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Ranking Tributário Global: Brasil na 29ª Posição

Economia

O Ranking Tributário Global: Brasil na 29ª Posição revela que ter uma carga tributária baixa, por si só, não é o fator determinante para atrair investidores, empresários e profissionais que buscam definir sua residência fiscal. Uma pesquisa internacional conduzida pela Global Intelligence Unit, braço de análise da consultoria Global Citizen Solutions, avaliou 48 jurisdições e demonstrou que a estrutura do sistema tributário possui um peso tão crucial quanto o nível das alíquotas aplicadas. Este estudo oferece uma perspectiva detalhada sobre a competitividade fiscal dos países, destacando os elementos que realmente influenciam a decisão de residência ou investimento.

O levantamento, intitulado “Tax Optimization for Global Citizens”, baseou-se em 11 indicadores, distribuídos em três pilares principais. A carga tributária e a estrutura tributária foram os pilares de maior peso, cada um contribuindo com 42,5% da pontuação final. O terceiro pilar, migração por investimento, foi responsável pelos 15% restantes. A combinação desses fatores permitiu uma análise abrangente das jurisdições, classificando-as pela sua atratividade fiscal e pela eficiência de seus sistemas.

O resultado final desta avaliação posicionou os Emirados Árabes Unidos em primeiro lugar, acumulando 83 pontos na classificação geral. O país árabe se destaca por uma combinação fiscal altamente favorável, que inclui imposto de renda de pessoa física zero, uma alíquota de 5% sobre o consumo e a ausência de cobrança tributária na saída de capital. Essa estratégia consolidou sua liderança no

Ranking Tributário Global: Brasil na 29ª Posição

, mostrando como a ausência de certas tributações pode ser um diferencial competitivo.

A Importância da Estrutura Tributária e os Destaques do Ranking

O estudo enfatiza que as diferenças significativas na classificação não se devem apenas às alíquotas, mas à estrutura tributária. Os Emirados Árabes Unidos, por exemplo, alcançaram a pontuação máxima de 100 em carga tributária, mas obtiveram 64 em estrutura, indicando que, mesmo com alíquotas baixas, a complexidade pode ser um fator. Por outro lado, Malta, que ocupa a sexta posição geral, demonstra um equilíbrio interessante com 82 pontos em carga, 63 em estrutura e 83 em migração por investimento.

Malta e Chipre figuram como as únicas jurisdições europeias no top 10 do ranking. Sua presença entre os líderes não se deve a impostos menores, mas à implementação de regimes tributários preferenciais que oferecem vantagens competitivas. Este é um ponto crucial do estudo, que desmistifica a ideia de que apenas a redução de alíquotas atrai capital e residência. A lista das 10 primeiras jurisdições é a seguinte:

  • Emirados Árabes Unidos: 83 pontos
  • Antígua e Barbuda: 82 pontos
  • Paraguai: 77 pontos
  • Hong Kong: 77 pontos
  • Bahamas: 76 pontos
  • Malta: 74 pontos
  • São Cristóvão e Névis: 74 pontos
  • Malásia: 74 pontos
  • Granada: 74 pontos
  • Chipre: 73 pontos

Desempenho do Brasil no Cenário Fiscal Mundial

O Brasil, por sua vez, aparece apenas na 29ª posição entre as 48 jurisdições analisadas pelo **ranking tributário global**. A análise da composição de sua nota ajuda a compreender o resultado. O país obteve 69 pontos em carga tributária, apenas 31 em estrutura tributária e 85 em migração por investimento. É a deficiência na estrutura tributária que impacta negativamente sua colocação geral, evidenciando a necessidade de reformas e simplificações para melhorar a competitividade.

A metodologia da Global Intelligence Unit aponta que o Brasil tributa seus residentes em bases universais, o que significa que rendimentos obtidos no exterior também são alcançados pela tributação nacional. Além disso, o país não possui um regime preferencial equivalente aos encontrados nas jurisdições mais bem classificadas, o que limita sua atratividade para determinados perfis de investidores e residentes. O levantamento também considera uma alíquota de até 22,5% para ganho de capital no Brasil, em contraste com a mediana de 15% observada na amostra, colocando-o em desvantagem nesse aspecto. Apenas no pilar de estrutura tributária, o Brasil ocupa a 33ª posição.

Entretanto, o desempenho brasileiro mostra variações quando outros impostos são considerados. O estudo aponta uma alíquota máxima de 8% para o ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação), um imposto estadual incidente sobre heranças e doações. Essa alíquota está entre as oito menores da amostra, abaixo de 20%. Em comparação, 29 das 48 jurisdições analisadas não cobram imposto sobre herança, enquanto em sistemas de maior tributação as alíquotas podem atingir 40% ou até 60%. Países como França (60%), Japão (55%) e Alemanha (50%) exemplificam essa alta tributação. Curiosamente, nenhuma das 13 jurisdições mais bem classificadas no índice impõe esse tipo de tributo.

Cenário Regional e Sistemas de Tributação Diferenciados

A comparação regional reforça a situação desfavorável do Brasil. Na América Latina, o país é o penúltimo colocado, superando apenas a Argentina. Outras nações como Paraguai, Panamá, Uruguai e Costa Rica, que adotam sistemas de tributação territorial, aparecem em posições muito mais elevadas no **ranking tributário global**. O Paraguai, por exemplo, tem sido um competidor do Brasil por investimentos e ocupa a notável 3ª posição mundial. O Panamá está em 11º lugar, o Uruguai em 12º e a Costa Rica em 14º. O México, que também adota um sistema de residência com alcance universal, aparece em 22º, sete posições à frente do Brasil.

Ranking Tributário Global: Brasil na 29ª Posição - Imagem do artigo original

Imagem: infomoney.com.br

A principal diferença reside no tratamento da renda estrangeira. Nos sistemas territoriais, a tributação se concentra na renda gerada dentro da própria jurisdição. Outros países adotam modelos em que determinados rendimentos estrangeiros são tributados apenas quando remetidos para o país de residência. Há também aqueles que criam regimes preferenciais para residentes específicos, flexibilizando a carga fiscal.

A análise comparativa entre Uruguai e Hungria ilustra a complexidade da estrutura tributária. O Uruguai, com uma alíquota máxima de até 36% conforme o levantamento, obtém a melhor pontuação em estrutura tributária de toda a amostra, alcançando a 12ª posição geral. Já a Hungria, apesar de uma alíquota de 15%, figura na 31ª posição. Isso ocorre porque o país tributa a renda mundial de seus residentes fiscais e não oferece alívio substancial para novos residentes, conforme os critérios do índice. Este contraste reforça que uma alíquota menor não necessariamente significa uma estrutura mais vantajosa. Para indivíduos com patrimônio e investimentos em múltiplos países, a base de incidência dos impostos pode ter um impacto maior do que pequenas variações nas alíquotas, como é detalhado em relatórios da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) sobre políticas fiscais internacionais.

Mobilidade e Qualidade de Vida: Variáveis Adicionais no Ranking Fiscal

Se a estrutura tributária brasileira compromete sua posição, o país apresenta um desempenho mais favorável nos critérios relacionados à mobilidade. O programa brasileiro de residência figura em 8º lugar entre as 35 jurisdições analisadas com programas de migração, contribuindo para os 85 pontos recebidos nesse pilar. Adicionalmente, o levantamento destaca que o Brasil não cobra uma taxa de saída de quem transfere sua residência fiscal para outro país. Das 48 jurisdições pesquisadas, 31 não realizam essa cobrança, o que coloca o Brasil em uma posição vantajosa em termos de facilidade de saída. Países como Austrália, Canadá, Dinamarca, Alemanha, Noruega, Espanha, França e Suíça estão entre as 17 nações que aplicam algum tipo de tributação na saída, com os Estados Unidos apresentando as condições mais restritivas para expatriados sujeitos às regras de exit tax. Essa combinação cria uma situação peculiar para o Brasil, bem avaliado na entrada e saída, mas menos competitivo durante o período de residência fiscal, especialmente para quem gera renda relevante no exterior.

O estudo da Global Citizen Solutions também introduz uma variável inovadora: a qualidade de vida. Ao confrontar os resultados fiscais com o Global Passport Index 2026, elaborado pela mesma organização, surge um paradoxo. Países com tributação muito baixa nem sempre oferecem os melhores indicadores de qualidade de vida. Os Emirados Árabes Unidos, líderes do ranking tributário, aparecem em 124º lugar no indicador de qualidade de vida. No extremo oposto, a Suécia é a segunda colocada em qualidade de vida, mas apenas a 32ª na classificação tributária. O Brasil se posiciona entre os 50 primeiros em qualidade de vida, mas na metade inferior do ranking fiscal.

Apenas sete jurisdições conseguem combinar uma posição tributária na metade superior da classificação com presença entre as 50 primeiras em qualidade de vida. Entre elas estão Malta, Chipre, Uruguai, Costa Rica, Maurício, Suíça e Portugal. Nenhuma dessas nações possui imposto de renda zero. Em vez disso, elas recorrem a estratégias como tributação territorial, regimes de remessa ou tratamentos preferenciais que reduzem a incidência sobre determinados rendimentos sem eliminar completamente a arrecadação. Segundo Artur Saraiva, fundador e COO da Global Citizen Solutions, o sucesso dessas nações reside em regimes bem estruturados que permitem financiar serviços públicos essenciais para a qualidade de vida. A escolha da jurisdição ideal, portanto, não se restringe à menor alíquota, mas a como cada regime trata a renda estrangeira e a segurança que essa estrutura oferece.

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Em suma, o **ranking tributário global** desmistifica a ideia de que apenas impostos baixos atraem capital e residentes, evidenciando a relevância crucial da estrutura tributária e dos regimes fiscais preferenciais. O Brasil, apesar de sua boa performance em mobilidade migratória, perde competitividade devido à sua estrutura fiscal e à tributação universal de rendimentos, o que o coloca em desvantagem no cenário mundial. Essa análise sublinha que a decisão sobre onde estabelecer residência fiscal é complexa e deve considerar o perfil individual do contribuinte, os ganhos de capital, impostos sobre consumo, sucessão e, principalmente, como a renda estrangeira é tratada. Para aprofundar-se em temas econômicos e entender como as políticas fiscais impactam o seu dia a dia, continue explorando nossa editoria de Economia.

Crédito da imagem: Divulgação

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