícones globais como Quincy Jones, Wilma Rudolph e Andy Warhol. Essas perdas talvez nunca apareçam nos relatórios portuários, mas são profundamente reais e impactantes para a sociedade.

Cullen Hendrix conclui que as tarifas não estão apenas taxando produtos importados; elas estão taxando as atividades táteis e offline que enriquecem a vida dos jovens e nutrem a cultura americana. Tais tarifas, que deveriam proteger a indústria doméstica, falharam em promover um renascimento industrial nos EUA. Em vez disso, elas podem estar sufocando as faíscas de paixão da próxima geração antes mesmo de serem acesas. Enquanto outras indústrias receberam alívio tarifário específico, os bens que constroem habilidades, capital humano e alegria nas crianças não tiveram tal benefício.

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A discussão sobre as tarifas e seus impactos no custo de presentes de fim de ano nos EUA é complexa, revelando como políticas comerciais podem reverberar diretamente no cotidiano das famílias e no desenvolvimento cultural das crianças. Para continuar acompanhando análises aprofundadas sobre economia e suas implicações globais, explore nossa editoria de Economia.

Crédito da imagem: Divulgação

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