O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), anunciou nesta quarta-feira, 3 de dezembro, uma força-tarefa concentrada na apreciação de diversos projetos em tramitação na Casa Legislativa. Essa iniciativa surge como uma resposta direta e articulada à recente decisão monocrática proferida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. A determinação de Mendes estabelece que a prerrogativa de denunciar ministros da Corte ao Senado por eventuais crimes de responsabilidade recai exclusivamente sobre o Procurador-Geral da República (PGR), gerando um forte impacto e reações no âmbito parlamentar.
A controvertida decisão de Mendes, emanada nos autos da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1259/DF, suspendeu um trecho fundamental da Lei do Impeachment (Lei 1.079/1950). Essa legislação, em vigor desde 1950, conferia a qualquer cidadão a prerrogativa de apresentar denúncias contra magistrados por crimes de responsabilidade. A suspensão desse dispositivo legal pelo ministro provocou inquietação e um senso de desequilíbrio entre os Poderes, motivando Alcolumbre a buscar mecanismos internos para reafirmar a autonomia do Poder Legislativo. O ministro é relator de duas ações que questionam a compatibilidade de diferentes trechos da Lei de Impeachment com a Constituição de 1988, uma aberta pelo PSol e outra pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB).
Alcolumbre reage a Mendes e promete votar PEC Marco Temporal
Em um contexto de ampla manifestação de senadores que clamam por medidas retaliatórias contra o STF, Alcolumbre enfatizou a necessidade de uma ação coordenada. “Vou organizar, na condição de presidente do Senado, uma reunião com as lideranças partidárias para que a gente possa, dentro das nossas prerrogativas institucionais, avaliar todos os projetos que estão em tramitação no Senado Federal”, declarou o presidente. Ele acrescentou que a presidência tem sido amplamente demandada por senadores e lideranças para pautar matérias que poderiam ter sido apreciadas, mas ainda não foram. A busca por um momento adequado e oportuno para restabelecer a “altivez institucional do Senado da República” é o cerne dessa mobilização.
PEC 48/2023: Marco Temporal para Terras Indígenas em Foco
Dentre as propostas estratégicas mencionadas por Alcolumbre, destaca-se a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 48/2023. Esta matéria é de grande relevância, pois aborda diretamente a temática do Marco Temporal para a demarcação de terras indígenas, um tema sensível e de profundo debate nacional. A PEC 48/2023 já é objeto de julgamento no próprio Supremo Tribunal Federal, com a previsão de início da apreciação marcada para o dia 5 de dezembro e tendo o ministro Gilmar Mendes como relator do processo na Corte.
A urgência em pautar a PEC do Marco Temporal foi expressa publicamente por Alcolumbre durante a sessão plenária desta quarta-feira. Ele direcionou um pedido enfático ao presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Senador Otto Alencar (PSD-BA). “Eu queria pedir ao Presidente da CCJ, o Senador Otto Alencar, que rapidamente colocasse em pauta a deliberação dessa PEC 48, de 2023”, afirmou Alcolumbre, reiterando a necessidade de dar andamento às “demandas reprimidas” do Congresso.
Agilidade na Deliberação e Possibilidade de Votação Direta
O presidente do Senado reforçou a percepção de que a Casa já possui conhecimento aprofundado sobre o assunto do Marco Temporal. Ele defendeu que é o momento de definir a deliberação no plenário da CCJ. Alcolumbre inclusive sugeriu um caminho para acelerar ainda mais o processo: “Caso os Líderes partidários optem, eu queria também pedir que pudessem assinar um conjunto de assinatura dos líderes partidários, para que a gente possa, com o aval do Presidente da Comissão, se assim ele entender que é necessário, recolher as assinaturas adequadas para nós montarmos um calendário especial e trazermos imediatamente direto para o Plenário do Senado Federal a deliberação dessa PEC”, propôs o parlamentar, visando uma votação célere da matéria.
Julgamento do Marco Temporal no STF e Crítica às Decisões Monocráticas
Paralelamente à movimentação no Senado, o julgamento do marco temporal para a demarcação de terras indígenas será conduzido de forma virtual pelo plenário do STF. A votação eletrônica está agendada para permanecer aberta até o dia 15 de dezembro. Durante esse período, os ministros deverão manifestar suas posições sobre o texto final que foi aprovado pela comissão especial responsável por debater uma proposta de alteração legislativa sobre o tema.

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A reação de Alcolumbre não se limitou apenas à pauta da PEC do Marco Temporal. Mais cedo, ele divulgou uma nota pública cobrando respeito ao Senado e defendendo a necessidade de alterações no regime das decisões monocráticas, que são proferidas individualmente por ministros. Ele mencionou explicitamente a PEC 08/2021, que busca limitar as decisões monocráticas no Supremo e em outros tribunais superiores, refletindo a preocupação do Legislativo com o poder excessivo de decisões individuais que impactam diretamente leis e prerrogativas parlamentares.
Na nota, o presidente do Senado expressou “preocupação” com o teor da decisão monocrática de Mendes, tomada nesta quarta-feira, 3 de dezembro, nos autos da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1259/DF. Ele argumentou que a situação estabelecida indica a urgência de se alterar o regime das chamadas decisões monocráticas, especialmente aquelas que suspendem cautelarmente a vigência de leis. Para Alcolumbre, não é razoável que uma lei, aprovada em duas Casas Legislativas e sancionada pelo Presidente da República, seja revista pela decisão de um único ministro do STF, defendendo a necessidade de uma decisão colegiada da Corte, “instância única e última para se declarar a constitucionalidade ou não de uma lei vigente”. Para mais informações sobre o papel do Senado, consulte o site oficial do Senado Federal.
A Lei de Impeachment e a Prerrogativa Cidadã
A Constituição Federal brasileira estabelece que cabe ao Senado Federal processar e julgar ministros do Supremo Tribunal Federal em casos de crimes de responsabilidade, embora não detalhe a possibilidade específica de impeachment dos magistrados. Essa matéria é regulamentada pela já citada Lei de Impeachment, a Lei 1.079/1950. A decisão judicial de Mendes vai de encontro ao que estava claramente previsto nesta lei, que assegurava a qualquer cidadão o direito de propor um processo por crime de responsabilidade. “Essa foi uma escolha do legislador e, independentemente de concordarmos ou não com ela, precisa ser respeitada. Eventuais abusos no uso desse direito não podem levar à anulação desse comando legal”, criticou Alcolumbre, enfatizando a defesa das prerrogativas do Poder Legislativo e da participação cidadã nos mecanismos de controle.
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A reação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, à decisão de Gilmar Mendes sobre a Lei do Impeachment e sua subsequente intenção de acelerar a votação da PEC do Marco Temporal no Congresso, reflete um momento de tensão e redefinição de limites entre os Poderes. Este cenário demonstra a complexidade das relações institucionais e a busca pelo equilíbrio democrático. Continue acompanhando nossas análises na editoria de Política para se manter informado sobre os desdobramentos deste e de outros temas cruciais para o país. Para mais notícias e análises, acesse: https://horadecomecar.com.br/politica
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