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Ações de Varejo Reagem à Proibição de Bets, Alta Contida

Economia

As ações de varejo no setor de vestuário registraram um avanço modesto nesta segunda-feira, seguindo o anúncio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na última sexta-feira sobre a proibição definitiva das bets no território nacional. Contudo, esse movimento de alta no mercado acionário foi observado com certa contenção, refletindo uma postura cautelosa dos investidores. Especialistas do mercado financeiro apontam que a hesitação se deve, em grande parte, às incertezas relacionadas à conversão da Medida Provisória (MP 1.394/2026) em lei, um processo que enfrenta intenso questionamento e lobby por parte das empresas de apostas.

No fechamento do pregão desta segunda-feira, os papéis ON da Lojas Renner apresentaram uma valorização de 0,36%, enquanto as ações ON da C&A tiveram um ganho mais expressivo de 1,73%. Em contraste, o índice Ibovespa, principal indicador da bolsa brasileira, registrou uma queda de 0,26%, encerrando o dia em 182.991 pontos, demonstrando um cenário mais amplo de cautela para o mercado doméstico.

Ações de Varejo Reagem à Proibição de Bets, Alta Contida

A percepção inicial de analistas, como Andreas Ferreira, da Mantaro Capital, é que a categoria de vestuário pode ser uma das principais beneficiadas pela restrição das operações de bets no Brasil. Essa expectativa fundamenta-se na possibilidade de um redirecionamento nos padrões de consumo dos brasileiros. Ferreira destaca que vestuário frequentemente surge em pesquisas como uma das despesas sacrificadas em prol de apostas. Além disso, a natureza adiável do gasto com roupas faz com que essa seja uma demanda que pode ser rapidamente retomada com uma melhora na disponibilidade de renda. Dessa forma, varejistas focadas em um público de renda média e média baixa, como Lojas Renner e C&A, tendem a ser as mais sensíveis e responsivas a tais mudanças econômicas, potencializando ganhos em seus papéis.

O analista da Mantaro Capital adiciona que um fator intrínseco a essas redes de varejo que pode amplificar o benefício é a posse de financeiras próprias. A redução dos gastos dos consumidores com apostas, conforme a tese de redirecionamento, poderia fortalecer a capacidade de pagamento desses clientes, impactando positivamente as operações de crédito das empresas. “Um consumidor menos apertado paga melhor”, sintetiza Ferreira, ressaltando o ciclo virtuoso que pode ser gerado para o setor.

Apesar do otimismo, Ferreira mantém a ressalva de que o movimento de alta na bolsa de valores se mostra mais tímido devido às incertezas sobre a proporção exata do dinheiro que efetivamente retornará ao varejo. Há preocupações de que parte desses recursos possa migrar para o mercado ilegal de apostas, ou que uma parcela significativa seja primeiramente direcionada para a quitação de dívidas existentes, bem como para despesas essenciais do dia a dia, como supermercados e atacarejos, antes de alcançar o consumo discricionário.

Fernando Siqueira, chefe de pesquisa da Eleven Financial, corrobora a análise ao prever que produtos de primeira necessidade seriam, de fato, os mais diretamente favorecidos pela proibição das bets, o que se traduziria em um cenário bastante positivo para o setor supermercadista. Para Siqueira, itens considerados mais supérfluos, que dependem de um consumo discricionário, como o vestuário, seriam beneficiados, mas em uma etapa posterior, não como um impacto imediato e prioritário.

Ações de Varejo Reagem à Proibição de Bets, Alta Contida - Imagem do artigo original

Imagem: Silvia Costanti via valor.globo.com

João Daronco, analista da Suno Research, também aponta para a contenção nos movimentos dos papéis do varejo, atribuindo-a às dúvidas dos agentes financeiros quanto à efetiva transformação da Medida Provisória em lei. A resistência e o lobby do setor de bets, conforme reportado por Daronco, contribuem para um cenário de incerteza que freia decisões de investimento mais arrojadas. A compreensão sobre o processo de tramitação de uma Medida Provisória, fundamental para investidores e para o público em geral, pode ser aprofundada ao consultar as informações disponíveis na Câmara dos Deputados, uma fonte oficial do poder legislativo. Para mais detalhes sobre como funciona uma MP no Brasil, clique aqui.

Adicionalmente, Daronco sugere que o desempenho mais comedido das ações de varejo nesta segunda-feira pode ter sido influenciado por um pregão geral mais negativo para a bolsa local. Fatores externos, como a alta nos preços do petróleo e a manutenção das preocupações inflacionárias globais, tendem a impactar negativamente as ações cíclicas domésticas, incluindo as do varejo. “O cenário externo hoje está mais adverso, principalmente por causa do petróleo. Com isso, você tem impacto na inflação olhando para frente e nos juros. Juros mais altos impactam o consumo”, conclui o analista, salientando a interconexão entre o cenário macroeconômico global e o desempenho de setores específicos no mercado de capitais brasileiro.

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Em suma, embora a proibição das bets apresente um potencial de revitalização para o consumo no setor de vestuário e, consequentemente, para as ações de varejo, o mercado permanece em compasso de espera devido à indefinição legislativa da MP e a um cenário macroeconômico externo desafiador. Para se manter atualizado sobre as análises e notícias que impactam a economia brasileira, continue acompanhando nossa editoria de Economia.

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