A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) solicitou formalmente ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP) a abertura de uma investigação criminal contra Alexandre Domênico, conhecido como Alê, presidente da Gaviões da Fiel. O pedido foi motivado por uma publicação nas redes sociais onde o líder da torcida organizada emitiu uma mensagem interpretada como ameaçadora à arbitragem do futebol brasileiro, gerando grande repercussão no cenário esportivo nacional.
A controvérsia teve início com uma postagem de Alê em seu perfil no Instagram, na quarta-feira (28). Na mensagem, o presidente da Gaviões da Fiel declarou que “a cota de vocês roubarem a gente dentro da arena já deu”, complementando com a afirmação de que a torcida tem conhecimento sobre os locais onde os árbitros se hospedam antes das partidas. A declaração迅速 gerou preocupação quanto à segurança e integridade dos profissionais da arbitragem.
As declarações de Alê, líder da principal organizada do Corinthians, vieram antes do confronto do time contra o Mirassol, marcado para esta sexta-feira (30), pelo Campeonato Brasileiro. Ele enfatizou que “isso não é uma ameaça. Só estamos avisando que já está ficando insustentável segurar a massa”, conforme divulgado na quarta-feira (28).
CBF Pede Investigação de Ameaça do Presidente da Gaviões
Na representação criminal apresentada pela CBF, a entidade argumenta que a mensagem de Domênico possui uma “natureza intimidatória”. Segundo a confederação, a conduta do presidente da torcida organizada pode configurar ilícitos previstos na legislação penal e esportiva. As possíveis infrações apontadas incluem os crimes de ameaça e incitação ao crime, conforme o Código Penal, além de incitação à violência relacionada a eventos esportivos, previsto na Lei Geral do Esporte.
Antes da intervenção da CBF, membros do próprio MP-SP já haviam se reunido com Mauro Silva, vice-presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF). Na ocasião, ficou decidido que seria enviado um ofício ao presidente da Gaviões da Fiel, concedendo-lhe um prazo de até cinco dias para se manifestar sobre as declarações.
Em sua defesa, Alexandre Domênico divulgou uma nota explicando o ocorrido. Ele afirmou ter feito a publicação “de cabeça quente” e na condição de torcedor, e não como representante oficial da Gaviões da Fiel. Segundo Alê, sua indignação reflete o sentimento de “milhões de corinthianos que já não aguentam mais ver o Corinthians sendo prejudicado jogo após jogo”, um desabafo que, em sua visão, se acumula há muito tempo.
O presidente da Gaviões detalhou alguns dos motivos da frustração, citando que o Corinthians passou 31 rodadas do Campeonato Brasileiro sem ter um único pênalti marcado a seu favor. Ele também mencionou um lance recente onde um jogador do Corinthians foi inicialmente advertido com cartão amarelo por simulação, mas o VAR posteriormente confirmou a penalidade. Outro episódio lembrado foi um possível puxão de camisa dentro da área no último lance de uma partida, que não foi assinalado como pênalti. Para ele, essas situações alimentam a sensação de injustiça e revoltam a torcida.
Domênico argumentou que a expressão “o juiz roubou” é um bordão comum no futebol, usado por torcedores em arquibancadas, bares e grupos de amigos. Ele enfatizou que essa linguagem popular nunca foi entendida como uma acusação de crime ou um incentivo a assaltos, mas sim como um “desabafo do futebol”. Questionou, portanto, se o torcedor não poderia mais manifestar sua insatisfação ou dizer que o árbitro “roubou”.

Imagem: www1.folha.uol.com.br
Reforçando sua defesa, Alê reiterou que sua postagem “não foi ameaça e nunca será”. Ele explicou que o objetivo de mencionar as mensagens recebidas de torcedores revoltados era demonstrar o clima de tensão gerado pelos erros de arbitragem, e não incitar qualquer tipo de ação. Prova disso, segundo ele, foi o fato de a arbitragem ter deixado o estádio sem incidentes, e ninguém ter perseguido os profissionais. Alê prometeu continuar cobrando, “com a voz que todo torcedor tem”, uma arbitragem justa e transparente, visando que as partidas sejam decididas exclusivamente dentro de campo.
A CBF, por sua vez, além de pedir a instauração de um Procedimento Investigatório Criminal ou a requisição de abertura de inquérito policial, formulou uma série de solicitações adicionais ao Ministério Público. Entre os pedidos, a confederação requereu a adoção de medidas urgentes para reforçar a proteção das equipes de arbitragem nas próximas partidas do Corinthians. Isso inclui a garantia de segurança nos estádios, nos hotéis e nos trajetos utilizados pelos profissionais, visando coibir qualquer tipo de intimidação ou ataque.
A entidade máxima do futebol brasileiro também solicitou a preservação de dados relativos à publicação de Domênico, bem como a oitiva de dirigentes da Gaviões da Fiel para esclarecimentos. Outro ponto crucial do pedido é a apuração da origem de informações sigilosas sobre a hospedagem das equipes de arbitragem, buscando entender como tais dados se tornaram públicos. A CBF pediu, ainda, a análise da aplicação de medidas cautelares cabíveis contra o líder da torcida organizada, que poderiam incluir, por exemplo, a proibição de frequentar estádios ou de se aproximar da arbitragem.
Além das medidas criminais, a CBF requisitou ao MP-SP a adoção de providências na esfera cível e coletiva contra Alexandre Domênico, outros dirigentes eventualmente envolvidos e a própria Gaviões da Fiel. O objetivo é responsabilizar a torcida organizada e seus líderes, nos termos da Lei Geral do Esporte, por eventuais danos ou infrações cometidas. A CBF reafirmou sua confiança nas instituições de investigação e reiterou que não tolerará “qualquer ato de intimidação, ameaça ou violência contra integrantes da arbitragem”, considerados profissionais essenciais para a integridade e a credibilidade das competições brasileiras. A Lei Geral do Esporte visa coibir comportamentos que comprometam a integridade no ambiente esportivo, reforçando a seriedade da conduta que motivou a representação da CBF.
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Em suma, a CBF tomou uma posição firme ao pedir a investigação das ameaças proferidas pelo presidente da Gaviões da Fiel, Alê, contra a arbitragem. O caso destaca a tensão crescente entre torcidas e o sistema de arbitragem, e a necessidade de preservar a integridade e segurança dos profissionais do esporte. Para acompanhar todos os desdobramentos desta e de outras notícias relevantes do futebol brasileiro, continue explorando nossa editoria de Esporte.
Crédito da imagem: Alexandre Domenico no Instagram







