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Influenciadores Internos: A Força da Comunicação Corporativa

DP E RH

A forma como as informações são absorvidas e compreendidas dentro de uma organização é tão crucial quanto a sua emissão. No cenário atual, a busca por uma comunicação mais humana, autêntica e eficaz tem levado grandes corporações a valorizar um recurso já existente, mas muitas vezes subaproveitado: os influenciadores internos. Essa estratégia reconhece que a proximidade e a confiança entre colegas são determinantes para que uma mensagem institucional realmente faça sentido e ressoe, superando as barreiras da comunicação tradicional. É a conversa no corredor, a troca de experiências e o olhar de quem vive o dia a dia da empresa que traduzem a estratégia em exemplos práticos, promovendo um entendimento mais profundo e engajamento genuíno entre os colaboradores.

A relevância dessa abordagem foi evidenciada no Prêmio Empresas que Melhor se Comunicam com Colaboradores (PEMCC), onde quatro grandes nomes – Banco Mercantil, PepsiCo do Brasil, LATAM Airlines e Boehringer Ingelheim – se destacaram na categoria “Relacionamento com Influenciadores Internos”. Os cases premiados demonstram um ponto em comum: a capacidade de converter as relações de confiança já estabelecidas no ambiente de trabalho em uma poderosa ferramenta de comunicação estratégica, descentralizando o fluxo de informações e fortalecendo a cultura organizacional de dentro para fora.

Influenciadores Internos: A Força da Comunicação Corporativa

O Banco Mercantil, por exemplo, que se destaca no atendimento ao público 50+, conquistou o prêmio com o projeto “Influenciadores Internos: Conectando pessoas, impulsionando resultados”. O desafio central era mitigar a distância geográfica de seus quatro mil colaboradores distribuídos em mais de 350 pontos de atendimento, além da sede e coligadas. A especialista em comunicação da instituição, Gabriela Teixeira, ressaltou que o modelo convencional, embora abrangesse a todos, falhava em criar proximidade com aqueles mais afastados da sede, dificultando o engajamento e o senso de pertencimento. A solução foi capacitar colaboradores como influenciadores, estabelecendo uma conexão transparente e participativa que unisse a equipe dispersa. A iniciativa, apelidada internamente de “Comunicação 4.0”, redefiniu o papel da área de comunicação, que passou de única emissora a curadora e mentora, preparando os próprios funcionários para produzir conteúdo sobre temas estratégicos como produtos, carreira e diversidade. Em 2024, o programa expandiu de quatro para onze pilares, refletindo a crescente confiança nos influenciadores para humanizar mensagens institucionais. A seleção é criteriosa, buscando indivíduos com orgulho de pertencer, ética e habilidade natural de liderar opiniões, incluindo a primeira influenciadora com deficiência auditiva, que produz conteúdo em Libras. Em 2025, a participação de colaboradores de agências no grupo saltou de 47% para 60%, demonstrando que a voz da comunicação agora nasce em diversas frentes. Os influenciadores participam ativamente da criação de pautas, levando temas institucionais para o dia a dia da equipe e contando com apoio em formação, acompanhamento digital e, recentemente, inteligência artificial. Quase nove em cada dez colaboradores acompanham o que o grupo produz, e os conteúdos internos superaram 68 mil visualizações, com um aumento de mais de 200% no volume de produção, gerando uma economia estimada em mais de R$ 500 mil em comparação com produções externas. O impacto no negócio é claro: os influenciadores explicam produtos, orientam sobre desempenho e contribuem para a retenção, especialmente no atendimento ao público 50+. A trilha de ensino acumulou sete capacitações com 99% de satisfação.

A PepsiCo do Brasil transformou a força de seus colaboradores em uma estratégia de reputação com o programa “PEPnation”, que reúne 17 funcionários para compartilhar suas experiências na empresa em suas próprias redes sociais. Nayara Carmo, gerente de Employee Communications, enfatizou a premissa de que “ninguém melhor para falar da gente do que a gente mesmo”. A empresa preparou esses influenciadores como embaixadores da marca, garantindo autenticidade em suas narrativas. A seleção envolveu inscrições e mapeamento de mais de 50 perfis diversos, com foco em capacitação e vivência real da estratégia da companhia. Nayara destaca que um programa dessa magnitude exige um trabalho prévio de comunicação interna robusto, que inclua o conhecimento das pessoas e sua conexão com os valores da empresa. Os selecionados passaram por imersões em toda a cadeia de produção da PepsiCo, desde a origem dos ingredientes até a reciclagem de embalagens, conectada à agenda de sustentabilidade pep+. Essa jornada ampliou o repertório dos participantes, capacitando-os a traduzir temas complexos em narrativas genuínas. Para manter o engajamento, o PEPnation gamificou a jornada em quatro missões, com pontos e recompensas no “Passaporte PepsiCo”, transformando o colaborador em protagonista. A pesquisa interna revelou 100% de satisfação e intenção de repetir a experiência. A liberdade de expressão foi equilibrada com a coerência das mensagens ligadas à cultura e ao negócio, permitindo que cada embaixador escolhesse formato e tom. Isso resultou em uma variedade de sotaques – do campo, da fábrica, do escritório – apoiados consultivamente pela comunicação. Os resultados são impressionantes: mais de 200 mil visualizações orgânicas, 8,6 mil interações e 85 publicações originais, além de 14 collabs com o perfil oficial da PepsiCo no Instagram, gerando mais de 107 mil visualizações. Internamente, mais de dois mil colaboradores foram impactados, e o modelo foi reconhecido globalmente, refletindo uma comunicação descentralizada e cocriada.

Na LATAM Airlines, o programa “Facilitadores de Comunicação” surgiu para otimizar o fluxo de informações no centro de manutenção (MRO) de São Carlos, o maior do grupo, com mais de dois mil profissionais. Em um ambiente operacional de alta complexidade, era crucial que todos compreendessem as mensagens. Caio Ferracina, coordenador sênior de Comunicação Interna e Marca Empregadora, explica que a iniciativa descentralizou e humanizou a comunicação estratégica e local, reduzindo ruídos. A seleção dos facilitadores não se limitou à liderança, incluindo inscrições, indicações e validação por gestores e RH, com critérios transparentes focados em boa comunicação, relacionamento e engajamento. Perfis questionadores e de diferentes gerações também foram incluídos para garantir diversidade e identificar falhas de informação. No primeiro encontro presencial, os facilitadores discutiram conceitos e assinaram um compromisso de “promover uma comunicação facilitada”. Eles receberam bótons e foram apresentados à operação. No dia a dia, um grupo de mensagens mantém a rede conectada, com orientações sobre temas e prazos. A autonomia na escolha do formato – de alinhamentos formais a conversas no café – permite adaptar a mensagem ao público. O grande diferencial do programa reside na via de mão dupla da comunicação. Semanalmente, os facilitadores levam dúvidas, falhas de entendimento e sugestões da operação para a liderança, que mapeia e compartilha as respostas. Em apenas quatro meses, 165 temas foram abordados, com 145 respostas e 12 comunicações proativas. A pesquisa interna revelou que 90,3% dos facilitadores sentem que o programa melhorou o fluxo de informações, e 83,9% se sentem totalmente apoiados. Nenhum avaliou a experiência como negativa; 48,4% a classificaram como excelente e 51,6% como boa. O sucesso do piloto em São Carlos o transformou em referência para o mercado.

Por fim, a Boehringer Ingelheim lançou o programa “Embaixadores Boehringer” em 2022, na fábrica de Paulínia, para preencher a lacuna de comunicação entre o chão de fábrica e a gestão. Cíntia Rizzo, gerente de Comunicação, identificou uma distância entre colaboradores e gestores, com a comunicação nem sempre clara ou próxima. Os embaixadores, selecionados anualmente em turmas de até 25 pessoas de diversas áreas e turnos, atuam como referência, criando um canal direto, humano e educativo. O processo de seleção é inovador, combinando mobilização pelos próprios embaixadores ativos, voto popular da comunidade e seleção final da liderança sênior baseada em critérios estratégicos. A diversidade é um requisito inegociável, buscando colaboradores de diferentes cargos, gêneros e tempos de casa, reconhecidos pelos colegas e com orgulho da empresa. Antes de atuar, os embaixadores recebem um treinamento rigoroso, com encontros mensais e oficinas, para que possam compreender e traduzir os assuntos em uma linguagem acessível e cotidiana. Essa preparação, crucial para uma comunicação mais horizontal, conta com o apoio do Grupo Trama Reputale, que oferece treinamentos em comunicação espontânea, não violenta, construção de histórias, imagem e reputação. Sandra Bonani, diretora de Comunicação Integrada da Trama, destaca o objetivo de preparar os embaixadores para serem porta-vozes autênticos e conectados à realidade da fábrica. Lideranças da fábrica acompanham de perto os encontros. Uma pesquisa com a turma de 2024 mostrou que 95% conheciam as mensagens-chave da companhia (um aumento de 18%) e 94% declararam-se mais motivados a permanecer na empresa. O protagonismo dos embaixadores foi visível no evento “Diálogo Paulínia”, onde eles apresentaram os resultados da fábrica. Entre janeiro de 2024 e julho de 2025, os embaixadores fizeram 228 publicações espontâneas e participaram de diversas ações. O conforto para conversar com diretores subiu 1,2 ponto, e a percepção de união entre colegas saltou de quase oito para mais de nove, com todos os participantes sentindo maior orgulho de pertencer à companhia. Cíntia Rizzo vê o reconhecimento no PEMCC como a validação de uma iniciativa que transformou a comunicação interna em ferramenta estratégica de cultura, engajamento e pertencimento. Sandra Bonani reforça que uma comunicação interna forte aproxima pessoas, fortalece vínculos e contribui para a reputação interna.

Estes programas demonstram, por diferentes caminhos, que a eficácia de uma mensagem dentro de uma empresa não se resume à quantidade de canais, mas sim à qualidade do contexto e à confiança de quem a transmite. Ao invés de competir com a conversa informal, as companhias estruturaram essa influência já existente, capacitando seus colaboradores e mantendo canais abertos para dúvidas e feedback. Isso garante que a informação não só chegue, mas seja compreendida, gerando um impacto positivo no clima organizacional e nos resultados de negócio, promovendo uma cultura de diálogo e pertencimento. A construção de uma comunicação interna forte, com colaboradores como protagonistas, é uma tendência consolidada que redefine o engajamento e a reputação. Para aprofundar a compreensão sobre o impacto da comunicação interna na estratégia de negócios, você pode consultar fontes especializadas em gestão corporativa e ESG. Um exemplo relevante é o artigo sobre a relação entre comunicação interna e tendências ESG, disponível em fontes como a Exame: Comunicação interna e tendências em ESG: entenda a relação.

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Em suma, a estratégia de influenciadores internos se prova um pilar fundamental para a comunicação corporativa moderna, transformando a maneira como as empresas se conectam com seus colaboradores. Ao valorizar a voz autêntica e próxima de seus próprios talentos, as organizações não apenas ampliam o alcance de suas mensagens, mas também fortalecem o senso de pertencimento, o engajamento e a credibilidade interna. Para explorar mais artigos e análises sobre o universo empresarial e as tendências que moldam o mercado, continue acompanhando nossa editoria de Economia. Acesse mais conteúdos em: https://horadecomecar.com.br/economia/

Crédito da Imagem: Portal Melhor RH

Influenciadores Internos: A Força da Comunicação Corporativa - Imagem do artigo original

Imagem: melhorrh.com.br

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