O presidente Luiz Inácio Lula da Silva marcou sua presença em Barcelona, na Espanha, no sábado, 18 de maio de 2026, participando do evento inaugural da Mobilização Progressista Global (MPG). Este encontro internacional reuniu ativistas e diversas organizações de esquerda, com a finalidade de fortalecer a defesa da democracia, promover a justiça social e contrapor-se ao avanço de ideologias autoritárias de extrema-direita que ganham terreno globalmente. Durante seu discurso, proferido para uma plateia de mais de 5 mil pessoas, incluindo outros chefes de Estado, o presidente brasileiro enfatizou a importância de não se intimidar em declarar publicamente posições progressistas ou de esquerda no cenário político contemporâneo.
Dirigindo-se à vasta audiência, Lula ressaltou que, em um ambiente democrático, não há motivo para que indivíduos ou grupos temam expressar suas convicções, desde que respeitem os princípios e as regras do jogo democrático estabelecidos pela própria sociedade. A fala do presidente brasileiro foi um chamado à coragem e à autenticidade dentro do espectro progressista, reforçando a ideia de que a verdade e a convicção devem prevalecer sobre o temor da crítica ou da oposição. A Mobilização Progressista Global surge como um fórum crucial para tal articulação e reafirmação de valores.
Lula na Espanha: Presidente defende coerência progressista
Lula destacou os significativos avanços sociais obtidos pelo campo progressista em diversas frentes, beneficiando grupos historicamente marginalizados como trabalhadores, mulheres, a população negra e a comunidade LGBTQIA+. No entanto, o presidente fez uma ressalva crítica, apontando que a esquerda, em muitos momentos, falhou em superar o domínio do pensamento econômico neoliberal. Essa incapacidade, segundo ele, pavimentou o caminho para que forças reacionárias ganhassem proeminência e influência na sociedade, aproveitando-se de lacunas deixadas por uma ortodoxia econômica que a própria esquerda por vezes adotou, enfraquecendo sua capacidade de propor alternativas verdadeiramente transformadoras.
O líder brasileiro argumentou veementemente que o projeto neoliberal, apesar de suas promessas de prosperidade e desenvolvimento, resultou em fome, crescente desigualdade e insegurança generalizada, provocando uma série de crises econômicas e sociais sucessivas. Mesmo diante desses evidentes fracassos, Lula criticou a tendência de governos de esquerda sucumbirem à ortodoxia financeira, tornando-se, ironicamente, “gerentes das mazelas do neoliberalismo”. Ele observou que frequentemente governos eleitos com plataformas de esquerda acabam implementando políticas de austeridade, sacrificando importantes políticas públicas em nome da governabilidade e da aceitação pelo “sistema”, o que os descaracteriza e abre espaço para que a direita se posicione como “antissistema”, atraindo o descontentamento popular.
A Coerência Como Pilar do Progressismo
Lula enfatizou que a coerência deve ser o mandamento primordial para os progressistas. “Não podemos nos eleger com um programa e implementar outro”, afirmou. Essa traição à confiança popular, segundo o presidente, mina a credibilidade do movimento, mesmo que grande parte da população não se identifique explicitamente como progressista. Ele argumentou que as pessoas anseiam por aquilo que o progressismo propõe: acesso à boa alimentação, moradia digna, educação e saúde de qualidade, políticas climáticas sérias e responsáveis, um meio ambiente limpo e saudável, e um trabalho decente com salário justo. Estes são os anseios básicos que os progressistas devem se comprometer a entregar, mantendo a fidelidade aos seus princípios e promessas.
O presidente brasileiro analisou como a extrema-direita habilmente soube capitalizar o descontentamento gerado pelas promessas não cumpridas do neoliberalismo. Essa corrente política, de acordo com Lula, canalizou a frustração popular por meio de “mentiras e mais mentiras”, direcionando o discurso de ódio contra mulheres, pessoas negras, a população LGBTQIA+ e imigrantes – grupos que se tornam as principais vítimas dessa retórica divisionista. A exploração do mal-estar social para fomentar preconceitos e desinformação é uma tática que desvia a atenção dos verdadeiros problemas estruturais, como a concentração de riqueza e a desigualdade, e incita à polarização e ao conflito social.
Em um evento anterior no mesmo dia, também em Barcelona, Lula participou da quarta edição do Fórum Democracia Sempre, ao lado de outros líderes internacionais. Esta iniciativa, lançada em 2024, envolve os governos de Brasil, Espanha, Colômbia, Chile e Uruguai. A reunião em Barcelona foi organizada pelo presidente do Governo da Espanha, Pedro Sánchez, e contou com a presença dos presidentes Yamandú Orsi (Uruguai), Gustavo Petro (Colômbia), Cyril Ramaphosa (África do Sul), Claudia Sheinbaum (México), e do ex-presidente do Chile Gabriel Boric. Este fórum demonstra o esforço conjunto de diversas nações para fortalecer os pilares democráticos e enfrentar os desafios contemporâneos que ameaçam a estabilidade política e social global.
Desafios Globais e a Crítica aos Bilionários
Dirigindo-se à plateia de ativistas progressistas, Lula apontou que os verdadeiros culpados pela atual crise socioeconômica são os poucos bilionários que concentram a vasta maioria da riqueza mundial. Ele criticou a “falácia da meritocracia”, que, segundo ele, é alimentada para fazer as pessoas acreditarem que qualquer um pode alcançar o topo, enquanto os mesmos bilionários “chutam a escada” para impedir que outros tenham as mesmas oportunidades. Essa elite econômica, conforme o presidente, paga poucos ou nenhum imposto, explora trabalhadores, destrói o meio ambiente e manipula algoritmos para manter seu poder. A desigualdade, portanto, não é um resultado natural, mas uma “escolha política”. A essência do progressismo, reiterou Lula, é escolher a igualdade e estar sempre ao lado do povo.
O presidente brasileiro não hesitou em voltar a classificar os líderes dos países com assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas como “senhores da guerra”. Ele criticou duramente os bilhões de dólares que são anualmente gastos em armamentos, recursos que, segundo ele, poderiam ser direcionados para erradicar a fome, resolver a crise energética global e garantir acesso universal à saúde. Essa visão ressalta uma prioridade para o Sul Global, que, de acordo com Lula, “paga a conta de guerras que não provocou e de mudanças climáticas que não causou”, sendo tratado como “quintal das grandes potências”, sufocado por tarifas abusivas e dívidas impagáveis, e novamente visto como mero fornecedor de matérias-primas. Ser progressista no cenário internacional, para Lula, significa defender um multilateralismo reformado, priorizar a paz sobre a força, combater a fome, proteger o meio ambiente e restaurar a credibilidade da ONU, corroída pela irresponsabilidade de seus membros permanentes. Para mais informações sobre os desafios da governança global, consulte o portal das Nações Unidas sobre governança global.
Em outro segmento de seu discurso, Lula alertou que a ameaça da extrema-direita transcende a retórica; ela é uma realidade concreta. Ele citou o Brasil como exemplo, onde a extrema-direita “planejou um golpe de Estado” e “orquestrou uma trama que previa tanques na rua e assassinatos do presidente eleito, do vice-presidente e do presidente da Justiça Eleitoral”. Recordando uma citação do papa Leão XIV, que afirmou que “a democracia corre o risco de se tornar uma máscara para o domínio das elites econômicas e tecnológicas”, Lula enfatizou o papel dos progressistas em desmascarar essas forças, bem como aqueles que se dizem a favor do povo, mas governam para os mais ricos.
O presidente brasileiro salientou que a democracia não é um estado final, mas um processo que exige reafirmação diária, materializando-se na melhoria efetiva da vida das pessoas para não perder sua credibilidade. Ele questionou a existência da democracia em situações de privação: “Não é democracia quando um pai não sabe de onde tirar seu próximo prato de comida. Não há democracia quando um neto perde seu avô na fila de um hospital. Não há democracia quando uma mãe passa horas em um ônibus lotado e não consegue dar um beijo de boa noite nos seus filhos. Não há democracia quando alguém é discriminado pela cor de sua pele, quando uma mulher morre apenas pelo fato de ser mulher”. A missão, para Lula, é substituir o desalento pelo sonho e o ódio pela esperança.
Agenda de Lula na Europa
Após seus compromissos na Espanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva seguiu para a Alemanha no domingo, 19 de maio de 2026. No país, participará da Hannover Messe, considerada a maior feira de inovação e tecnologia industrial do mundo, que nesta edição presta uma homenagem especial ao Brasil. Ainda em território alemão, o presidente terá um encontro bilateral com o chanceler Friedrich Merz, reforçando os laços diplomáticos e comerciais entre as duas nações. Este segmento da viagem sublinha a importância da cooperação tecnológica e industrial no panorama global.
A agenda europeia de Lula será concluída em 21 de maio, com uma breve visita de Estado a Portugal. Em Lisboa, o presidente brasileiro tem encontros agendados com o primeiro-ministro Luís Montenegro e com o presidente António José Seguro. Esta sequência de visitas a importantes nações europeias reforça o papel do Brasil no cenário internacional, buscando fortalecer alianças estratégicas e discutir temas cruciais para o desenvolvimento e a estabilidade global. A presença de Lula em múltiplos fóruns e encontros reflete a intensidade da diplomacia brasileira e seu compromisso com agendas progressistas e de cooperação.
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Em síntese, o discurso do presidente Lula em Barcelona reafirmou o compromisso com a democracia e a justiça social, criticando o neoliberalismo e a extrema-direita, enquanto conclamava por coerência e união no campo progressista. A agenda europeia de Lula, que incluiu Espanha, Alemanha e Portugal, evidencia a busca por parcerias e a rearticulação do Brasil no cenário global, defendendo um multilateralismo mais equitativo. Para continuar acompanhando os desdobramentos políticos e econômicos, convidamos você a explorar outras notícias em nossa editoria de Política.
Crédito da imagem: Ricardo Stuckert/PR






