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EUA Aumentam Sanções Contra Cuba e Impactam Economia

Internacional

As sanções EUA Cuba foram intensificadas, marcando um novo capítulo na prolongada pressão econômica de Washington contra Havana. As medidas punitivas anunciadas na última quinta-feira, 8 de maio, visam diretamente a empresa estatal Gaesa, controlada pelas Forças Armadas cubanas, e a joint venture Moa Nickel S.A. (MNSA), uma parceria entre a Companhia Geral de Níquel de Cuba e a canadense Sherritt International.

A decisão da Casa Branca gerou consequências imediatas, com a corporação canadense Sherritt International comunicando a suspensão de suas operações na ilha e o rompimento do contrato com seus parceiros cubanos. Em comunicado, a empresa afirmou que “a decisão dos EUA cria condições que alteram substancialmente a capacidade da empresa de operar no curso normal dos negócios, incluindo as atividades relacionadas às operações da joint venture da Sherritt em Cuba”.

EUA Aumentam Sanções Contra Cuba e Impactam Economia

O Grupo de Administración Empresarial S.A. (Gaesa), uma das principais entidades visadas, funciona como um vasto conglomerado de empresas estatais cubanas, atuando em setores cruciais como construção civil, produção de alimentos e hotelaria. Além da corporação, a Casa Branca também impôs sanções à sua presidente, Ania Guillermina Lastres Morera. A general de brigada Ania Lastres, economista e deputada da Assembleia Nacional de Cuba desde 2018, assumiu a presidência da Gaesa em 2022. Esta nova rodada de sanções eleva a tensão entre os dois países, reacendendo debates sobre a soberania econômica e a influência externa na região.

A Intensificação das Sanções Econômicas Contra Cuba

As recentes sanções impostas pelos Estados Unidos representam um endurecimento notável na política externa em relação a Cuba. A Gaesa, peça central na economia cubana, gerencia uma vasta gama de operações que são vitais para o funcionamento do país, desde a infraestrutura até o abastecimento. A inclusão de sua presidente na lista de sanções sinaliza uma tentativa de desestabilizar a liderança e a gestão das empresas estatais, o que pode ter repercussões significativas no cotidiano da população.

A Moa Nickel S.A. (MNSA), por sua vez, é fundamental para o setor de mineração cubano. A interrupção das atividades da Sherritt International na joint venture representa uma perda substancial de investimentos e expertise técnica. A historiadora cubana Caridade Massón Sena, professora visitante na Universidade Federal de Uberlândia (UFB), enfatizou o impacto negativo dessas medidas. “A indústria do níquel é uma das poucas que ainda estava funcionando. E esta empresa do Canadá era muito importante para a indústria do níquel. E era uma entrada, pelo menos, de divisas [dólares]. Então, isso vai afetar”, afirmou Massón à Agência Brasil. Ela acrescentou que, embora a Gaesa já estivesse sob pressão de sanções anteriores, as novas ações podem afastar outros empresários com negócios na ilha.

Impacto Direto nas Empresas e na População Cubana

Os Estados Unidos fundamentam suas ações acusando a Gaesa de corrupção, uma alegação que a historiadora Caridade Massón Sena questiona veementemente. Segundo Massón, embora casos de corrupção possam ocorrer em qualquer lugar, não foram apresentadas provas concretas contra a Gaesa. “Eles usam esse pretexto de que os dirigentes da Gaesa roubam Cuba por meio do turismo porque o turismo é um dos setores que mais dinheiro gera no país. E não apresentaram nunca provas disso”, comentou.

Esta sanção mais recente não é um evento isolado, mas se soma a outras medidas coercitivas já implementadas. Entre elas, destaca-se o bloqueio naval contra a Venezuela, previsto para o final de 2025, que visa impedir a venda de petróleo para Cuba. Além disso, a ameaça de tarifas contra países que comercializam petróleo com Havana, iniciada em janeiro, resultou em um período de três meses sem o recebimento de uma única gota de combustível na ilha. O impacto do bloqueio energético tem sido severo para a população, manifestando-se em um aumento expressivo de apagões, elevação dos preços de produtos básicos, redução drástica no transporte público e diminuição da oferta da cesta básica alimentar subsidiada pelo Estado. Moradores de Havana, em entrevistas à Agência Brasil, descreveram a situação atual como o pior momento que o país já enfrentou.

A professora Caridad Massón ressalta a gravidade da conjuntura econômica, marcada pela escassez de eletricidade, combustível e medicamentos. Contudo, ela criticou a passividade internacional frente à intervenção dos EUA em outros países. Massón argumentou que o objetivo das sanções é “afogar os cidadãos cubanos pela fome e pela necessidade”, enfatizando que “apenas os cubanos têm o direito de mudar nosso sistema econômico e político.” Ela ainda teceu críticas diretas ao presidente Donald Trump, acusando-o de usar conflitos externos para desviar a atenção de suas próprias questões legais, como a colaboração com o financista Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais.

EUA Aumentam Sanções Contra Cuba e Impactam Economia - Imagem do artigo original

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br

Sanções EUA Cuba: Reações e Perspectivas Internacionais

Em comunicado oficial, o então secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, justificou as medidas como essenciais para proteger a segurança nacional americana. Ele afirmou que “essas sanções fazem parte da campanha abrangente do governo Trump visando enfrentar as ameaças urgentes à segurança nacional representadas pelo regime comunista de Cuba e responsabilizar o regime e aqueles que lhe fornecem apoio material ou financeiro.” A retórica reforça a visão de Washington de Cuba como uma ameaça à sua segurança e aos seus interesses na região.

Em resposta às acusações e às sanções, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, utilizou suas redes sociais para condenar veementemente as ações dos EUA. Ele declarou que “o povo cubano e o mundo já conhecem a crueldade das ações do governo dos EUA”, descrevendo-as como “uma agressão unilateral contra uma nação e seu povo cuja única ambição é viver em paz, senhores do próprio destino e livres da interferência perniciosa do imperialismo estadunidense”. Díaz-Canel enfatizou que, embora as sanções agravem a já complexa situação do país, elas também fortalecem a determinação de Cuba em “defender a Pátria, a Revolução e o Socialismo”.

As medidas coercitivas unilaterais aplicadas pelos EUA têm como base uma nova Ordem Executiva (OE) publicada pelo presidente Donald Trump no dia 1º de maio. A Casa Branca justifica essas restrições, entre outras razões, alegando que Cuba representa uma ameaça ao abrigar “instalações adversárias estrangeiras focadas em identificar e explorar informações sensíveis de segurança nacional dos Estados Unidos”. A professora Caridade Massón Sena, no entanto, rechaça tais acusações, classificando-as como “totalmente falsas”. Ela sugere que as alegações seriam uma tática para “desviar a atenção de seus erros e fracassos” em outros cenários geopolíticos, como os conflitos no Irã, buscando intensificar o bloqueio econômico contra Cuba sob um pretexto de segurança nacional.

A parceria estratégica de Havana com países como China, Rússia e Irã é frequentemente citada pelos Estados Unidos para justificar a imposição de sanções econômicas. Contudo, analistas de direito internacional argumentam que essas medidas da Casa Branca violam princípios do direito internacional, uma vez que não possuem a autorização do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). A maioria da Assembleia Geral da ONU, que inclui o Brasil, tem condenado reiteradamente o cerco imposto por Washington a Cuba há mais de seis décadas. Esse embargo tem gerado prejuízos econômicos e sociais significativos para os cerca de 11 milhões de habitantes da ilha. O endurecimento do cerco econômico neste ano reforça a estratégia contínua dos EUA de tentar derrubar o governo liderado pelo Partido Comunista, que tem desafiado a hegemonia política de Washington na América Latina por mais de seis décadas. O embargo econômico dos EUA contra Cuba já completa 66 anos, com as primeiras ações adotadas logo após o triunfo da Revolução Cubana em 1959, e sua condenação pela comunidade internacional é frequentemente reafirmada em fóruns como a ONU, conforme evidenciado pela posição da maioria dos países membros.

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Em suma, a nova leva de sanções americanas contra Cuba não apenas acentua a pressão sobre entidades estatais e joint ventures, mas também agrava a já frágil situação econômica da ilha, com impactos diretos no cotidiano dos cubanos. As justificativas de segurança nacional por parte dos EUA contrastam com a veemente condenação de Cuba e a reprovação de grande parte da comunidade internacional, que vê nessas ações uma violação do direito internacional e um prolongamento de um embargo que já dura mais de seis décadas. Para aprofundar-se em análises sobre política externa e economia, continue explorando nossa editoria de Política.

Crédito da imagem: Agência Lusa/EPA/Ernesto Mastrascusa/Direitos Reservados

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