Em um passo decisivo para a qualificação da saúde no país, o Congresso aprova exame obrigatório para médicos, instituindo o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). A Medida Provisória (MP) 1370/26, que agora segue para sanção presidencial, visa assegurar a competência dos futuros profissionais da medicina, elevando o padrão da formação e do exercício profissional em território nacional.
Aprovada nesta quinta-feira, dia 15, após intensos debates e votações nas plenárias da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, a Medida Provisória 1370/26 foi originalmente instituída em junho pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com uma validade estabelecida de 120 dias e vencimento iminente previsto para esta sexta-feira, dia 16, a aprovação parlamentar era crucial para garantir a permanência e a efetividade desta importante iniciativa no cenário educacional e profissional brasileiro.
O relator da matéria na Câmara dos Deputados, Doutor Luizinho (PP-RJ), ressaltou a significativa expansão do ensino médico no Brasil, evidenciada por um aumento de 50% no número de cursos de medicina ao longo dos últimos cinco anos. Diante deste cenário de crescimento acelerado, a nova legislação surge como uma ferramenta essencial para estabelecer um padrão rigoroso de avaliação e qualidade.
Congresso aprova exame obrigatório para médicos: Enamed
A iniciativa pretende não apenas a avaliação individual do desempenho dos estudantes, mas também a qualificação geral e a fiscalização das instituições de ensino superior que oferecem o curso de medicina, impactando diretamente na preparação dos futuros profissionais.
Diferenciando-se de outros processos avaliativos tradicionais, como o vestibular para ingresso em universidades ou o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para o exercício da advocacia, o Doutor Luizinho enfatizou que o Enamed proporcionará uma análise contínua e abrangente. “O novo exame vai permitir avaliar o aluno e a faculdade durante o curso. Teremos bons médicos se formando ao final deste curso”, afirmou o relator. Ele complementou que, com o passar do tempo, a sociedade será capaz de discernir de forma mais clara entre as faculdades de medicina que oferecem um ensino de excelência e aquelas que não atingem o padrão de qualidade necessário, fomentando a melhoria contínua.
A estrutura do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica está cuidadosamente planejada em três etapas distintas, estrategicamente distribuídas ao longo da graduação. A primeira prova será aplicada ao final do quarto semestre, correspondendo ao segundo ano do curso de medicina. A segunda avaliação ocorrerá no final do oitavo semestre, ou seja, no quarto ano, antes que os estudantes ingressem no período crucial de internato. Finalmente, a etapa conclusiva e de maior peso acontecerá no 12º semestre, que marca o término do sexto e último ano da graduação, conferindo um panorama completo da formação.
A pontuação final para a aprovação no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica será determinada por uma média ponderada das três avaliações realizadas, com a atribuição de um peso significativamente maior à última etapa, refletindo a importância do conhecimento consolidado ao final do curso. A Comissão Nacional de Avaliação da Formação Médica terá a importante responsabilidade de estabelecer e detalhar os critérios específicos, os pesos atribuídos a cada prova e o nível mínimo de proficiência exigido para a aprovação dos futuros profissionais da área médica.
O principal objetivo do Enamed transcende a mera verificação de conhecimentos, focando na consistência das habilidades e competências adquiridas pelos estudantes, conforme as diretrizes curriculares nacionais estabelecidas para a medicina. Além disso, a avaliação se propõe a considerar os princípios e as necessidades fundamentais do Sistema Único de Saúde (SUS), garantindo que os novos profissionais estejam alinhados com a realidade e os desafios da saúde pública brasileira. O exame também fornecerá dados estratégicos e essenciais para a formulação de políticas públicas mais eficazes no setor da saúde e para a fiscalização contínua da qualidade dos cursos de medicina em todo o país.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
Aqueles que, porventura, não atingirem o nível mínimo de proficiência estabelecido nas avaliações do Enamed terão a oportunidade de refazer especificamente a terceira etapa do exame em edições subsequentes. Nesses casos, um novo cálculo da média final será realizado para determinar a aprovação ou não do estudante. É importante ressaltar que a primeira média acumulada das três avaliações será devidamente consignada no histórico escolar do estudante concluinte, e as instituições de ensino poderão utilizar essas notas em seus próprios processos de avaliação acadêmica interna, integrando os resultados do Enamed em suas métricas de desempenho.
A exigência da aprovação no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica entrará em vigor para os estudantes que ingressarem nos cursos de medicina a partir de 19 de junho de 2026, data de publicação da Medida Provisória 1370/26. Alunos que já estiverem matriculados antes dessa data não serão afetados pelas novas regras e seguirão as diretrizes e critérios de avaliação anteriores. Adicionalmente, médicos que já possuem diploma reconhecido no Brasil também estão dispensados da realização deste novo exame, que foca na formação atual e futura.
A aprovação desta Medida Provisória (MP) demonstra a preocupação do legislativo com a qualidade profissional no setor da saúde e a busca por mecanismos que garantam a excelência. Para entender mais sobre o funcionamento e o processo de tramitação de uma MP no Brasil, você pode consultar o material explicativo da Câmara dos Deputados sobre o tema, que detalha como essas importantes ferramentas legislativas são criadas e aprovadas.
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Em suma, a aprovação do Enamed representa um marco significativo na regulamentação e fiscalização da formação médica no Brasil, buscando não apenas elevar o padrão de ensino, mas também garantir que os futuros profissionais da medicina estejam mais preparados e qualificados para atender às necessidades da população. Este passo do Congresso Nacional sublinha a importância de um sistema de saúde robusto e de profissionais competentes. Para mais notícias e análises aprofundadas sobre decisões políticas que afetam o Brasil e suas diversas áreas, continue acompanhando a editoria de Política em nosso portal e mantenha-se informado.
Crédito da imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil







