A **indicação de Jorge Messias ao STF** (Supremo Tribunal Federal), oficializada pelo presidente Lula (PT) na quinta-feira (21), desencadeou um intenso movimento de articulação nos bastidores de Brasília. O atual advogado-geral da União iniciou imediatamente contatos com líderes do Senado Federal, buscando angariar apoio e mitigar resistências à sua nomeação para a Suprema Corte. A estratégia visa pavimentar o caminho para a aprovação de seu nome em uma Casa legislativa que já demonstra sinais de divisão e oposição considerável.
Messias, membro da Igreja Batista e diácono em uma congregação na capital federal, conta com o respaldo de uma parcela significativa do segmento evangélico, um apoio crucial no cenário político brasileiro. No entanto, enfrenta a oposição veemente de alas mais alinhadas ao bolsonarismo. O principal obstáculo, contudo, reside na figura de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente do Senado, que se manifestou contrário à indicação e, segundo interlocutores, promete trabalhar ativamente para barrar a aprovação do nome do AGU.
Horas após a formalização de sua indicação, Messias começou a agendar reuniões com senadores para a semana seguinte, priorizando aqueles que expressaram ressalvas. O clima político em torno da nomeação é complexo e a tarefa de obter os 41 votos necessários no plenário se mostra desafiadora. A preferência de figuras como Alcolumbre e o senador Eduardo Braga (MDB-AM) era por outro nome, como o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG), adicionando uma camada extra de dificuldade à articulação pró-Messias. Braga, em particular, resumiu a situação com a metáfora: “O mar não está para peixe”.
Indicação Jorge Messias STF: Desafios e Apoios no Senado
A percepção de que a **indicação de Jorge Messias ao STF** não é um consenso já ecoa nos corredores do Congresso. Há uma queixa generalizada entre senadores sobre a dificuldade de interlocução com o Executivo, sentimento que teria sido intensificado pela decisão do presidente Lula de não indicar Pacheco. Sem o apoio explícito de Alcolumbre ou Pacheco, a aprovação de Messias é vista como uma meta distante por muitos parlamentares, exigindo uma forte e coesa estratégia governista.
Além das investidas pessoais de Messias, integrantes da articulação do governo também intensificaram a busca por votos, especialmente entre senadores da oposição. Embora reconheçam a complexidade da missão, os articuladores do Planalto demonstram confiança na capacidade de superar os entraves. Um auxiliar palaciano admitiu que a “pauta-bomba” anunciada por Alcolumbre após a indicação é uma retaliação direta, mas apontou como um “alívio” a escolha de um relator equilibrado, Alessandro Vieira (Cidadania-SE), para o PL Antifacção, uma medida que amenizou a tensão inicial.
No front religioso, lideranças evangélicas de diversos estados, notadamente ligadas à Assembleia de Deus, foram mobilizadas para defender o “irmão” Jorge Messias. Em conversas com parlamentares, esses líderes enfatizam a importância do apoio à indicação. Governistas que atuam na articulação consideram esse movimento vital, especialmente em um ano pré-eleitoral, onde o suporte das igrejas é visto como um pilar fundamental para as campanhas de muitos parlamentares. O bispo Samuel Ferreira, presidente da Assembleia de Deus do Brás, por exemplo, publicou uma foto em suas redes sociais ao lado de Lula e Messias, celebrando a indicação com a mensagem: “Lula, muito obrigada. Messias, Deus é contigo. Parabéns, mas a luta continua”.
Outros nomes de peso no cenário político-religioso também se manifestaram. O deputado federal Marcos Pereira (SP), presidente do Republicanos, afirmou que Messias preenche os requisitos constitucionais e que será “um grande ministro, dignificando o tribunal”. O líder do Republicanos no Senado, Mecias de Jesus (RR), foi um dos primeiros a declarar apoio, enaltecendo a “defesa da família e dos princípios cristãos” do indicado. Messias também buscou apoio junto ao senador Carlos Viana (Podemos-MG), que preside a bancada evangélica no Senado.
Um movimento de apoio notável veio do ministro do STF André Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro (PL) e conhecido como “terrivelmente evangélico”. Mendonça parabenizou Messias e se comprometeu a dialogar com senadores em seu favor. Sua própria indicação, em 2021, foi marcada por um embate de quatro meses com o Planalto, com Alcolumbre retendo a sabatina, o que demonstra a complexidade histórica dessas nomeações no Senado.

Imagem: Lula ao STF via www1.folha.uol.com.br
A prerrogativa de enviar a indicação para sabatina na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) pertence ao presidente do Senado. Alcolumbre, por sua vez, declarou que “analisará os próximos passos, dentro das prerrogativas do Senado Federal”, ressaltando a autonomia da Casa. O presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), embora apoie Messias, esclareceu que depende do encaminhamento de Alcolumbre para pautar a sabatina, assegurando que agirá regimentalmente para que o indicado tenha tempo de dialogar com os gabinetes. A ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) expressou o desejo de que o Senado analise o nome de Messias ainda neste ano.
Especulações sobre a estratégia de Alcolumbre circulam. Inicialmente, o presidente do Senado teria confidenciado a aliados que poderia segurar a sabatina de Messias até 2026, repetindo a tática utilizada com Mendonça. Contudo, há uma nova avaliação de que a estratégia pode ser alterada para acelerar os procedimentos, não concedendo tempo suficiente para o indicado buscar os votos necessários. Atualmente, a maioria dos senadores acredita que Jorge Messias ainda não possui o apoio mínimo para sua aprovação.
Além das divergências sobre a interlocução com o governo, existe uma oposição ideológica manifesta. Jorge Seif (PL-SC), por exemplo, argumentou que “a fé cristã não serve como escudo para práticas incompatíveis com o Evangelho”, sugerindo que a filiação política de Messias é um ponto de discórdia. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), reforçou essa visão, afirmando que a aprovação de Messias representaria “mais 30 anos de um esquerdista petista julgando e atrasando o Brasil com seus valores de esquerda”. O debate sobre as indicações ao STF, conforme detalhado pelo próprio Senado Federal, é um processo complexo que reflete as diversas correntes políticas e sociais do país.
A articulação em torno da **indicação de Jorge Messias ao STF** continua intensa. Se, por um lado, alguns auxiliares palacianos veem um possível adiamento da sabatina para o próximo ano como benéfico, dando mais tempo para distensionar o clima e angariar apoio, por outro, a oposição trabalha para endurecer o jogo, evidenciando as divisões políticas e ideológicas que permeiam o cenário nacional. A busca por consenso e os 41 votos cruciais prometem seguir como um dos principais focos de Brasília nas próximas semanas e meses.
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O processo de **indicação de Jorge Messias ao STF** ilustra a dinâmica complexa entre os poderes Executivo e Legislativo, permeada por articulações políticas, disputas ideológicas e a busca por influência em uma das instituições mais importantes do país. Para aprofundar seu conhecimento sobre o cenário político nacional, continue explorando nossa editoria de Política.
Crédito da imagem: Adriano Machado – 1.jul.25/Reuters







