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Ações MOVI3 Desabam 16% Apesar de Balanço Sólido

Economia

As ações da Movida (MOVI3) registraram uma queda significativa nesta quarta-feira (28), mesmo após a divulgação de um balanço sólido referente ao terceiro trimestre. A desvalorização dos papéis, que atingiu 16,24%, cotados a R$ 6,60 ao fechamento, foi impulsionada principalmente pela expectativa de um cenário macroeconômico com juros elevados por um período prolongado.

De acordo com a análise do BTG Pactual, embora a Movida tenha demonstrado tendências operacionais resilientes e alinhadas às projeções do mercado, o sentimento dos investidores permanece sensível ao ambiente de juros. Um panorama de taxas de juros mais favoráveis é visto como o principal catalisador para a melhoria da percepção do mercado em relação aos papéis da empresa. Contudo, as recentes indicações macroeconômicas no Brasil apontam para a manutenção de juros altos por mais tempo, o que tem gerado pressão sobre as ações do setor.

Ações MOVI3 Desabam 16% Apesar de Balanço Sólido

A XP Investimentos, em sua avaliação, destacou os resultados positivos reportados pela Movida. A companhia alcançou um lucro líquido de R$ 152 milhões, superando o limite superior de seu guidance, que variava entre R$ 130 e R$ 150 milhões. Esse desempenho, que já havia sido parcialmente antecipado por números preliminares, reflete uma operação robusta e eficiente ao longo do trimestre.

Análise Detalhada dos Resultados do 3T26 da Movida

Os analistas da XP, Pedro Bruno, Ruan Argenton e João Ramiro, apontaram que o lucro líquido foi beneficiado por um forte desempenho operacional, acompanhado de uma alíquota efetiva de impostos reduzida. Este resultado foi alcançado apesar do aumento das despesas com depreciação, que se deveu a uma frota expandida e maiores amortizações de direito de uso. Notavelmente, a depreciação por veículo se manteve estável, indicando uma gestão eficiente dos ativos da frota da Movida.

O JPMorgan também avaliou os resultados da Movida como consistentes com os números preliminares divulgados anteriormente. A empresa reportou um lucro líquido de R$ 152 milhões, representando um crescimento de 117% em comparação com o ano anterior, embora ligeiramente abaixo (4%) das estimativas do próprio JPMorgan e em conformidade com o consenso da Bloomberg. A receita líquida totalizou R$ 3,87 bilhões, cifra 12% aquém da projeção do JPMorgan e 6% abaixo do consenso de mercado. Essa diferença foi atribuída a uma receita menor que o esperado no segmento de Seminovos, enquanto as divisões de Aluguel de Carros (RAC) e Gestão e Terceirização de Frotas (GTF) superaram as projeções do banco em patamares de um dígito percentual.

No segmento de aluguel de carros (RAC), a depreciação por veículo permaneceu estável em R$ 7,3 mil na comparação trimestral. Já no setor de gestão e terceirização de frotas (GTF), o indicador registrou uma leve elevação, atingindo R$ 11,2 mil. A margem Ebitda para o segmento de Seminovos manteve-se em 1,1%, alinhada com os resultados dos trimestres anteriores, demonstrando consistência operacional. A Movida também demonstrou dinamismo na expansão de sua frota, adicionando 8 mil veículos durante o trimestre, contrastando com a expectativa do JPMorgan de uma redução de 1,6 mil unidades. Ao final do período, a alavancagem da empresa, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda, apresentou uma leve redução trimestral, fixando-se em 2,6 vezes.

Visão dos Bancos de Investimento e Recomendações

Diante desse cenário, o JPMorgan optou por manter a recomendação neutra para as ações da Movida, com um preço-alvo de R$ 18. A justificativa para a cautela reside no fato de a MOVI3 ser negociada a um múltiplo preço/lucro estimado de 3,7 vezes para 2027, um valor significativamente menor em comparação com o múltiplo de 7,4 vezes da Localiza (RENT3), sua principal concorrente no setor de locação.

Ações MOVI3 Desabam 16% Apesar de Balanço Sólido - Imagem do artigo original

Imagem: infomoney.com.br

O Bradesco BBI, por sua vez, considerou os resultados da Movida como neutros em relação às suas próprias estimativas, dado que os principais indicadores já haviam sido antecipados na prévia operacional da empresa. O banco enfatizou que o sólido desempenho operacional das divisões de locação, juntamente com a estabilidade da depreciação, fortalece sua visão construtiva sobre a tese de investimento na Movida. Consequentemente, o Bradesco BBI manteve sua recomendação de compra para as ações, com um preço-alvo de R$ 22. Outras empresas que figuraram entre as maiores quedas no mesmo período foram Cyrela, com recuo de 9,63%; Minerva, com baixa de 9,40%; e Natura, que caiu 9,27%, a R$ 4,99. O Ebitda ajustado da Movida alcançou R$ 1,86 bilhão, um valor ligeiramente superior à estimativa de R$ 1,85 bilhão.

Apesar da performance fraca das ações MOVI3 na semana, o BTG Pactual também reafirmou sua recomendação de compra para a companhia. A análise do banco ressalta que a Movida continua a exibir um desempenho operacional subjacente robusto. A preocupação com a persistência de juros altos no Brasil continua a influenciar o mercado. Para entender melhor o impacto das políticas monetárias na economia, você pode consultar informações detalhadas no site oficial do Banco Central do Brasil.

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Em suma, enquanto a Movida demonstra saúde operacional e resultados financeiros positivos, a volatilidade de suas ações MOVI3 é um reflexo direto das expectativas do mercado em relação às taxas de juros no Brasil. A divergência entre o desempenho sólido da empresa e a reação negativa dos investidores destaca a importância das condições macroeconômicas. Continue acompanhando nossas análises na editoria de Economia para ficar por dentro das últimas notícias do mercado financeiro.

Crédito da imagem: Divulgação/Movida

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