A desapropriação de um casarão histórico no Cosme Velho, Zona Sul do Rio de Janeiro, foi anunciada pela Prefeitura da cidade após o imóvel sofrer um desabamento parcial. O incidente, ocorrido na manhã do último sábado, dia 19, atingiu a estrutura de dois andares do prédio, que já se encontrava em condições precárias.
O colapso da edificação resultou em ferimentos para duas pessoas que passavam pelo local no momento do ocorrido. Uma mulher de 43 anos e sua filha, uma criança de apenas dois anos que era transportada em um carrinho de bebê, foram as vítimas. Ambas receberam os primeiros socorros de equipes do Corpo de Bombeiros e foram encaminhadas para atendimento em uma unidade hospitalar da cidade.
Prefeitura do Rio Anuncia Desapropriação de Casarão no Cosme Velho
A medida de desapropriação foi formalizada pelo prefeito Eduardo Cavaliere (PSD). A ação da administração municipal não se restringe apenas ao terreno e aos remanescentes do casarão que desabou. Outros imóveis de relevância histórica na mesma região do Cosme Velho também foram incluídos no plano de desapropriação: a emblemática Casa Portinari, situada do outro lado da rua, e o Solar dos Abacaxis, um palacete localizado no mesmo bairro.
Em declaração oficial, Cavaliere ressaltou que esta iniciativa representa o “primeiro bloco de imóveis da região” a ser desapropriado, adiantando que uma nova rodada de desapropriações será realizada no centro histórico da capital fluminense. O objetivo, segundo o prefeito, é evitar a repetição de situações como a vivenciada no sábado, atribuindo a causa principal à “falta de preservação e de responsabilidade dos proprietários” de tais bens.
O prefeito Eduardo Cavaliere enfatizou o papel da prefeitura em intervir ativamente na situação desses imóveis. Ele explicou que, após a desapropriação, as propriedades serão levadas a leilão público. Esse processo, segundo o gestor, permitirá que os casarões e palacetes ganhem “um novo destino e sirvam à população”, garantindo a revitalização e a utilização adequada desses bens que compõem o patrimônio urbano carioca.
O desabamento parcial do casarão histórico afetou diretamente uma propriedade vizinha. Como consequência do incidente, ambos os imóveis foram interditados pelas autoridades da Defesa Civil. Em uma ação emergencial coordenada pela Secretaria Municipal de Conservação, os segundos andares de ambas as construções foram demolidos para eliminar riscos iminentes e evitar novos acidentes na área, garantindo a segurança dos transeuntes e moradores locais.
As duas edificações adjacentes, que agora enfrentam o processo de desapropriação, possuíam um histórico de uso bastante característico da região. Um dos prédios abrigou uma casa de cômodos, caracterizada por dez quartos e uma arquitetura eclética que remetia a períodos passados. O outro imóvel, por sua vez, foi a sede da Panificação Rainha, um estabelecimento que operou ininterruptamente no local desde a década de 1960 até o ano de 2021, marcando a memória e o cotidiano do bairro.
Apesar de seu valor histórico e potencial, os imóveis estavam em estado de abandono. Curiosamente, o casarão que desabou foi anunciado recentemente em plataformas digitais especializadas no mercado imobiliário. A propriedade estava à venda por um valor de R$ 6,3 milhões, sendo descrita com uma fachada preservada e com potencial para uma reforma interna, o que demonstrava um contraste com o seu real estado de degradação.

Imagem: www1.folha.uol.com.br
O abandono e a condição precária do imóvel já haviam sido motivo de denúncia oficial por parte da associação Viva Cosme Velho, um grupo formado por moradores engajados na preservação e no bem-estar do bairro. Em um ofício encaminhado à prefeitura em março do corrente ano, a associação detalhou uma série de problemas estruturais. Foram apontadas infiltrações significativas, danos em esquadrias e revestimentos, além do risco iminente de desabamento dos telhados, agravado pela presença excessiva de vegetação.
No documento, a associação de moradores expressou sua preocupação com a segurança pública. O ofício da Viva Cosme Velho destacava: “Visto seu péssimo estado de conservação, foi colocada uma faixa de interdição da Defesa Civil. Entretanto, como a calçada é muito estreita, os transeuntes não têm como desviar e passar por um local mais seguro”. Essa observação sublinhava o perigo constante que a situação do casarão representava para pedestres que circulavam pela área.
A Casa Portinari, um dos imóveis incluídos no novo plano de desapropriações da prefeitura, possui uma história cultural rica. O local foi outrora a sede da Sociedade Taoísta do Brasil e, entre os anos de 1943 e 1950, serviu de residência para o renomado pintor Candido Portinari, uma das figuras mais importantes da arte brasileira. No entanto, a associação de moradores também reportou o abandono e a degradação da propriedade, com relatos de parte do telhado caído e diversos problemas estruturais.
Outro bem de valor histórico alvo da desapropriação é o Solar dos Abacaxis, um majestoso palacete construído em 1850. O imóvel, em estilo neoclássico, é famoso por seus adornos de bronze em forma de abacaxis que decoram as sacadas, conferindo-lhe uma identidade única. Embora tenha sido palco de projetos culturais ao longo da última década, o Solar dos Abacaxis também apresenta danos estruturais, conforme evidenciado em relatórios da associação Viva Cosme Velho, reiterando a necessidade de intervenção para a preservação desses importantes símbolos da cidade.
A preservação de imóveis históricos como o casarão do Cosme Velho e outros bens culturais na cidade do Rio de Janeiro é fundamental para a manutenção da memória e da identidade urbana. Órgãos como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) destacam a importância de políticas públicas e da conscientização para garantir que edificações centenárias sejam mantidas e utilizadas, evitando a perda irreparável de legados arquitetônicos e culturais que enriquecem a paisagem e a história da nação.
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A ação da Prefeitura do Rio de Janeiro no Cosme Velho, com a desapropriação de importantes imóveis históricos, demonstra um esforço em proteger o patrimônio e a segurança pública. Acompanhe mais notícias sobre urbanismo, cultura e gestão municipal em nossa editoria de Cidades, onde abordamos os principais acontecimentos que moldam o cotidiano e o futuro de nossas comunidades.
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