O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarcará para Manilla, a capital das Filipinas, com o objetivo primordial de estreitar os laços do Brasil com o influente bloco do Sudoeste Asiático. A participação de Lula como convidado especial na Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), agendada para o dia 15 de novembro, sublinha a relevância estratégica que o governo brasileiro atribui a esta região.
Desde janeiro deste ano, o Brasil vem formalizando esforços diplomáticos para aprofundar sua relação com o bloco, solicitando a elevação do status de Parceiro de Diálogo Setorial para Parceiro de Diálogo. Esta categoria representa o patamar mais elevado de engajamento que um país pode alcançar com a Asean. A concretização deste pedido colocaria o Brasil em um grupo seleto, ao lado de nações como Canadá, Coreia do Sul, Estados Unidos e Japão, reforçando sua presença e influência no cenário global.
Lula busca fortalecer laços com Asean em viagem às Filipinas
A embaixadora Susan Kleebanka, secretária de Ásia e Pacífico do Ministério das Relações Exteriores, ressaltou a importância dessa transição. “Acreditamos que a elevação dessa parceria vai permitir fortalecer a proximidade crescente que o Brasil já vem desenvolvendo com o bloco”, explicou a diplomata, enfatizando o potencial de cooperação em diversas frentes. A visita do presidente brasileiro é um passo fundamental nesse processo, visando solidificar as bases para uma parceria mais robusta e abrangente.
Um dos pontos altos da agenda será o pronunciamento do presidente Lula na cerimônia de abertura da cúpula. Este convite para discursar é percebido pela diplomacia brasileira como um notável sinal de respeito e um privilégio concedido a um país que não é membro efetivo do bloco. Tradicionalmente, a fala de abertura é uma prerrogativa exclusiva do líder da nação anfitriã da cúpula, o que eleva a importância da participação de Lula e a consideração da Asean pelo Brasil.
A recorrência do convite a Lula, pelo segundo ano consecutivo, é mais um indicador do prestígio que o Brasil desfruta junto ao bloco asiático, de acordo com o Itamaraty. Em 2025, o presidente brasileiro já havia participado da cúpula realizada na Malásia. O novo convite para a edição nas Filipinas reforça a percepção de que a diplomacia brasileira, sob a liderança atual, tem sido eficaz em construir pontes e fortalecer o diálogo com economias emergentes e desenvolvidas da Ásia.
A relação comercial entre o Brasil e os países da Asean tem demonstrado um dinamismo notável ao longo das últimas décadas. Entre 2003 e 2025, o volume de comércio saltou de US$ 3 bilhões para impressionantes US$ 38 bilhões, o que representa um aumento de mais de dez vezes. Este crescimento, impulsionado por uma taxa média anual de 12%, evidencia a crescente relevância do Sudeste Asiático como parceiro econômico para o Brasil e a expansão das oportunidades de mercado.
O bloco da Asean é composto por onze Estados-membros, cada um contribuindo para a diversidade e o poder econômico da região. Integram a associação: Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia, Vietnã, Timor Leste, Mianmar, Brunei, Camboja e Laos. A diversidade desses países oferece ao Brasil um vasto campo para o aprofundamento das relações comerciais, culturais e políticas, em uma região de rápido desenvolvimento global.
Além da participação na cúpula, a agenda do presidente Lula incluirá uma série de encontros bilaterais, embora alguns ainda estejam sujeitos a confirmação. Até o momento, seis países manifestaram interesse em agendar reuniões com o líder brasileiro, sinalizando o desejo de fortalecer parcerias específicas. A única certeza, para além da cúpula da Asean, é uma visita de Estado às Filipinas, que ocorrerá um dia antes do evento principal do bloco. Esta visita é particularmente simbólica, pois em 2026, Brasil e Filipinas celebrarão 80 anos de relações diplomáticas.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
Durante a visita de Estado às Filipinas, o presidente Lula deve focar em ampliar a parceria entre os dois países. O Brasil já é um exportador de produtos como café, açaí, sucos e itens processados, incluindo massas e biscoitos, para o mercado filipino. A intenção é aumentar significativamente o volume de vendas desses produtos, aproveitando o crescimento das trocas comerciais, que quadruplicaram desde 2016. Esse incremento demonstra o potencial inexplorado e a demanda por produtos brasileiros na nação asiática.
A jornada do presidente Lula rumo a Manilla terá início após sua participação na 31ª Conferência sobre Mudança do Clima (COP31), realizada em Antália, na Turquia. A partida de Antália está prevista para a noite de quinta-feira, dia 12, em um voo com duração aproximada de 14 horas. Em solo filipino, a agenda será intensa: a visita de Estado está programada para o dia 14 de novembro, seguida pela participação na Cúpula da Asean no dia 15. Está prevista, ainda, a realização de uma coletiva de imprensa, cujas data e horário serão definidos oportunamente.
Para o Brasil, o estreitamento de laços com a Asean e a intensificação das relações bilaterais com as Filipinas representam movimentos estratégicos em sua política externa. A busca por um status de Parceiro de Diálogo pleno reforça o compromisso do país com a cooperação sul-sul e a diversificação de suas parcerias internacionais, consolidando sua posição como ator relevante no cenário geopolítico e econômico mundial. Este engajamento sublinha a importância de entender a dinâmica das relações internacionais e o papel do Brasil na construção de pontes em diversas regiões, como você pode aprofundar a leitura sobre o tema em Brasil e a Asean: 30 anos de diálogo e cooperação crescente.
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Em suma, a viagem do Presidente Lula às Filipinas para a Cúpula da Asean e a visita de Estado associada são passos cruciais para a diplomacia brasileira, visando fortalecer o comércio e a influência na Ásia. Acompanhe mais análises e notícias sobre a política externa brasileira e seus desdobramentos em nossa editoria de Política, para ficar sempre atualizado sobre os movimentos do país no cenário global.
Crédito da imagem: Ricardo Stuckert/PR







