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Brasil Elimina Transmissão Vertical do HIV, Diz Saúde

Economia

Nesta segunda-feira, 1º de abril, o Ministério da Saúde informou que o Brasil eliminou a transmissão vertical do HIV, um marco significativo para a saúde pública nacional. A conquista refere-se à interrupção da transmissão do vírus de gestantes para seus bebês durante a gravidez, o parto ou a amamentação. Embora a pasta tenha anunciado o cumprimento de uma série de requisitos internacionais, a validação final e a concessão do certificado de eliminação dependem de uma análise conclusiva da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O anúncio foi feito durante a divulgação do novo Boletim Epidemiológico de HIV e Aids, destacando os avanços do país na luta contra a doença. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, enfatizou a relevância histórica do momento: “Hoje é um dia de luta, mas também de conquista histórica: alcançamos o menor número de mortes por aids em 32 anos. Esse resultado só foi possível porque o SUS oferece gratuitamente as tecnologias mais modernas de prevenção, diagnóstico e tratamento”, declarou o ministro.

Brasil Elimina Transmissão Vertical do HIV, Diz Saúde

De acordo com o levantamento do Ministério da Saúde, os dados de 2024 demonstram que a taxa de transmissão vertical do HIV no Brasil se manteve abaixo de 2%. Adicionalmente, a incidência de infecção em crianças foi inferior a 0,5 caso por mil nascidos vivos. Esses resultados estão em conformidade com os rigorosos critérios internacionais da Organização Mundial da Saúde (OMS), que balizam a certificação de eliminação dessa forma de transmissão.

Além da significativa redução na transmissão vertical, o país registrou uma das maiores quedas na mortalidade por Aids em três décadas. O número de óbitos pela doença diminuiu de mais de 10 mil em 2023 para 9,1 mil, marcando a primeira vez em 30 anos que os casos ficam abaixo dessa marca. Os registros gerais da doença também apresentaram decréscimo de 1,5%, passando de 37,5 mil para 36,9 mil casos, evidenciando um controle mais eficaz da epidemia.

Avanços na Saúde Materno-Infantil e Prevenção

A área materno-infantil foi palco de importantes melhorias, com uma queda substancial nos indicadores. Houve uma redução de 7,9% nos casos de gestantes vivendo com HIV, totalizando 7,5 mil ocorrências. Paralelamente, o número de crianças expostas ao vírus diminuiu 4,2%, somando 6,8 mil. Um dos pontos cruciais destacados pelo ministério foi a diminuição em 54% no início tardio da profilaxia neonatal, que reflete aprimoramentos significativos na assistência pré-natal e nos serviços de maternidade em todo o território nacional.

O Ministério da Saúde continua a expandir a estratégia de Prevenção Combinada, que integra múltiplos métodos para minimizar o risco de infecção pelo HIV. Essa abordagem inclui a distribuição gratuita de preservativos, bem como o acesso ampliado à Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) e à Profilaxia Pós-Exposição (PEP), que se mostram ferramentas eficazes na redução do risco de infecção. Preocupado com a queda no uso de preservativos entre o público mais jovem, o governo lançou novos modelos de camisinhas, incluindo versões texturizadas e sensitivas, adquirindo 190 milhões de unidades de cada tipo para distribuição.

O acesso à PrEP tem sido um pilar central na estratégia de prevenção. Desde 2023, o número de usuários da PrEP no Brasil cresceu mais de 150%, o que impulsionou a testagem, a detecção precoce de casos e contribuiu diretamente para a redução de novas infecções. Atualmente, cerca de 140 mil pessoas utilizam a PrEP diariamente no país, demonstrando o sucesso e a adesão a essa forma de prevenção.

Diagnóstico e Tratamento: Pilares do Combate ao HIV

No que tange ao diagnóstico, o governo intensificou seus esforços, adquirindo 6,5 milhões de duo testes para HIV e sífilis, um aumento de 65% em comparação ao ano anterior. Além disso, foram distribuídos 780 mil autotestes, facilitando a identificação precoce do vírus e permitindo o início rápido do tratamento, fator crucial para a eficácia terapêutica e a interrupção da cadeia de transmissão. A ampliação da testagem é fundamental para que as pessoas conheçam seu status sorológico e busquem o acompanhamento adequado.

O Sistema Único de Saúde (SUS) mantém seu compromisso em oferecer terapia antirretroviral gratuita e acompanhamento integral a todas as pessoas diagnosticadas com HIV. Aproximadamente 225 mil indivíduos utilizam o comprimido único de lamivudina e dolutegravir, uma combinação de alta eficácia, que apresenta menor risco de efeitos adversos e favorece a adesão ao tratamento, visto que é administrada em dose única diária. Essa abordagem simplificada contribui significativamente para a qualidade de vida dos pacientes e para o controle da carga viral.

Esses resultados aproximam o Brasil das metas globais 95-95-95 da ONU, que visam que 95% das pessoas com HIV conheçam seu diagnóstico, 95% das diagnosticadas estejam em tratamento e 95% das pessoas em tratamento alcancem a supressão viral. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil já atingiu duas dessas três metas, reafirmando sua posição de destaque global no combate à epidemia de HIV e Aids, e no avanço em direção a uma geração livre do vírus.

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A eliminação da transmissão vertical do HIV representa um avanço monumental para o Brasil, reafirmando o compromisso do Sistema Único de Saúde e das políticas públicas com a saúde materno-infantil e o controle das ISTs. Os esforços contínuos em prevenção, diagnóstico e tratamento são cruciais para manter e expandir esses resultados. Continue acompanhando nossas notícias sobre saúde pública em Hora de Começar para ficar por dentro dos últimos desenvolvimentos e análises.

Crédito da imagem: Ministério da Saúde.

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